terça-feira, 5 de janeiro de 2016

COMO VIVENCIAR A EXPERIÊNCIA DA SALVAÇÃO? UM BREVE ESTUDO DO SALMO 32.



COMO VIVENCIAR A EXPERIÊNCIA DA SALVAÇÃO? UM BREVE ESTUDO DO SALMO 32.
Jonas Dias de Souza[1]

Cremos que Cristo morreu na Cruz do calvário para resgatar-nos do pecado. Cremos na sua ressurreição ao terceiro dia. Cremos que Ele é o único caminho que leva a Deus. Por isto um dia nos decidimos em aceitá-lo como Salvador, como remidor, e uma grande maioria fez uma decisão pelo estreito caminho do Evangelho.  Após a aceitação pública (nem sempre esta é a regra), fomos discipulados e decidimos pela confissão de fé realizada publicamente. É isto mesmo, o batismo é uma confissão de fé pública realizada diante da congregação. Momento em que aceitamos as regras (doutrinas) da congregação ou denominação e as doutrinas cristãs. Inobstante a isto, a experiência de salvação não é algo que possa ser realizada de forma coletiva. A singularidade desta experiência é vivenciada unicamente pelo indivíduo. Não podemos viver a experiência alheia, podemos aprender com a experiência alheia. Os testemunhos quando fidedignos são fonte de crescimento para a igreja.
Ainda assim, existem pessoas que precisam vivenciar a
experiência da salvação. O ensino equivocado da teologia da prosperidade leva alguns a pensarem que a experiência da salvação está ligada ao iminente sucesso financeiro e nas ascensões sociais, mas a experiência da salvação é algo palpável através de ações diárias que muitas vezes não são sequer percebidas pelo crente. É também um semáforo que sinaliza o caminho a seguir na igreja local. Quando estamos vivenciando a experiência da salvação sentimos o desejo de trabalhar para Deus.  A partir do momento que aceitamos a Cristo estamos salvos, mas vivenciar a experiência é algo cotidiano. O vocábulo experiência vem da língua latina (experientia), significando experimentar. Uma prática de vida. Por isto dizemos “O pastor fulano é uma pessoa experiente.” A habilidade, a perícia, a prática adquirida no exercício de ser salvo, é a experiência de salvação. Podemos ter um crente que não vivencie a experiência de salvação? Por mais que seja dolorosa, a resposta é sim. O crente que não vivencia a experiência de salvação, é aquele que se deixou dominar pelo legalismo religioso, e para o qual, a oração e a palavra (dois sustentáculos da vida cristã) deu lugar à murmuração.
A experiência é também (no âmbito da filosofia) um conhecimento que nos é transmitido pelos sentidos, e ainda, um conjunto de conhecimentos que o indivíduo adquire através das aquisições da humanidade. Em termos cristãos temos a experiência que adquirimos a partir de nossa conversão, que são as mudanças individuais e de personalidade (morre o velho homem e nasce um novo através da água e do espírito) e a experiência coletiva através do estudo sistemático da bíblia, que ocorre com a presença na Escola Bíblica Dominical (EBD) e nos Cultos de Doutrina, que são os cultos destinados ao Ensino da Palavra de Deus. Experiência nada mais é que a experimentação. Neste caso a experiência de salvação é a experimentação consciente e racional da vida Cristã. A experiência de salvação situa-se naquele momento que chamam de “primeiro amor”. Ocorre que esta experiência é muitas vezes confundida com “entusiasmo”. Entusiasmado, o novo convertido quer participar de todos os ministérios, quer evangelizar, quer pregar, quer testemunhar. Com o passar do tempo vai ficando acomodado no seio da igreja.  Este Salmo é o Testemunho de um pecador perdoado.
VEJAMOS ESTA EXPERIÊNCIA NO SALMO 32.
 “ Bem-aventurado aquele cuja transgressão é perdoada, e cujo pecado é coberto.” (Sl 32.1)
Alcançamos um estado de bem-aventurança a partir da salvação por causa do perdão dos inúmeros pecados que nos pesavam, tal qual fardos insuportáveis. Pecados cobertos pelo sangue derramado por Cristo no madeiro.

“Bem-aventurado o homem a quem o Senhor não atribui a iniqüidade, e em cujo espírito não há dolo.” (Sl 32.2)
A bem-aventurança continua com a ação do Espírito Santo (Penhor e Herança) na vida do salvo. Já não há atribuição de dolo para esta alma.  O apóstolo Paulo faz referência a este versículo em sua carta aos Romanos (Cf Rm 4.7-8) onde ensina que a justiça divina é independente das obras.  A boa obra não salva, mas é sequencia da salvação.


 “Enquanto guardei silêncio, consumiram-se os meus ossos pelo meu bramido durante o dia todo”. (Sl 32.3)

Quando reconhecemos os nossos pecados, somos consumidos por uma grande aflição. A nossa consciência é incapaz de nos absolver por si própria. O que pode acontecer é a cauterização da consciência. Ela muda seus padrões morais e éticos para se acomodar ao pecado, mas não se sente perdoada. Ao aceitarmos a Cristo e sermos salvos, vivenciamos a experiência da confissão dos pecados. Ao confessarmos para Deus os nossos pecados, esta aflição desaparece. Alerte-se para o fato de que as conseqüências do pecado permanecem, mas o seu peso sobre a nossa alma não. Numa outra versão este versículo fala de envelhecimento dos ossos.

Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio”. (Sl 32.4)
A justiça de Deus para o pecador é descrita como uma mão pesada. O humor do pecador é como uma terra árida sem a água fertilizadora das chuvas. Não há prazer nas menores ações da vida. Somente uma vivência enfadonha. A salvação preenche este vazio que a alma sente e ressente. Esta ausência de Deus não mais terá lugar. Encontramos argumentos de que Deus é onipresente e que esta ausência não deveria existir. Contra argumentamos com o fato de que embora seja onipresente, a manifestação divina se dá em total respeito ao livre arbítrio humano, ou seja, se não permitirmos, Deus não se manifestará em nossas vidas.

  “Confessei-te o meu pecado, e a minha iniqüidade não encobri. Disse eu: Confessarei ao Senhor as minhas transgressões; e tu perdoaste a culpa do meu pecado”. (Sl 32.5)

O resultado da confissão sincera do pecado é o perdão do pecado. Este perdão é um presente de Deus. Presente que recebemos sem merecer. A escandalosa Graça de Deus alcança o pecador sem merecimento nos mais profundo pântano. Onde não penetra a luz do perdão humano, penetra a luz mais graciosa denominada salvação. (Cf Dt 9.9; Mc 2.7). Este perdão nos é dado por Jesus (At 5.31, 13.38). A abrangência do perdão é tão incomensurável, que não há transgressão que ele (perdão) não possa alcançar. Leiam Atos 3.19 e Romanos 5.20. Confiar a Deus os  nossos pecados e a nossa incapacidade de sermos fiéis, sem a ajuda do Espírito Santo. Nós confiamos a Deus a nossa intenção de abandonar o pecado e ao mesmo tempo confiamos na misericórdia divina. Caso persistamos neste pecar sem arrependimento enfrentaremos a justiça divina.

Pelo que todo aquele é piedoso ore a ti, a tempo de te poder achar; no trasbordar de muitas águas, estas e ele não chegarão”. (Sl 32.6)
A paciência de Deus é limitada. Embora sua misericórdia seja infinita, sua paciência é limitada.

Tu és o meu esconderijo; preservas-me da angústia; de alegres cânticos de livramento me cercas. (Sl 32.7)

Lembramos de outro salmo, o 91. Deus possui esconderijos destinados aos crentes fiéis. 
Encontramos aqui a importância dos cânticos (hinos de louvor), o crente que aprende os hinos, passa pela prova cantando.

Instruir-te-ei, e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; aconselhar-te-ei, tendo-te sob a minha vista. (Sl 32.8)
Os apóstolos não tinham ao alcance da mão a Bíblia com o cânon que conhecemos. Tinham escritos fragmentados em livros separados. A Bíblia é hoje a forma de ouvirmos a voz de Deus. Não deve ser utilizada como instrumento de adivinhação e nem tampouco de domínio da congregação. A experiência de salvação pode ser sentida com a leitura sistemática da Bíblia. Infelizmente os tempos modernos nos tomam tempo de dedicação à leitura da Bíblia.  Lembrar-nos-emos de usar a tecnologia a nosso favor: Bíblia em áudio, em tablets e celulares. Podemos nos deslocar ouvindo porções bíblicas nos vários formatos. Lembrando que Deus não nos perde de vista.

 Não sejais como o cavalo, nem como a mula, que não têm entendimento, cuja boca precisa de cabresto e freio; de outra forma não se sujeitarão. (Sl 32.9)

Deus não deseja que seus filhos sejam como mulas e cavalos que são guiados por freios a cabrestos. A escolha entre disciplina e castigo e entre amor e sabedoria é puramente humana. A vontade de Deus é guiar-nos em amor e sabedoria, tanto que colocou a missão de propagar o Evangelho em mãos de homens e não de anjos. Devemos evitar a cauterização de nossa consciência. Uma consciência cauterizada não percebe a presença divina ao nosso redor. Existe um hino bem antigo que diz “Ao meu redor Deus está sempre está.” Esta mensagem deve preceder o fato de que Deus se manifesta onde é permitida a sua manifestação.  O livre arbítrio humano é respeitado por Deus. Esta prova de sua manifestação sob a nossa permissão  pode ser confirmada quando lemos Jeremias 33.3. Clamamos a Deus e Ele se revela a revela coisas grandes que não sabemos. Podemos permitir que a nossa rebeldia nos impeça de ouvirmos a voz de Deus, mas não podemos impedir que sua justiça nos alcance.

 O ímpio tem muitas dores, mas aquele que confia no Senhor, a misericórdia o cerca. (Sl 32.10)

As dores que o ímpio sente, são a disciplina e o castigo do Senhor que cria oportunidade para encontrá-lo.  O livro de Provérbios ensina que “O mal perseguirá aos pecadores, mas os justos serão galardoados com o bem”. Afirmamos anteriormente que não há Evangelho sem Cruz. O crente passa por dificuldades, mas ele passa entoando cânticos de agradecimento a Deus, porque a misericórdia de Deus é escudo e fortaleza. Como Lutero escreveu: Castelo Forte é nosso Deus. Podemos manter a serenidade em meio a lutas e tempestades.

Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós justos; e cantai de júbilo, todos vós que sois retos de coração. (Sl 32.11)

Ao vivenciarmos a experiência de salvação passamos a alegrar-nos em Deus, a cantarmos de alegria e crescemos em santificação.

O salmo 32 é de gratidão, fundamentado numa experiência de arrependimento. O pecador após ser tocado pelo Espírito Santo se arrepende e ao experimentar a certeza do perdão, se torna uma Nova Criatura.





[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões Ministério São João del-Rei. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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