domingo, 5 de março de 2017


Reflexões sobre a educação de nossas crianças.
Jonas Dias de Souza[1]
“Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e a tua casa” (Atos 16.31)
A salvação é individual. Muitas vezes ouvimos isto em sermões e pregações. Mas, mesmo sendo individual, passamos a ser sal e luz, quando aceitamos a Cristo. Quando nos convertemos e nos dispomos a orar pela nossa família e comunidade, pela nossa parentela, estamos iniciando a evangelização de nossa casa. Quando oramos em família, cultuamos em família, estamos ensinando e ao mesmo tempo trabalhando para que a mensagem de salvação seja ouvida em nossos lares.
Crer no Senhor Jesus e ter a casa salva são processos que se iniciam na nossa individualidade. Por isto não devemos esperar que a nossa família comece a ir para a igreja, para irmos. Devemos incentivar com ações individuais, a nossa família. Isto é educar pelo exemplo. Há uma interpretação equivocada da passagem de provérbios 22.6, pretendemos ensinar o caminho, quando deveríamos ensinar no caminho. Há diferença gritante. Apontar o caminho é direcionar o filho para
a igreja, enquanto a ocupação secular nos afasta. Pode funcionar por um tempo. Educar no caminho significa que a caminhada é realizada em conjunto com o filho.
O mundo preocupa-se tanto com valores éticos e morais e se esquece de Deus. Perdemos oportunidade quando deixamos para a criança escolher quando crescer. Paradoxalmente colocam-na para ser educada pela televisão. Terceiriza-se a educação dos filhos, jogando nos ombros dos professores o conteúdo que deveria ser ensinado em casa.
Educação e instrução moral e ética não será a garantia de que o filho pródigo volte para casa. Perdemos tempo ao não ensinar a criança sobre o amor de Deus. Ensinamos tantas coisas, e esquecemos-nos de ensinar que “Jesus morreu na cruz por nós.” Sabemos que uma boa instrução é terreno fértil para a atuação do Espírito Santo. Mas aceitar a Jesus é fundamental. Temos perdido muitos jovens para o mundo, com a suposição de que foram criados na igreja. Esquecemos que nossos adolescentes são assolados pelas mesmas preocupações que os demais. Não teremos garantia de que a nossa educação será seguida. Haverá casos que mesmo com o zelo dos pais, os filhos se desviarão do caminho. Provérbios na ARC[2] diz: Instrui o menino no caminho em que deve andar, e, até quando envelhecer não se desviará dele. (Pv22.6) . O texto não diz que ele nunca se desviará. Devemos reconhecer que inobstante todo zelo e aplicação dos pais, haverá casos em que os filhos se desviarão. Profissionalmente eu lido com Segurança Pública a mais de vinte anos, e presenciei muitos relatos de pais que não entendiam o enveredamento dos filhos por uma vida tortuosa. Devemos nos culpar? Jamais. Não podemos é terceirizar a educação de nosso filho. Quando deixamos a cargo da escola secular, saberemos que os assuntos fugirão dos conteúdos cristãos e seguirão pelas veredas nada ortodoxas do ensinamento secular. Não há que se ter medo. O que tem que ser feito é proporcionar ao menino a educação cristã, para que ele tenha parâmetros comparativos. Podemos realizar a defesa da Fé com nossos filhos.


Devemos orar, sabendo que a oração de um justo pode muito em seus efeitos.  O principal objetivo da educação do menino é que ele seja instruído no conhecimento de Deus. “E vós, pais, não provoqueis a ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor” (Efésios 6.4)
“Instruir” é a palavra usada no Antigo Testamento para dedicar (cf 1 Rs 8.63). Esta educação é uma tarefa religiosa, não deve ser vista como um investimento financeiro. Ensinar no caminho, significa que a educação deve ser proporcionada em parâmetros que a criança entenda, ou seja, a educação se adéqua à criança. No entanto vemos que de forma equivocada as crianças estão sendo obrigadas a se adequar ao sistema. Por isto o surgimento de pregadores mirins. Crianças que estão na mais tenra infância pregando sobre temas exclusivos da vida adulta. A criança está sendo desperdiçada. É como se estivéssemos apanhando frutas verdes.
               A individualidade da criança deve ser levada em conta. Aptidões individuais devem ser analisadas e consideradas. O alvo comum da classe cristã é a salvação. Mas uma classe não é homogênea. Alguns gostam de cantar, outros de tocar instrumentos. No alvo comum “o caminho” pode ser determinado.
               A verdadeira instrução para a vida não negligencia a instrução secular (alfabetização em suas nuances) e nem a instrução cristã. Devemos lembrar que filho de crente não é crentinho. Chegará um momento em que o filho de crente, mesmo tendo nascido na igreja, apresentado na igreja, crescido na igreja, deverá optar por aceitar a Cristo. Crianças não são depósitos originais de Boa Vontade. Elas devem ser educadas. Adianto uma possível má interpretação, dizendo que não defendo agressões físicas contra a criança. Quando lemos provérbios 22.15, vemos que “A estultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da correção a afugentará dele”. A disciplina não pode ser descartada. Se no passado ela foi exagerada, no presente ela deve ser estudada. Criança tem que ter limite. Criança não pode ficar sendo educada pela televisão 24 horas por dia, 365 dias por ano. Criança não é um diamante já trabalhado, ela é um diamante bruto, e nós pais seremos os escultores que trabalhando em conjunto com os educadores (seculares e cristãos) lapidaremos.
               “Vara” na bíblia não é e nunca foi sinônimo de castigo físico, de espancamento. Mas se refere ao cuidado, à disciplina, à educação. Castigar não é bater, ferir ou espancar. Castigar não é agredir com insultos psicológicos. Castigar é impor limites. É ir junto para a escola, para a igreja, para a Escola Bíblica Dominical. O pai que retém a disciplina, aborrece a seus filhos.
“O que retém a sua vara aborrece a seu filho, mas o que o ama, a seu tempo, o castiga.” (Provérbios 13.24)
A citação equivocada (texto fora de contexto) tem sido usada e foi por muito tempo para justificar atrocidades em nome de Deus contra a infância.  Provérbios defende e encoraja o carinho familiar, e a disciplina deve ser assim neste contexto, como a disciplina de Jesus. Como podemos orar pelo amor de Jesus e não demonstrá-lo aos nossos familiares?

              


[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Ministério São João del-Rei. Filósofo de formação e Pós graduando em Ciências da Religião.
[2] Almeida Revista e Corrigida

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