terça-feira, 18 de julho de 2017

Cristianismo e Direitos Humanos.



Cristianismo e Direitos Humanos.
Jonas Dias de Souza[1]

Não é o objetivo deste escrito entrar pelas searas da controvérsia que gira em torno deste tema. De antemão digo que não concordo com algumas expressões ridículas de algumas pessoas que se arvoram defensoras de tais direitos. O que vemos na mídia são pessoas despreparadas e palpiteiras sobre questões afetas à Segurança Pública, sem que tenha militado na área e desconhecem as nuas e cruas realidades dos homens de bem que trabalham nas forças de segurança. Buscamos uma reflexão simples, sobre como o tema é abordado algumas vezes (de forma impercetível) na bíblia e por alguns pensadores cristãos ao longo dos séculos.

Se existe um povo que sofre perseguição a muitos séculos, são os Judeus. Cerca de 1.500 anos antes de Cristo foram escravizados pelos Egípcios, até que fosse libertado (como muitos sabem) por Moisés. Em séculos próximo ao nosso, é de vasto conhecimento as atrocidades sofridas durante o holocausto. Do ponto de vista bíblico, a origem, o cerne do tema Direitos Humanos, é encontrada no
livro de Êxodo: “O estrangeiro não afligirás, nem o oprimirás; pois estrangeiros fostes na terra do Egito.” (Ex 22:21).  Veja que ao estrangeiro, longe de sua casa e de sua parentela, em um país estranho, era garantido “o princípio da igualdade da pessoa humana”. Esta regra antecede em muitos séculos o Tratado de Genebra, de 1951, que aborda a questão dos refugiados, garantindo a integridade de quem se encontra em terra estrangeira. Atualmente temos a questão dos refugiados que sofrem em suas peregrinações de uma vida mais digna, e encontram em seu caminho mais sofrimento e há inclusive relatos de homens escravizados. Direitos humanos possuem algumas características singulares: Intransferibilidade e Inalienabilidade. Eu não posso abrir mão de meus direitos. Por exemplo, uma pessoa que renuncia aos seus direitos trabalhistas para conseguir um emprego. Os Direitos Humanos são imprescritíveis, mesmo em estado exceção, eles devem ser mantidos. Biblicamente, podemos ver que, a palavra de Deus é permanente.  “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar. (Mateus 24:35)”


A ideia de que fomos criados à semelhança de Deus, deveria ser a mola mestra para este respeito aos direitos fundamentais do ser humano. Deveríamos entender que somos (todos sem exceção) dignos de respeito pois trazemos em nosso interior , em nosso ser um lampejo de Deus. De semelhante, Paulo, convertido em um respeitador dos Direitos Humanos e posteriormente uma vítima, escreve aos Gálatas: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus.” (Gl 3:28). Na história Cristã (Depois de Cristo), vemos em Agostinho de Hipona (354-430), um representante desta doutrina de respeito à dignidade humana, ao propor que a igreja por ser guardiã da lei de Deus poderia interpor-se no cumprimento das leis seculares, tornando a autoridade eclesiástica superior a autoridade dos reis. Não vamos nem entrar no tema da inquisição.  Mas esta noção Agostiniana, bem de deveria ter sido usada para que as “normas legais ilegítimas” fossem retiradas de circulação.
Tomás de Aquino (1225-1274), por seu turno, alguns séculos depois, classificaria as leis em três categorias, a saber: Leis divinas, leis naturais e leis humanas. Sendo que a terceira deveria ser a junção das duas primeiras. Ou seja as leis divinas e naturais não poderiam ser objetos de negação pelas leis humanas. Com destaque para a liberdade do livre arbítrio do homem, que consagrou a ideia de liberdade.

Entre o Êxodo e os demais pensadores, temos o respeitador-mor dos DH que é o próprio Cristo. O amor pelo homem e seus direitos foi tanto que morreu uma morte maldita na cruz, para que pudéssemos escrever hoje este texto.  As máximas humanas que tratam deste tema, não servem nem para ser nota de rodapé do Sermão da Montanha, expressão máxima dos Direitos Humanos. A expressão maior do amor de Deus pela humanidade é expressa pelo apóstolo João em seu evangelho.  “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” (João 3:16)








[1]Graduado em Filosofia pela UFSJ. Nível básico de Teologia pela EETAD. Atua na área de Segurança Pública. Congrega na Assembleia de Deus Ministério São João del-Rei.

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