domingo, 6 de março de 2016

O QUE É SER EVANGÉLICO?








O QUE É SER EVANGÉLICO?
Jonas Dias de Souza[1]

                Severas discussões ocorrem sobre o termo “Evangélico”, e a reflexão necessária é: O que é ser evangélico? Sabemos que na essência, este termo é muito contestado.  Para o senso comum, evangélico é aquele que não pertence à Igreja Católica, seja a apostólica romana ou outras ramificações, como a ortodoxa oriental.
            Temos presenciado, contudo, uma mistura de elementos do culto afro brasileiro em alguns cultos tidos como evangélicos. Isto nos impõe uma ida além da mera reflexão, uma tomada de posição de defesa do que podemos chamar evangélico. Sabemos que a raiz do adjetivo evangélico, vem de uma palavra grega que  implica ou designa a notícia tida como “Boa mensagem” ou “Boa Nova”. Esta notícia é a da ressurreição, com ensinamentos do Cristo.  A mensagem apostólica que é noticiada com o auxílio imprescindível de Deus mediante a Fé, e que na verdade é a Salvação plena em Jesus Cristo (Graça pela Graça) é o evangelho. Reside nesta constatação a premente necessidade de termos pregações exclusivamente cristocêntricas. O adjetivo assume mais do que o significado genérico de cristão segundo a deturpação da inteligência comum. Esta reflexão mais aprofundada, nos leva a perceber que a vivência do cristianismo evangélico é centrada no próprio evangelho e não mais na lei. Não somos capazes de enquanto homens vivermos segundo a lei, porque quem tropeça em um item tropeça em todos. O que nos redime é a Graça redentora de Cristo Jesus, propiciada pela sua morte na Cruz. O apóstolo Paulo em sua Carta aos Romanos afirma e ensina que, “ todos pecaram e destituídos estão da Glória de Deus” e continua ensinando que
fomos justificados de Graça pela redenção existente em Jesus Cristo.
            O evangélico crê que Cristo Jesus é o único redentor e intermediário entre o homem e Deus.  Lemos no Evangelho de João, o seguinte “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deus o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. A justificação livra tanto da condenação eterna, quanto nos deixa em Paz com Deus. Quando nos perguntamos: O que é ser evangélico? Estamos indo muito além das placas denominacionais. Ser evangélico, é mais que ser protestante. Sentimos uma dificuldade enorme de relacionamento inter-denominacionais. Salvos algumas exceções , temos arraiais fechados: Os batistas, os assembleianos, os metodistas, os presbiterianos, os quadrangulares, e segue a relação. A reflexão sobre a vivência evangélica, nos leva a concordar com o Pastor Roger Olson, quando afirma: “os evangélicos destacam-se de outros cristãos pela ênfase na importância do “relacionamento pessoal com Jesus Cristo” pela experiência de conversão (arrependimento, fé e vida diária no discipulado de Cristo), envolvendo oração, leitura da Bíblia e busca da ajuda de Deus para imitar o salvador”.  Será esta de fato a visão que o mundo tem dos evangélicos? Com pastores entrando em chiqueiros, cisternas e vendendo amuletos a pretexto de pregação.
            Percebe-se que não nascemos evangélicos, convertemo-nos ao evangelho quando vamos além de aceitar a Cristo. Recentemente, ouvi em duas prédicas (em diferentes denominações) que aceitar a Cristo é fácil. Verdade puríssima, aceitar a Cristo qualquer um pode fazer. O problema está no fato de permitir que Cristo nos faça viver o Evangelho. Isto requer uma vida de oração e consagração. Orar não é tarefa fácil. Quando nos posicionamos de joelhos para orar, batalhas são travadas no âmbito espiritual, e no físico também. Assistimos confortavelmente a um filme de três horas, e não conseguimos orar por cinco minutos. Lembramos que um guerreiro pode ser formado, assim como um evangélico pode ser forjado, na forja do Espírito Santo de Deus.   Custa-nos reconhecer que o poder que o pecado exercia sobre a nossa foi destituído na Cruz. Há um ditado popular que diz que “Deus não escolhe os capacitados, mas, capacita os escolhidos”.   Concordamos em parte com esta afirmação. A oração e a consagração, a busca por uma vida santificada, nos coloca próximo aos olhos de Deus. Então neste sentido, Deus escolhe os capacitados. Neste contexto de lutas espirituais é que se afirma que é possível aceitar a Cristo e não viver como Cristo. Viver como Cristo é ser dependente do Espírito Santo de Deus, pela Graça do Espírito percebemos que a Graça já não permite que vivamos no pecado, pelo contrário, somos livrados do poder do pecado.
            Quando dizemos que nos convertemos ao evangelho, passamos pela aceitação a Cristo, seguida de uma vida de comunhão e santificação. Trocamos de família. Saímos da paternidade adâmica, com sua herança ruim, para a paternidade de Cristo. Isto  só é possível mediante a adoção. Enquanto éramos filhos de Adão, tínhamos como herança: ruína, pecado, morte, separação de Deus, desobediência, punição e lei. Agora, como herdeiros de Cristo: Salvação, Justiça, Vida eterna, relacionamento com Deus, obediência, libertação, Graça.



