domingo, 31 de janeiro de 2016

BOM DIA: O QUE QUER DIZER JÓ 5:19 ? (Resposta ao Leitor)






BOM DIA: O QUE QUER DIZER JÓ 5:19 ?
Jonas Dias de Souza[1]
Neste estudo pretendemos responder a uma leitora que entrou em contato através do formulário do Blog Divulgador da Palavra. Sua pergunta é a respeito do significado da passagem bíblica Em seis angústias, te livrará; e, na sétima, o mal não te tocará” (Jó 5.19).
Existe em ensinamento dentro da Hermenêutica (dito em forma de senso comum) que “texto sem contexto é pretexto”  ou seja, o estudo isolado de qualquer versículo bíblico é uma ferramenta perigosa para o estudo bíblico. Textos isolados de seu contexto imediato ou de seu contexto remoto têm servido de base para a implantação de doutrinas desviantes dentro da seara evangélica.  Portanto, temos que situar a passagem bíblica de Jó 5.19 dentro do livro e depois dentro da Bíblia. Sabemos que o Estudo Bíblico sem a direção do Espírito Santo é algo acadêmico. Não que o estudo acadêmico seja espúrio, mas temos que nos acautelar para que nossos estudos não se limitem ao mero academicismo e deixe de lado a questão tão importante da Fé e do contexto Cristão.
SITUANDO JÓ.
O livro de Jó é o
décimo oitavo da Bíblia e é classificado como um dos livros poéticos, possui 42 capítulos, e o principal objetivo é demonstrar a soberania de Deus e o significado de uma Fé sólida e consistente (verdadeira) alicerçada na confiança de que Deus tem um propósito para as nossas vidas. Mostra ainda que, “quando nada mais restar além de Deus, Ele é suficiente”.  A Graça de Deus é o que nos basta para vivermos, independente de todas as circunstâncias adversas que encontramos diante desta jornada e desta batalha que constitui a vida. Os crentes em Cristo sabem que a vida é uma batalha contra as forças espirituais. Capacitados pelo sangue de Cristo derramado na Cruz, sabemos que com Ele somos mais que vencedores, e, portanto, após todo cenário de destruição, as bases estarão fincadas para uma reconstrução de nossas vidas.  O autor do livro de Jó é desconhecido. Já foram sugeridos: Moisés, Salomão, Eliú e outros. Assim também a data de sua composição não possui uma definição, se aceita a probabilidade de que tenha sido escrito entre os anos 2000 e 1800 a.C na Era dos Patriarcas. A localização é aceita como sendo a terra de Uz no nordeste da Palestina,  no meio de Damasco e do Rio Eufrates. O livro de Jó é tido como o primeiro livro poético da Bíblia Hebraica, sendo aceito como um dos primeiros livros da bíblia a ser escrito.  Encontramos em Jó a demonstração da missão e a forma como Satanás trabalha. Embora mais poderoso e sábio que o homem, Satanás deve submeter-se a Deus e só pode tocar nos justos com a permissão do Senhor. Satanás é limitado por Deus.  Em outras passagens bíblicas encontramos referências a Jó como sendo um personagem histórico.
Em Ezequiel: “ ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, livrariam apenas a sua alma diz o Senhor Jeová.” (Ez 14.14), e ainda, “ ainda que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, vivo eu, diz o Senhor Jeová, que nem filho nem filha eles livrariam, mas só livrariam a sua alma pela sua justiça” (Ez 14.20).
Em Tiago: “Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a  paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso.” (Tg 5.11)
O que devemos aprender ao ler o livro de Jó é que Deus conhece exatamente o motivo de cada acontecimento e devemos nos submeter à soberania divina, imitar Jó, é decidir confiar em Deus, independente do que possa acontecer. Isto é questão de Fé.
Uma das fraquezas de Jó foi tentar compreender o motivo do sofrimento que o afligia, levando-o a questionar a Deus. Mas, Jó deixa-nos a lição de que conhecer a Deus é infinitamente melhor que saber as respostas. Não servimos a um Deus arbitrário e tampouco descuidado, os acontecimentos que vemos em Jó, pode acontecer com qualquer fiel nestes tempos modernos.

