domingo, 24 de janeiro de 2016

Dicotomistas ou Tricotomistas: Uma breve análise desta não tão importante disputa teológica.






Dicotomistas ou Tricotomistas:  Uma breve análise desta não tão importante disputa teológica.
Jonas Dias de Souza[1]

Existem algumas discussões no campo teológico que perduram por muitos anos. Não se chega a um denominador comum e volta e meia surgem defensores de um ou outro ramo do pensar. Não queremos “colocar lenha na fogueira” a respeito desta divisão, mas elucidar o que vem a ser o significado destes vocábulos.
Quando lemos os Evangelhos sinóticos, vemos que o corpo é um ponto em comum nestas duas doutrinas. Em Mateus 27.50, “E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.”  Em Lucas 15.37, “E Jesus, dando um grande brado expirou.”  Em João 19.30, “ E quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.”  Ora, como ouso afirmar, que o corpo é ponto em comum nestas duas vertentes de pensamento, com passagens bíblicas que falam de outra composição humana?
Porque a parte material é indiscutível. O Corpo humano por ser visto, palpável e sentido, não apresenta nesta questão muito que se discutir. Mas aquilo que não podemos ver é que movimenta os neurônios de muitos.
Recorreremos ao Dicionário de Almeida para vermos a definição de ALMA: “A parte não-material e imortal do ser humano, sede da consciência própria, da razão, dos sentimentos e das emoções.” O léxico de Almeida nos direciona para lermos Mateus 10.28, que diz assim: “E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma;”. Mas, o mesmo dicionário define ESPÍRITO como sendo, “ A parte não-material, racional e inteligente do ser humano”.  Os dicotomistas acreditam que são sinônimos, alma e espírito. Os tricotomistas acreditam que alma e espírito sejam diferentes. Podemos usar a definição de Almeida para apoiar as duas teorias. Se tomarmos a definição somente em sua parte “não-material”, teremos que pender para os dicotomistas. Se tomarmos a definição em sua parte “emoção e razão” encontraremos funções diferentes, apoiando a teoria tricotomistas.
O que fazer então? Existe uma frase que o senso comum aplica para questões de somenos importância: “Procurar pêlo em ovo”.  Traduz a impossibilidade de se chegar a um denominador comum sem tirar das partes a razão que lhe cabe. Ou seja, enquanto se discute questões teológicas, as almas ou os espíritos vão perecendo por falta de ouvir o essencial e o indispensável: CRISTO SALVA, CURA, LIBERTA, BATIZA COM O ESPÍRITO SANTO E LEVA PARA O CÉU.  Não digo com isto que não devemos nos posicionar e argumentar sobre as questões propostas pela teologia. O que afirmo é que não podemos perder de vista a missão principal do Evangelho que é pregar as Boas Novas, pregar sobre a possibilidade de perdermos as nossas almas. Quando continuamos a leitura de Mateus, vemos  a continuação do destino da alma “ temei, antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo.”
Os dicotomistas compreendem que o homem é formado por corpo e alma. Os tricotomistas acreditam que o homem é composto por corpo, alma e espírito.  E ambos acreditam que o único caminho para o céu é Jesus.  Reside nisto a essência de ser cristão.  A antropologia não pode tomar o lugar da pregação do Evangelho. Embora deva ser estudada. O candidato a teólogo não pode se furtar de estudar a antropologia, até mesmo porque, a pregação e o sermão serão dirigidos aos homens.  Na Bíblia é possível encontrar apoio para as duas teorias. Mas frisamos que o essencial é que dicotomistas e tricotomistas são irmãos em Cristo, e ambos acreditam que há uma parte do ser humano que prossegue vivendo conscientemente depois da morte.  A escolha que devemos fazer é como queremos que nossa consciência fique depois da morte? Com Cristo ou sem Cristo?
Por não ser intenção fazer uma análise aprofundada do assunto segue alguns links para estudo:              Imortalidade da alm
Não se esqueçam que longe das controvérsias teológicas, a principal missão do Teólogo é a de anunciar as boas Novas. Não importa ter o anel acadêmico no dedo se a sua pregação não atinge o público que necessita de salvação. Convém guardar as discussões teológicas para os livros e deixar o altar para aquilo que de fato foi destinado. Falar da Salvação Eterna. A Salvação conduz a vida eterna. Esta provisão da Graça de Deus, faz com que os homens que aceitam a Cristo como legítimo e suficiente e único salvador (Sejam dicotomistas ou tricotomistas) tenham seus nomes escritos no livro da vida. Existem temas teológicos que servem para desperdiçar a energia do pregador. Tempo tem sido desperdiçado na defesa apaixonada de teorias teológicas e a vinda de Jesus se aproxima sem que vejamos e a anunciemos. Seria esta a afirmação de que a letra mata? Isto é outro assunto.




[1] Servo de Deus. Congrega na Igreja Assembleia de Deus Missões em São João del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com Responsabilidade. Lembre-se da máxima, o nosso direito termina onde começa o direito do outro. Além de tudo, mesmo que divergentes em opiniões, somos Cristãos.