segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

A PASSAGEM MAIS BONITA DA BÍBLIA: O CORAÇÃO DE TODAS AS PROFECIAS.







A PASSAGEM MAIS BONITA DA BÍBLIA: O CORAÇÃO DE TODAS AS PROFECIAS.
Jonas Dias de Souza[1]

            Eu ouvi isto de um Pastor da Assembleia de Deus. Pastor José Santana (na época) da Assembleia de Deus da cidade de Santa Cruz de Minas em Minas Gerais. Para que não sabe, é a menor cidade do Brasil em termos geográficos. Mas nem por isto deixa de possuir os problemas de uma cidade normal.
            Mas a Assembleia de Deus está ali firme com sua liturgia bem elaborada e sua doutrina, que é apologética, considerados os desvios vislumbrados nesta seara evangélica (que é grande) e onde os obreiros continuam sendo poucos. Mas o que isto tem a ver com a passagem mais bonita da Bíblia? Existe de fato uma passagem que se destaca na Bíblia? Segundo o Pastor Santana, trata-se de Isaías 53.
            Discorremos então sobre Isaías 53 que é uma profecia messiânica, ou seja, ela trata do Messias que viria como de fato meio, para nos justificar, nos salvar, para carregar toda a nossa carga de pecado. Isaías 53 foi escrito cerca de setecentos anos antes do nascimento de Cristo, mas foi escrito de tal forma que parece o relato de uma testemunha da crucificação. Ao lermos a Epístola de Pedro, percebemos que ele utiliza trechos de Isaías no lugar de relatos testemunhais.
           
            Vejamos:

            “Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois também que cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente, carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados. Porque estáveis desgarrados como ovelhas; agora, porém, vos convertestes ao Pastor e Bispo de vossa alma.” (1 Pedro 2.21-25) (ARA)

            Cristo deve ser o nosso exemplo numa vida irrepreensível, devemos evita a auto-defesa e a vingança. Esta auto-defesa é aquela feita pela nossa língua quando sofremos um ultraje de nossos irmãos, devemos confiar na soberania de Deus e em sua justiça. Ao mesmo tempo louvamos a Deus na pessoa de Cristo de Jesus, pelo sofrimento substitutivo que resgatou a dívida a nós atribuída, e reconhecemos sua soberania como Pastor e Bispo de nossas almas. Outrora vagueávamos em nossas vãs futilidades, agora submetemo-nos ao Senhor Deus que como Pastor reúne as suas ovelhas no aprisco.

            Isaías 53 traz por oito vezes
a confirmação e a declaração do caráter vicário e salvifico de Cristo, que o apóstolo Paulo resumiu tão bem ao falar do Ministério da Reconciliação: “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (2 Coríntios 5.21) Cristo foi o único embaixador do Pai.  Carregou nossa culpa e pecado no madeiro identificando-se conosco, sem, contudo, pecar. O prêmio por acreditar Nele é a participação da justiça perfeita de Deus.

            Sabemos que existem atualmente várias traduções da Bíblia no mercado literário, mas a beleza da passagem não se encontra (embora haja preferências estilísticas) na forma como foi escrita ou traduzida. A beleza da passagem está centralizada na mensagem que ela fornece ao mundo cerca de sete séculos antes de acontecer, e ainda hoje, serve para nos guiar tal qual um farol guia o navio próximo aos rochedos. Guia-nos em meio às intempéries da vida trazendo a recordação em nossas mentes e almas que temos um porto seguro para sair das procelosas ondas do mar revolto.
            Israel e sua cegueira é lembrado pelo profeta Isaías de forma interrogativa. Quem creu? Quem acreditou na revelação? Devemos lembrar que Isaías é considerado o “profeta evangélico”. Por apresentar no Antigo testamento uma completa e clara exposição da Boa Nova de Jesus Cristo (Evangelho), podemos equiparar com a Epístola aos Romanos escrita por São Paulo. Fora a sua comparação com a Bíblia (Isaías tem 66 capítulos e a Bíblia Evangélica 66 livros) a Teologia bebe nesta fonte rica que é considerada como um alicerce das doutrinas do período pré-cristão.  Isaías mostra que a salvação seria estendida aos povos longínquos (gentios) da terra Israelita, desde que abram os corações para a verdade. É condição sine qua non que creiamos na verdade de Cristo para termos acesso ao tribunal justo de Deus. Justiça que é ministrada com misericórdia para aqueles que são herdeiros com Cristo. Judeus e Gentios farão parte de um rebanho único sendo transformados em súditos exultantes do Reino Milenar que estabelecerá a Paz de Deus sobre toda a terra.




            O que os olhos naturais não contemplam os espirituais enxergam maravilhados. A aparência sofredora de Cristo, a sua humilhação, não ofereceu atração aos olhos naturais. Mas a Fé permite a abertura dos olhos para a contemplação da formosura que há no sofrimento perpassado na Cruz. A rejeição se deu por homens cujos pecados, Ele (Cristo) estava expiando. A culpa e o pecado, pertenças exclusivas do homem, e assumido por Cristo de forma voluntária. Cristo foi humilhado e também se humilhou porque a vontade do Pai era a mesma vontade dele. Não abre a boca por livre vontade colocada em sua paixão. A paixão de cristo com o seu sofrimento em prol, em favor de toda a humanidade fazem àqueles que crêem Povo de Deus.
            Isaías descreve a crucificação entre dois ladrões e a sua sepultura junto aos ricos (cristo foi sepultado no túmulo de José de Arimatéia).  Em palavras simples do ponto de vista teológico um dos malfeitores nos dá um diagnóstico da mais profunda teologia cristã. Cristo era inocente, quando nós deveríamos estar na cruz, e ao mesmo tempo nos ensina que basta aceitá-lo. 