A DIVISÃO DO LIVRO DE JÓ.
a)      Jó é submetido a um teste: (1.1 a 2.13) cai do ápice de uma grande riqueza e prosperidade para o fundo do poço em miséria. Sofre uma série de quatro desastres: Sequestro do gado que era uma moeda forte, morte de seus servos. Fogo dos céus levando camelos (frota de transporte na época) e um grande vento que exterminou seus filhos e filhas.
b)      Três amigos (Elifaz, Bildade e Zofar) respondem a Jó (3.1 a 31.40), temos aqui três séries de discursos.
c)      Um jovem (Eliú) entra na discussão e responde a Jó. (32.1 a 37.24)
d)      Deus responde a Jó (38.1 a 41.34)
e)      A restauração (42.1-17)

TEMAS DO LIVRO DE JÓ.
Sofrimento, Os ataques de Satanás, A Bondade de Deus, Orgulho, Confiança.

ENFIM UMA POSSÍVEL RESPOSTA PARA O QUE SIGNIFICA JÓ 5.19
O capítulo 5 é a exortação que Elifaz faz a Jó para que este busque a Deus. Elifaz era o mais velho dos três amigos (podemos deduzir porque falou primeiro), e o curioso é que seu nome significa “Deus é forte” ou “Deus é despenseiro”. Era natural de Temã, que era uma terra conhecida pelos homens sábios (ver Jeremias 49.7).  Possuía a firme convicção de que os sofrimentos pelo qual Jó estava passando era conseqüência de algum grave pecado, motivo do castigo. Seus discursos baseiam-se na experiência e na sabedoria humana, que até hoje, associam a punição às iniqüidades. Elifaz engana-se ao supor que a iniqüidade humana explica todos os sofrimentos. Existem casos (como o de Jó) que o sofrimento é um meio da vontade permissiva de Deus para que haja um fortalecimento da Fé. Sabemos que pode haver a punição nos casos de continua iniqüidade e não arrependimento. E mesmo a conversão não isenta o homem de responder para a justiça humana.
Converter-se significa mudar os rumos da vida, seja física ou espiritual. Mas os atos devem ser pagos. Tomemos como exemplo um homicida. O arrependimento o leva para os braços de Deus, mas o novo caráter advindo desta conversão deve o compelir a querer quitar sua dívida para com a justiça dos homens.  O engano de Elifaz reside na tentativa de explicara as ações divinas, ele explica o caso de Jó como sendo um castigo pelos pecados. Quantas vezes temos sido assim? Pessoas que buscam conforto com conversas com os líderes, com os dirigentes e aconselhadores cristãos e recebem explicações simplistas. Saem com um fardo maior do que entraram. É mais fácil colocar as explicações para os problemas no pecado, na falta de fé, do que procurar orar para buscar uma compreensão espiritual verdadeira do que está acontecendo. 
“Porque ele faz a chaga, e ele mesmo a liga, ele fere, e as suas mãos curam. Em seis angústias te livrará; e, na sétima, o mal não te tocará. Na fome, te livrará da morte; e, na guerra, da violência da espada. Do açoite da língua estarás abrigado; e não temerás a assolação, quando vier. Da assolação e da fome te rirás, e os animais da terra não temerás.” (Jó 5.18-22)
Segundo a fala de Elifaz, Deus é o responsável pela dor e pelo bálsamo. Deus curaria a chaga provocada por ele como disciplina. Podemos perguntar, e se a chaga não for conseqüência do pecado, como a de Jó?  
Associações de Jó 5.19
Porque sete vezes cairá o justo e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal. (Provérbios 24.16)
Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (1 Coríntios 10.13)
            O RISCO DA PASSAGEM ISOLADA