            O que é ser evangélico? A reflexão nos faz avançar além do modismo. Atualmente a moda é ser “gospel” (palavra inglesa correspondente a evangélico). Gospel isto... gospel aquilo...gospel aquilo outro. Vivemos, comemos, respiramos, vestimos a “gospelidade” latente e midiática. Reproduz-se nos púlpitos os jargões teológicos que arrancam (através do emocionalismo) expressões desprovidas de autêntica razão cristã. No meio musical a “nossa vitória tem sabor de mel”, mas nos esquecemos com facilidade que a vingança pertence ao Senhor.  Percebe-se nos programas de televisão direcionados aos “evangélicos” um “fast-food” teológico. O resultado são ovelhas obesas de uma pseudo-teologia e caquéticas do autêntico evangelho. Nossas ovelhas estão com aparência saudável mas estão morrendo de caquexia cristã.  A caquexia bíblica deriva da ausência de Escolas Bíblicas Dominicais sérias Cultos de Ensino. A proliferação de cultos destinados à prosperidade com mega eventos e verdadeiros shows, tem contaminado o povo evangélico e o transformado em povo gospel. O Evangelho verdadeiro, é biblicista, conversionista e tem em Jesus a figura central da vivência. É muito difundida a frase “Eu sou a Universal”, numa demonstração de que a denominação assumiu a primazia em relação ao Evangelho.  Como levar adiante a pregação de João 3.16? A vida atual é miserável, cheia de dificuldade. E alie-se a isto a expropriação ou apropriação indébita de pastores saudáveis que escolhem levar uma vida nababesca às custas de suas ovelhas.  A corrida atrás das bênçãos leva á facilidade de entrada no estelionato denominacional. Por isto é fácil enriquecer vendendo para as ovelhas caquéticas do evangelho autêntico, a “terra abençoada de Israel”, “ a fronha de Paulo”, “O cimento milagroso de Jericó”, e o “xixi do anjo Gabriel”.  O estelionato evangélico permite até “trocar de anjo”. O que dizer então dos cultos de cura e libertação que acontece somente em determinados dias da semana. A respeito deste assunto veja o artigo: A última semana de Roberto em busca de Cristo. O que existe de Boas Novas no mercado gospel? A piscina do bispo que foi construída com a venda do lenço suado acrescentou  uma ilusão na vida da ovelha perdida que atendeu à voz do falso pastor.  É possível a existência de um evangelho sem cruz? A resposta pode ser sim ou não. Dependerá de qual conceito aceitarmos ou como conceituamos a cruz. Ao dizermos que ser cristão evangélico é passarmos por uma série de lutas contra o pecado, por uma série de dificuldades e dissabores nesta vida, como obrigação por sermos cristãos, estamos contrariando a teologia da prosperidade. Mas estamos errados. A prosperidade não é pecado. O equívoco está em procurar uma prosperidade ás custas do altar. Deus não pode ser colocado contra a perede, sem nós Ele continua sendo Deus. E o contrário? O “evangélico” que compra a “ fronha de Paulo” para ter uma noite repousante, ou beija os pés da bispa, está compactuando com doutrina anti-bíblica. Quando perceber que o “óleo abençoado pelos 320 pastores” não passa de um engodo financeiro, jogará a culpa no cristianismo. Quando, ao contrário, se coloca na e sob a proteção do verdadeiro pastor que é Cristo, não haverá necessidade destes amuletos de idolatria. Colocar a prosperidade financeira diante  e em primazia com relação à salvação, é não se dar conta do que João escreveu: “ Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.”
            A essência do evangélico verdadeiro é que ele passou da morte para a vida. Embora precise passar por esta vida física, não pode permitir ser expropriado pela ganância dos falsos pastores que abusam da falta de conhecimento de suas ovelhas. Mantenham o rebanho ignorante e enriqueçam às suas custas, pensam alguns.  Boa notícia tem a ver com Nova Vida. “Assim que se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.” Após a genuína conversão, passamos a ter experiência da ação de Deus em nossas vidas cotidianas, podemos dizer, somos evangélicos.
E aí? O que é ser evangélico?     




