domingo, 14 de agosto de 2016

O CRESCIMENTO DO AMOR NO CRENTE EM CRISTO JESUS: DO LEITE AO ALIMENTO SÓLIDO.


 
 
 
 
 
O CRESCIMENTO DO AMOR NO CRENTE EM CRISTO JESUS: DO LEITE AO ALIMENTO SÓLIDO.
Jonas Dias de Souza

Inúmeras vezes ouvimos expressões sobre “voltar ao primeiro amor”, mas poucas vezes nos propomos de fato a refletir sobre o assunto. O primeiro amor é aquele momento em que o recém-convertido se descobre como participante da vida na igreja, e não encontra tempo ruim. Vigília de oração, culto ao ar livre, culto de ensino, Escola Bíblica de Férias. Em todas as ações de culto a Deus, o recém-convertido está presente. Mas ainda alimentando com o leite. É neste momento que ele precisa de uma igreja que seja doutrinariamente sadia. Um igreja doutrinariamente sadia é aquela que propicia um discipulado de valor ao novo crente. Lamentavelmente temos tido notícias de “rebatismo”, ou seja, determinadas não estão aceitando o batismo de outras denominações. Isto pra ficar somente em um exemplo de que ter “muito tempo de crente” não significa ser maduro espiritualmente. Vemos “crentes antigos” praticando as mesmas coisas da meninice. O apóstolo Paulo, escreveu aos crentes de Éfeso, que eles deviam crescer no cabeça da igreja que é Cristo Jesus. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo,
Do qual todo o corpo, bem ajustado, e ligado pelo auxílio de todas as juntas, segundo a justa operação de cada parte, faz o aumento do corpo, para sua edificação em amor.” (Efésios 4.15-16)
Crescer espiritualmente é
procurar cada vez e de forma progressiva desenvolver-se espiritualmente, mas este desenvolvimento espiritual não pode se transformar em religiosidade. Devemos manter o mesmo amor dos tempos de novos convertidos, mas, agora com uma reflexão aprofundada sobre o Evangelho. Não acreditamos prontamente nas coisas ditas pelo homem e que não coadunam com a Palavra da Verdade. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino.” (1 Coríntios 13.11). Com o crente acontece a mesmíssima coisa, abandonamos as coisas de menino e começamos a valorizar as coisas de homem. Podemos receber o alimento no culto através da pregação e também nos alimentamos lendo a bíblia. É inadmissível que ainda hoje haja crentes que se dirigem ao culto sem levar a sua bíblia, elemento essencial, para qualquer soldado a sua arma assume uma importância singular, assim é para o crente a sua bíblia, uma arma, uma espada figurativamente comparando. A bíblia nos traz exemplos de crescimento espiritual: “E o jovem Samuel ia crescendo, e fazia-se agradável, assim para com o Senhor, como também para com os homens.” (1 Samuel 2.26). E ainda: “E, pedindo ele uma tabuinha de escrever, escreveu, dizendo: O seu nome é João. E todos se maravilharam.” (Lucas 1.63). Zacarias cresceu após crer no que o Espírito de Deus havia dito. Após um prova. Podemos, no entanto, crescer sem termos que passar por uma prova. De que maneira? Procedendo ao estudo das escrituras e orando. O capítulo 8 do Evangelho de Lucas é um exemplo de crescimento espiritual.
Quando Lutero descobriu que o Justo Viverá da Fé, descobriu depois de muito tempo que vivera um engodo religioso. Quando nos tornamos apenas religiosos, começamos a fazer tudo por obrigação: Oramos por obrigação, Vamos ao culto e adoramos por obrigação. Mas isto não agrada a Deus. O contrário desta religiosidade, que não pode ser traduzida por crescimento espiritual, é a ação de graças que devemos dar pelo crescimento do Evangelho em nós. Cresce a Fé no nosso interior e cresce o amor. Traduzimos este crescimento pelo amor ao aprendizado sistemático para com as coisas espirituais (crescimento na Palavra).  “Sempre devemos, irmãos, dar graças a Deus por vós, como é justo, porque a vossa fé cresce muitíssimo e o amor de cada um de vós aumenta de uns para com os outros,” (2 Tessalonicenses 1.3) Cresce a Fé e cresce o amor, com o crescimento bíblico. Agostinho de Hipona, um dos Pais da Igreja, disse que precisamos “crer para entender” e “entender para crer”. O crescimento espiritual mediante o estudo das escrituras sagradas, percorre este caminho, cremos e começamos a entender (somos meninos), então passamos a entender pelo estudo bíblico e cremos cada vez mais (somos homens espirituais).

