segunda-feira, 8 de junho de 2015

A relação entre o Projeto Político Pedagógico e a Igreja Cristã: Breve reflexão.




A relação entre o Projeto Político Pedagógico e a Igreja Cristã: Breve reflexão.
Jonas Dias de Souza[1]
“O PPP é para escolas seculares, qual a relação dele com a escola bíblica? Eu usei muito o material da CPAD quando era professora de escola bíblica, é muito bom.”

A pergunta acima partiu de um comentário realizado por uma leitora na página do facebook. Concordamos com a afirmação de que o material das CPAD é excelente e passamos a responder. Reconheço antes que no artigo “Como impulsionar seu Ministério?” faltou a sensibilidade deste articulista em descrever o que seria um Projeto Político Pedagógico (PPP), ocorre que o ponto de partida considerou que as pessoas envolvidas com a Educação Cristã via Escola Bíblica Dominical (EBD), já tivesse em mente a idéia do PPP.
Consertaremos esta falha discorrendo sobre o PPP. O Projeto político pedagógico objetiva identificar e definir a
identidade da Escola e ao mesmo tempo indicar os caminhos e metas para podermos ensinar com qualidade. Chamamos de projeto porque ele será planejado e executado dentro de um período de tempo. Podemos até ter um Projeto que contemple alguns anos, mas não teremos um projeto que dure indefinidamente. É Político, porque o ambiente escolar é um espaço de formação política de cidadãos, assim como é a igreja. Vemos uma constante preocupação com a conversão, mas não sentimos (com raríssimas exceções) a preocupação em educar estes novos convertidos. Sabemos que não há diferença entre irmãos, mas um professor de EBD  que capacita trinta novos convertidos para evangelizar contribui sobremaneira para o crescimento do rebanho. No entanto temos sentido a negligência nesta área em várias denominações. As anomalias vislumbradas nas redes sociais e de televisão, em que amuletos são vendidos por igrejas, pode ser por exemplo, alvo de estudos dentro de um assunto inserido no Plano Pedagógico de combate às heresias.
Existem queixas a respeito da ausência nas Escolas Dominicais. Mas, o que de fato está sendo feito para incentivar a participação e a assiduidade?
Quando vemos a Educação Religiosa à luz da 9394/96 ou Lei de Diretrizes e Bases (LDB), temos em seu bojo:
Art. 33 O ensino religioso, de matrícula facultativa, constitui disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental, sendo oferecido, sem ônus para os cofres públicos, de acordo com preferências manifestadas pelo aluno ou por seus responsáveis, em caráter:
I  confessional, de acordo com a opção religiosa do aluno ou do responsável, ministrado por professores ou orientadores religiosos preparados e credenciados pelas respectivas igrejas ou entidades religiosas; ou
II interconfessional, resultante de acordo entre as diversas entidades religiosas, que se responsabilizarão pela elaboração do respectivo programa.
Ora, se há preocupação em realizar um programa na Escola Secular, porque não havê-lo nas igrejas? Por acaso são públicos distintos? A resposta a esta segunda pergunta é um sonoro NÃO. O público da escola secular tem entre suas fileiras cristãos, filhos de cristãos e um público potencial para a evangelização. Portanto precisamos com urgência tratar da inteligência deste artigo à luz dos interesses missionários da Igreja Cristã. Sabemos que a lei 9475/97 regulamentou este artigo, e vedou “toda forma de proselitismo”, mas também trouxe que “§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil, constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a definição dos conteúdos do ensino religioso."[2] Quando houve esta consulta em nossa cidade (São João Del-Rei/MG)? O problema é que nos preocupamos em cumprir o IDE, mas não nos preocupamos em cumprir o IDE de forma educacional. Não basta conversões, é preciso educação religiosa ao convertido, de acordo com as doutrinas de cada denominação: Presbiteriana, Batista, Metodista, Assembleiana, etc. Pensar educação religiosa, inclui trabalhar dentro do PPP, a apologética, a homilética, e preparar professores, pregadores e administradores da Igreja. “Segundo especialistas, a elaboração do projeto político-pedagógico precisa contemplar a missão, a clientela, dados sobre aprendizagem, relação com as famílias, recursos, diretrizes pedagógicas, plano de ação da escola.”[3]  
Vejamos então a adequação a realidade da igreja:
Missão: Pregar o evangelho em todo mundo conforme a Grande comissão. Levar a Boa Nova de Salvação aos perdidos. Evangelizar. Fazer Missões.
Clientela: Nos primeiros momentos Novos Convertidos e posteriormente alunos de Escola Bíblica. Mais tardes, “Crentes antigos” (Velhos na Fé) que tendem a esquecer o primeiro amor. Ovelhas obesas dão tanto trabalho quanto ovelhas raquíticas.
Dados sobre a aprendizagem: Como está acontecendo a aprendizagem nas escolas bíblicas? Está havendo absenteísmo? Pouca participação por qual motivo? Classes numerosas? Ambientes adequados e logística existem?
Relação com as famílias: ocorre muitas vezes de uma pessoa aceitar a Cristo e ser rejeitada pelos familiares. Como a igreja está atuando? Está apoiando este conservo que sofre?
E seguimos:
Recursos. Planos de ação para Escola Bíblica de Férias. Metodologias de Ensino. Enfim, a espaço para o PPP nas igrejas e há uma necessidade de termos uma Escola Bíblica que seja de verdade uma Escola Bíblica, e não uma simples reunião dominical. 
Que tipo de pessoa pretendemos formar?

LEIA TAMBÉM: Modelo de um Projeto Politico Pedagógico.






[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD. Pós Graduando em Ciências da Religião pela UCAM.
[2] Disponível em http://www.leidireto.com.br/lei-9475.html acesso em 08/06/2015

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