REFERÊNCIAS DO CAPÍTULO 53 DE ISAÍAS COM OUTROS LIVROS DA BÍBLIA.

53.1
Jo 12.38; Rm 10.16
53.3
Sl 22.6; Jo 1.1-11
53.4
Mt 8.17
53.5
 Rm 4.25; 1 Co 15.3; 1 Pe 2.24
53.6
1 Pe 2.24-25
53.7
Mt 26.63; At 8.32; 1 Pe 2.23
53.8
At 8.32-33; Ap 5.6
53.9
1 Pe 2.22
53.10
Rm 6.9; 2 Co 5.21; 2 Ts 1.11; 1 Pe 2.24
53.11
 Rm 5.18-19; 2 Pe 1.3; 1 Jo 2.1
53.12
Mc 15.28; Lc 22.37

            A humanidade não esperava que Deus enviasse um servo humilde, pelo contrário, esperava um majestoso rei, talvez um valente como Davi.  Vemos que a ação de Deus bate de encontro ao orgulho e à forma de pensar tão comum da humanidade. Ainda hoje temos tendência a considerar que grandes pastores e pregadores são aqueles que se mostram pavoneada em grandes congressos e grandes audiências.  Escondidos nos rincões brasileiros estão grandes homens de Deus que muitas vezes analfabetos são revestidos do poder concedido pelo Espírito Santo para anunciar as Boas novas.
            Ainda hoje vemos “este homem de dores” sendo rejeitado, seu perdão é desconsiderado. O que alegrar-se na cruz? É receber a Graça e a Luz que dela emana para sermos santificados e assim podermos comparecer diante de Deus. A dificuldade de entender esta passagem do ponto de vista teológico, reside na época em que ela situa. O que temos aqui nesta passagem Bíblica é um descortinar do tempo realizado por Deus, mostrando o futuro. Deus revelou o que aconteceria para aquelas pessoas do tempo de Isaías.
            Isaías 53, conforme afirmamos é o coração de todas as profecias. Nada há tão claro em toda a Bíblia quanto esta passagem para descrever o servo sofredor. O que ser sarado através das pisaduras? Somente aquele que encontrou o perdão através de Jesus pode entender. Numa humanidade de consciências cauterizadas, a conversão é a abertura para a compreensão de que não há necessidade de obras ou de penitências para alcançarmos a Graça. O sofrimento já foi realizado na cruz e desta cruz, Jesus rasgou o véu do templo para que nos aproximássemos de Deus sem termos manchas em nossas vestes. Assim como a absolvição pela justiça humana declara inocente o réu, somos declarados inocentes diante de Deus. Ocorre que temos um tribunal de última instância. Não há necessidade de peregrinações ou ficar correndo atrás de bençãos. O  profeta Isaías declara que a nossa justiça não passa de um trapo. Nós que sofríamos de uma doença incurável e hereditária chamada pecado, fomos tratados pelo médico que numa empatia indescritível “tomou sobre si as nossas enfermidades”. O sofrimento propiciatório embora executado pelos homens foi ação de Deus. Os executores humanos foram meros instrumentos de uma justiça divina.  Quando Pedro discursou (por ocasião do pentecostes) deu um esclarecimento a respeito da ação divina na crucificação. “Varões israelitas escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, varão aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais, que Deus por ele fez no meio de vós, como vós bem mesmo sabeis; a este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, tomando-o vós, o crucificastes e matastes pelas mãos de injustos; ao qual Deus ressuscitou, soltas as ânsias da morte, pois não era possível que fosse retido por ela.” (Atos 2.22-24)  Todos os acontecimentos narrados em Isaías 53, aconteceu sob a presciência de Deus. Nenhum governo humano conseguiu frustrar seus planos. Para a igreja primitiva, naquele momento, esta profecia deve com certeza ter vindo à mente em conforto pela ação do Espírito Santo.
           
            A reação cultural de Israel para as pessoas em estado de sofrimento era de uma rejeição natural, posto que atribuíssem ao estado de sofrimento um desagrado de Deus (lembrem de Jó). Quantas vezes viramos o olhar das pessoas que sofrem numa imitação da cultura Israelita. Diante desta profecia somos obrigados a rever as formas de nosso pensamento, a desonra e o sofrimento recebe transformação em honrarias e glórias.

            Oremos para que o Espírito Santo nos ilumine para entendermos com profundidade e vermos a beleza existente não só nesta profecia, mas em toda a Bíblia. Somente com a ajuda do Espírito Santo é que poderemos (através da Fé) sermos convencidos da Justiça, do pecado e do juízo. Assim teremos coragem para anunciar cada vez mais as Boas Novas. Ouvimos dizer sempre que “ Deus não escolhe os capacitados, que capacita os escolhidos”, mas que isto não sirva de desculpas para não vencermos a preguiça intelectual que nos impede de ler a Bíblia, de fazer um curso de teologia ou até mesmo de participar da Escola Bíblica de nossas igrejas. Somente com conhecimento deixaremos de sofrer e saberemos reconhecer as falsas profecias.




            Graça e Paz!



[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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