Não é difícil encontrar um marco, um ponto de origem para este começo da vida espiritual. “E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.
Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” (João 3.1-7)
Nascer de novo, é nascer a cada dia. Não somos Cristãos perfeitos, mas, buscamos esta perfeição. Abandonando as práticas pueris. Podemos até ser crianças em Cristo no início de nossa jornada. “E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis,porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais?” (1 Coríntios 3.1-4). No início vemos com os olhos naturais. Com o passar do tempo, os olhos espirituais vão se abrindo e recebendo a capacidade de visão. Olhos espirituais nos fazem ver que lutamos contra forças espirituais. Passamos a meditar na Palavra de Deus. Passamos a seguir o caminho de crente que confia tudo nas mãos de Deus. Passamos pela prova e damos glória a Deus, pois sabemos que as lutas tem o condão de nos fazer cada vez mais fortes em Cristo. Não perdemos a nossa consciência humana, mas, sabemos que possuímos força espiritual para vencer as adversidades e reconhecemos que a vitória é nossa, mas, a vitória é nossa em nome de Jesus. “Porque, devendo já ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento. Porque qualquer que ainda se alimenta de leite não está experimentado na palavra da justiça, porque é menino. Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.” (Hebreus 5.12-14). Alguns não crescerão, e receberão o alimento em forma de leite. Para estes, os assuntos complexos do Evangelho deverão ser “batidos no liquidificador”, outros crescerão e poderão participar do banquete bíblico. Para estes fortes a guerra é travada de joelhos, e o jejum não assusta. Para aquele que cresceu espiritualmente, as procelosas ondas do mar revolto não incutem medo. Mesmo sabendo da fragilidade da embarcação, sabem e percebem pelos olhos espirituais que ela carrega o Deus do Céu e Mar. As ondas dão pavor, o céu se enche da negra escuridão, mas o comandante das forças espirituais do bem, está firme com seus adoradores. O alimento deste tipo de crente é a palavra. A palavra é nova a cada dia. Ela é nova toda manhã. É por isto que se diz que a “Bíblia em mau estado, gasta pelo uso”, geralmente é de um crente que está em ótimo estado.
“A Bíblia que está caindo aos pedaços geralmente pertence a alguém que não está.” (Charles H. Spurgeon). O apóstolo Pedro disse que a Palavra é alimento. “Sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre.” (1 Pedro 1.23) A Palavra de Deus é um rio de águas vivas e verdadeiras que jorra incessantemente na vida do crente. Mas, para isto, há que se buscar. Não adianta deixar a bíblia aberta na estante (geralmente em um Salmo) e amarelando. É preciso devorá-la. Alimentar a alma, o espírito. Ler...orar...ler...orar...ouvir...crer...entender. Deixando, pois, toda a malícia, e todo o engano, e fingimentos, e invejas, e todas as murmurações, desejai afetuosamente, como meninos novamente nascidos, o leite racional, não falsificado, para que por ele vades crescendo;” (1 Pedro 2.1-2) O sucesso do Pastor de minha igreja é o meu sucesso. O sucesso daquele irmão separado ao diaconato, ao evangelismo, ao pastorado, é o meu sucesso. O sucesso dos músicos é o meu sucesso. O sucesso dos vários Ministérios também é o meu sucesso. Crescemos espiritualmente, mas não perdemos a simplicidade de criança. “E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles,
E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus.” (Mateus 18.2-4)