[1] Servo de Deus. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD. Congrega na Assembleia de Deus em São João del-Rei/MG.

4 comentários:

  1. Olá irmão Jonas, li na íntegra o seu post para entender a sua exposição, e quero parabenizá-lo como o fez. Excelente! Visto que destacou que a salvação é somente em Jesus Cristo pela sua graça maravilhosa, além de abordar a distorção do Evangelho em que querem vender as bênçãos do Senhor que são inegociáveis. Concordo plenamente com o amado que existe muita banalização do Evangelho do Senhor em nossos dias e isso nos deixa muito triste diante da falta de escrúpulo destes pregadores transvestidos de pastores, que nada mais são do que os falsos profetas. Transmitem um "evangelho barato", sem apontarem que somos pecadores e sem o reconhecimento que são pecadores, sem o arrependimento, sem a confissão, sem o perdão de Deus, sem a regeneração e sem a busca da santificação, jamais herdarão o Reino dos Céus. Quantos morrendo como membros de igrejas, enganados e sem salvação. O que o Senhor cobrará o sangue destes da mão daqueles que os enganaram. Pseudos pastores sem o devido temor a Deus. Que o Senhor lhe abençoe e ilumine cada vez mais para alertarmos os desavisados quanto o ser evangélico de verdade.

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    1. Obrigado pela participação Pastor Flávio. Temos por certo que há uma premente necessidade de expormos a nossa posição a respeito destas pessoas que distorcem a missão. O povo sofre por falta de conhecimento, mas verifica-se um comodismo que impede de agir tal qual os crentes bereanos. Uma leitura atenta da Bíblia esvaziaria estes templos que vendem a prosperidade. Graça e Paz. Jonas Dias. Conto com sua divulgação do Blog.

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  2. Pastor Jonas observamos que as imagens da igreja católica estão sendo substituídas por outros tipos de amuletos, vidrinho com óleo comestível e afins são as imagens hoje substituídas.

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    1. Estas são as heresias evangélicas. De fato não há diferença entre a "terra abençoada de israel" e o "alecrim para acender o forno na semana santa". Estamos vivendo uma época em que pseudos pastores guiam ovelhas ignorantes (no sentido de desconhecer a Bíblia) por caminhos tortuosos e perigosos. Tudo em nome do crescimento financeiro. Meios de extorsão para a manutenção de uma vida nababesca. Orar de madrugada ninguém quer. É mais fácil ficar tocando na arca e no manto. Em breve teremos os santos canonizados pela denominação. Não nos aquietemos. A presciência de Deus sabe e acompanha estes acontecimentos. Já foi descrito o futuro em Mateus 7.21-23 o que acontecerá com tais pastores, que inventam modismos.

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