sábado, 9 de julho de 2016

Palavra, costume e tradição: Os novos (velhos) desafios para os crentes.



Palavra, costume e tradição: Os novos (velhos) desafios para os crentes.
                                                                                                                   Jonas Dias de Souza

Que a cultura muda de forma constante é algo que todos sabemos. Costumes sociais também mudam com o passar do tempo. O que em uma época era considerado um tabu, em outras passa a ser normal. Para as gerações de crentes atuais, consideradas os aspectos da comunicação de massa e da capacidade quase interminável de obtenção de informações, estes processos de mudanças culturais são extremamente acelerados. Vivenciamos nas duas últimas décadas uma revolução tecnológica que coloca assuntos em pautas que não existiam nos anos 80. Exemplo disto é questão da telefonia móvel. Hoje o celular do jovem crente serve como uma biblioteca cristã. Não raras vezes vemos “exortações” sobre o uso do celular no culto, mas nem sempre há a reflexão de que esta ferramenta eletrônica é o meio do jovem conduzir a Bíblia. Assim como os livros de papel estão compartilhando espaço para os livros digitais, a Bíblia também é lida nos vários formatos digitais. Compete a cada um, se policiar no sentido de não acessar outros aplicativos que comprometam a adoração.
Outra questão que não abandona a tradição é a questão das
vestes femininas e masculinas. Temos congregações que tem o costume do terno, outras são mais liberais e permitem jeans e roupas esportivas. O que não pode acontecer como vem acontecendo é a separação e o julgamento de pessoas que não vestem conforme a maioria.  Esta questão de deixar de lado pessoas que não vestem igual a maioria está pervertendo a pregação do Evangelho. Este retrocesso precisa ser combatido com oração e mais amor ao próximo. Verifica-se ainda pela experiência, o costume de vestir se de um jeito na vida secular e outro quando vai para a igreja.  Por exemplo, resguardadas algumas profissões, não vemos os homens trajando terno nas 24 horas do dia, sete dias por semana. Contudo, vemos o seu uso nas igrejas de forma freqüente. O que não pode acontecer, é uma espiritualização da vestimenta. O fato de usar terno, não torna ninguém mais crente do que outro.
Assunto delicado é o uso de dispositivos portáteis para auxiliar na pregação. Acreditem, percebo comentários de que o pregador que usa a mídia eletrônica (Tablet, notebook, etc) não está de acordo. Ocorre que não há na Bíblia nada que fale sobre tais fatos. O que temos é uma má interpretação e espiritualização de tudo, o que faz com que “demonizemos” as novas tecnologias. O verdadeiro conhecimento da Palavra de Deus nos leva a obedecer, mas não podemos obedecer às tradições que servem para separar e não unir. O fato de uma serva de Deus usar brinco não a deixa menos espiritual que uma que não usa. As duas podem ser irmãs. Assim como usar roupa social nas 24 horas do dia não deixa nenhum homem mais santo.
Em 1 João 2. 7-11, aprendemos que não se trata de mandamento antigo e tampouco de novas regras da igreja.
Vejamos:
Irmãos, não vos escrevo mandamento novo, mas o mandamento antigo, que desde o princípio tivestes. Este mandamento antigo é a palavra que desde o princípio ouvistes.
Outra vez vos escrevo um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vós; porque vão passando as trevas, e já a verdadeira luz ilumina.
Aquele que diz que está na luz, e odeia a seu irmão, até agora está em trevas.
Aquele que ama a seu irmão está na luz, e nele não há escândalo.
Mas aquele que odeia a seu irmão está em trevas, e anda em trevas, e não sabe para onde deva ir; porque as trevas lhe cegaram os olhos.”
João fala com propriedade sobre “guardar os mandamentos”, mas não se trata de “prescrições pastorais” ou de “costumes tradicionais”. A afirmação de que a “igreja tal” é assim a muitos anos, implica em que os pastores terão que andar a pé como se fazia nas épocas apostólicas, ou ler a bíblia em rolos. A própria Bíblia após a invenção dos tipos móveis de Gutemberg foi uma revolução em sua época. Agora é a época dos tablets e celulares. O “mandamento antigo” de que fala João é a Palavra. A Palavra não muda, mas a plataforma que a hospeda sim. Seja em pedras, juncos, papiros ou telas de LCD, a Palavra de Deus é imutável. O “Mandamento antigo” não é um déspota que coloca um o povo de Deus sobre a escravidão da palavra. Se assim fosse teríamos uma corrente legalista e não de amor. Ora, um cristianismo legalista que não dá oportunidades a um irmão, porque ele não está com tal ou tal roupa é uma pseudo-cristianismo. O lugar do mandamento novo deve ser os nossos corações. Assim ensinou o Profeta Jeremias.
Vejamos:
“Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá.
Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; porque eles invalidaram a minha aliança apesar de eu os haver desposado, diz o Senhor.
Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei a minha lei no seu interior, e a escreverei no seu coração; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo.
E não ensinará mais cada um a seu próximo, nem cada um a seu irmão, dizendo: Conhecei ao Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor; porque lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados.” (Jeremias 31.31-34)

Se o jovem lê a Bíblia em seu celular e a guarda em seu coração, bem faz. Chega a ser até estranho (para não usarmos palavra mais pesada) acreditarmos que um estudo bíblico não é eficaz porque está hospedado em meio digital. Se for realizado debaixo da oração e da comunhão com o Espírito Santo? Amém.  Sei que este assunto sobre meio digital, e tradições e costumes, sendo tratado desta forma (meio eletrônico) pode parecer desnecessário, mas entendemos que uma discussão deve ser levantada. A discussão provoca reflexões que tem o poder de provocar mudanças, então abriremos os nossos corações para aquela pessoa que entra no templo vestida de maneira diferente.




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