Quando estas coisas vão tomando conta da consciência do crente, percebe-se que ele está atingindo a maturidade espiritual. “Antes crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador, Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora, como no dia da eternidade. Amém” (2 Pedro 3.18) Crescemos na Graça de Cristo, quando, vencemos os sentimentos facciosos que a vida natural tenta nos impor. O fruto do crescimento espiritual possui algumas ilustrações bíblicas: “O justo florescerá como a palmeira; crescerá como o cedro no Líbano. Os que estão plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e vigorosos, para anunciar que o Senhor é reto. Ele é a minha rocha e nele não há injustiça.” (Salmos 92. 12-15). E ainda: “Na sua carne desfez a inimizade, isto é, a lei dos mandamentos, que consistia em ordenanças, para criar em si mesmo dos dois um novo homem, fazendo a paz, (Efésios 2.15) Esta paz, sabemos que fala do conflito que não mais existe entre o velho e o novo homem, mas podemos aplicá-la ao clima de harmonia que reina entre os irmãos crescidos espiritualmente.
O crescimento em Cristo, não permite mais que sejamos enganados por falsos profetas que querem se enriquecer às custas da congregação. “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina; No qual todo o edifício, bem ajustado, cresce para templo santo no Senhor. No qual também vós juntamente sois edificados para morada de Deus em Espírito.” (Efésios 2.20-22) O fundamento dos apóstolos (os que estão descritos na Bíblia, não estes da era moderna), e principalmente sobre o fundamento que é Cristo, o crente cresce espiritualmente. Somos transformados pelo novo nascimento em templos, mas a tarefa de cuidados do templo pertence a nós. O alvo máximo de nosso crescimento espiritual: “E ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores, querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo; até que todos cheguemos à unidade da fé, e ao conhecimento do Filho de Deus, a homem perfeito, à medida da estatura completa de Cristo, para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente. Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, (Efésios 4.11-15) O sucesso de meu irmão deve ser o meu sucesso, porque assim Cristo realizou. Devemos crescer espiritualmente e trabalhar onde formos colocados por Cristo.Haverá um limite para o crescimento espiritual? Será que chegará um ponto em que nos formaremos? O limite do crescimento espiritual é a Plenitude. Uma vida mais abundante em Cristo.  “O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.” (João 10.10). Este ladrão, não é o diabo, como ensinam equivocadamente. Este ladrão e salteador, são os falsos pastores, falsos bispos e falsos apóstolos que a pretexto de roubar a igreja torce a doutrina colocando a de acordo com a vontade humana. Negociando o Evangelho. Vendendo falsas esperanças para um povo raquítico espiritualmente. Oramos pelo nosso crescimento (enquanto estudamos a bíblia) e também pelo crescimento do corpo de Cristo que é a igreja local e universal. “Saúda-vos Epafras, que é dos vossos, servo de Cristo, combatendo sempre por vós em orações, para que vos conserveis firmes, perfeitos e consumados em toda a vontade de Deus.” (Colossenses 4.12). Em Cristo e somente em Cristo é que poderemos concordar com a descoberta de Lutero que o justo viverá da fé. A plenitude completa é em Cristo. “Como, pois, recebestes o Senhor Jesus Cristo, assim também andai nele, arraigados e sobreedificados nele, e confirmados na fé, assim como fostes ensinados, nela abundando em ação de graças.” (Colossenses 2. 6-7). A plenitude é encontrada em Cristo. Mas enquanto estamos aqui nesta terra, devemos nos precaver (através do crescimento espiritual pelo estudo bíblico) para que não nos tornemos vítimas de ladrões (falsos pastores), “tende cuidado, para que ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo;” (Colossenses 2.8)








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