             Ao lermos a passagem isolada de Jó 5.19 tendemos a nos tornar “supercrentes”. Há um perigo a frente, o melhor é nos desviar dele. Deus pode livrar o crente não de sete, mas de milhares de perigo. Contudo, é imprescindível que o crente tenha cautela e evite estes perigos, de forma a não colocar-se como “tentando o Senhor”. A armadura de Deus é conseguida através do jejum e da Oração. Existem dois sustentáculos, que são a ORAÇÃO E A PALAVRA. Orai sem cessar e também estudar a Bíblia, seja através da Escola Bíblica Dominical ou nos cultos de ensinamento (lamentavelmente vivemos uma época de igrejas que não priorizam isto) é uma forma de crescer e se fortalecer espiritualmente.  O contexto do discurso de Elifaz, deve ser visto no sentido de que devemos esperar no Senhor, a exemplo do Salmo 46.10.
            O equívoco de Elifaz, está no fato dele pensar que Deus elimina todas as lutas da vida do justo. O fato de seguirmos a Deus, de termos uma íntima comunhão com Ele, de termos um comportamento Cristão exemplar, não é sinônimo de que as lutas não virão. Este tipo de pensamento, prega um Evangelho sem Cruz. Assim como Jó foi condenado por seus amigos, que lhe forneceram repostas incompletas para seu sofrimento, temos hoje pessoas que também recebem respostas incompletas dos homens, quando trocam a confiança em Deus por outras formas.  A natureza humana possui arraigada a condição de culpar as pessoas pelos seus  sofrimentos, porém as lutas não são (nem sempre são) culpas das pessoas, não cabe a nós (homens) julgarmos.
            “Em seis angústias te livrará...” O tempo determinado por Deus para sofrermos não se prolongará de forma indefinida, podemos crescer em meio às lutas e às tempestades. Deus se faz ouvir em meio ás tormentas. Para tanto, devemos aceitar a Cristo como Salvador, pois Ele é o único mediador entre Deus e a Humanidade.  Independente de ser o sofrimento oriundo do pecado (não era o caso de Jó) ou uma permissão de Deus para nos fazer aproximar, a sua potente voz pode ser ouvida, desde que apuremos os nossos ouvidos através de uma vida de santificação. Quando pensamos que já fomos livrados o suficiente, percebemos que a provisão da misericórdia de Deus é infinita.
            Elifaz mostra a visão moralista que alguns aplicam à salvação, se esquecem que a Graça de Deus é um escândalo pois atinge indistintamente a todos que se entregam a Cristo. Elifaz em seu discurso mostra o dogmatismo que impera em muitas igrejas. Não só Elifaz, mas todos os amigos buscaram uma explicação fácil e simplista para o sofrimento, colocando a fórmula causa e efeito.
           



[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

2 comentários:

  1. Muito bom. Embora a Bíblia contenha muitas e preciosas promessas, necessário é que se faça bom uso da exegese e da hermenêutica, analisando cada passagem, dentro de seu contexto (textual, politico, religioso, econômico, situacional etc). O uso de passagens e/ou perícopes sem a devida observância dos itens -de interpretação tem trazido muito prejuízo para a obra de Deus. Paulo em Atos 20:28-30 já alertava sobre lobos devoradores que não poupariam o rebanho, distorcendo a palavra de Deus. Inobstante o acima referido, Elifaz não citou nenhuma inverdade, quanto ao agir e à misericórdia de Deus, principalmente no que tange às vezes em que Deus nos corrige. Atribuir a Deus, todavia, toda causa de luta e desgraça e afirmar que só passamos por tribulação devido aos nossos pecados é anular a graça e a misericórdia de Deus e dizer que Deus não tem cuidados dos seus. Fique na paz do Senhor, e que Deus continue te abençoando, dando-te a a graça para continuar com esses artigos maravilhosos.

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    1. Obrigado pelo comentário. Fique na Paz do Senhor Jesus Cristo e sinta-se a vontade para nos ajudar com a divulgação nas suas redes sociais.
      (Jonas Dias

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