domingo, 22 de março de 2015

O que Jesus ensinou aos discípulos no caminho de Emaús?






O que Jesus ensinou aos discípulos no caminho de Emaús?
Jonas Dias de Souza[1]
               
Nós temos no Livro de Lucas (o 3º Evangelho) a passagem em que Jesus ressuscitado aparece a dois de seus discípulos que seguiam de Jerusalém para Emaús.  Estes dois aprendizes iam conversando entre si sobre as coisas que haviam se sucedido. Sabemos que foram dias frenéticos, de grande agitação, em que houve a prisão e a crucificação de Jesus. Os discípulos se dispersaram, e estes dois concentraram-se em suas decepções e em seus problemas, desejosos de voltar  para a segurança da aldeia.
  E eis que no mesmo dia iam dois deles para uma aldeia, que distava de jerusalém sessenta estádios, cujo nome era Emaús. E iam falando entre si de tudo aquilo que havia sucedido. E aconteceu que, indo eles falando entre si, e fazendo perguntas um ao outro, o mesmo Jesus se aproximou, e ia com eles.
Mas os olhos deles estavam como que fechados, para que o não conhecessem. E ele lhes disse: Que palavras são essas que, caminhando, trocais entre vós, e por que estais tristes? E, respondendo um, cujo nome era Cléopas, disse-lhe: És tu só peregrino em Jerusalém, e não sabes as coisas que nela têm sucedido nestes dias? E ele lhes perguntou: Quais? E eles lhe disseram: As que dizem respeito a Jesus Nazareno, que foi homem profeta, poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo; E como os principais dos sacerdotes e os nossos príncipes o entregaram à condenação de morte, e o crucificaram. E nós esperávamos que fosse ele o que remisse Israel; mas agora, sobre tudo isso, é já hoje o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram. É verdade que também algumas mulheres dentre nós nos maravilharam, as quais de madrugada foram ao sepulcro; E, não achando o seu corpo, voltaram, dizendo que também tinham visto uma visão de anjos, que dizem que ele vive. E alguns dos que estavam conosco foram ao sepulcro, e acharam ser assim como as mulheres haviam dito; porém, a ele não o viram. E ele lhes disse: Ó néscios, e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura não convinha que o Cristo padecesse estas coisas e entrasse na sua glória? E, começando por Moisés, e por todos os profetas, explicava-lhes o que dele se achava em todas as Escrituras. E chegaram à aldeia para onde iam, e ele fez como quem ia para mais longe. E eles o constrangeram, dizendo: Fica conosco, porque já é tarde, e já declinou o dia. E entrou para ficar com eles. E aconteceu que, estando com eles à mesa, tomando o pão, o abençoou e partiu-o, e lho deu. Abriram-se-lhes então os olhos, e o conheceram, e ele desapareceu-lhes. E disseram um para o outro: Porventura não ardia em nós o nosso coração quando, pelo caminho, nos falava, e quando nos abria as Escrituras? (Lucas 24. 13-32)

Um estádio media cerca de 180 metros.  Lucas nos fala que Jerusalém e Emaús distavam entre si cerca de 60 estádios, o que dá cerca de 10.800 metros.  Caminhar mais de dez quilômetros, com o coração cheio de desesperança e amargura, não é uma tarefa fácil para o homem. Quando aprofundamos na reflexão, vemos que aqueles discípulos estavam indo em sentido contrário aos demais seguidores de Jesus. Enquanto os outros permaneciam em Jerusalém, em comunhão e enfrentando juntos as dificuldades, estes dois, como que se desgarraram. No plano pessoal, quando nos afundamos em nossos problemas particulares, temos a tendência de esquecer nossos amigos. A vida congregacional é desta maneira, encontramos tragédias que somente aconteceram, porque seus atores não participaram a igreja o que estava acontecendo. A ressurreição não foi algo que aconteceu sorrateiramente, com certeza ela deve ter causado um estardalhaço, e estes dois que seguiam para Emaús haviam ouvido falar a notícia. O problema de afundarmos em nossos problemas é que na maioria das vezes ficamos cegos para o que acontece em nossa volta. Falta ler o ambiente. No combate militar, chamamos isto de visão em túnel. Ou seja, não se vislumbra o que acontece à nossa volta.
            Podemos perguntar por que Jesus foi até aqueles dois discípulos? Devemos lembrar que Jesus não perdeu nenhuma de suas ovelhas. E o resgate daqueles dois eram tão importante quanto os do que ficaram em Jerusalém. O fato é que Jesus ressuscitado apareceu no caminho de Emaús e não foi reconhecido no primeiro momento. A Bíblia não fala em que momento Ele apareceu, mas pelo desenrolar e concluir da passagem, podemos inferir que a caminhada deve ter durado umas boas horas, pois chegaram no “declinar do dia”.
O que Jesus falou aos discípulos? Jesus dá uma aula sobre o Antigo Testamento para aqueles dois. Começou por Moisés e passeou por “todos os profetas”. E em toda a escritura encontramos sobre Jesus.
“Depois de dois seguidores explicarem a sua tristeza e confusão, Jesus respondeu citando as Escrituras e aplicando-as a seu ministério. Quando estivermos confusos pelas perguntas ou problemas, também poderemos encontrar o supremo auxílio nas Escrituras. Se nós, como aqueles dois discípulos, não entendermos o que Deus por meio de sua palavra quer dizer a nós, podemos procurar outros cristãos que conheçam a Bíblia e que tenham sabedoria necessária para aplicá-la à nossa situação.” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal)
O que apresentaremos agora são passagens do AT que já anunciavam que Jesus viria, e que pode muito bem ter sido a tônica da pregação de Cristo a seus discípulos.
Bem no inicio da Bíblia temos uma promessa messiânica. A primeira referência a Jesus cristo, encontra-se em Gênesis: “E porei inimizade entre ti e a mulher e entre a tua semente e a sua semente, esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar.” (Gn 3.15) Sabemos que satanás é nosso inimigo desde os primórdios. Ele nos induz a seguir uma trilha cheia de perigos, e para isto envidará todos os esforços necessários. Inúmeras vezes tentou impor uma derrota a Cristo aqui na terra. Mas a ressurreição de Cristo foi a ferida na cabeça.
Veja bem:
Uma mordida no calcanhar não se revela mortal, já o ferimento na cabeça sim. Cristo esmagou a cabeça da serpente. Vale observar que esta pregação que temos ouvido em que pastores chamam crentes para pisar na cabeça da serpente, se mostra desprovida de doutrina bíblica. Esta primazia coube a Jesus cristo.
Se quiser saber sobre o plano de satanás, recomendo ler o artigo que publicamos neste blog. http://divulgadordapalavra.blogspot.com.br/2014/07/17-obras-que-o-diabo-faz-para-te.html
Quem sabe a conversa girou em torno do Servo Sofredor, que pode ser encontrado na
Descrição do profeta Isaías.
“QUEM deu crédito à nossa pregação? E a quem se manifestou o braço do SENHOR?  Porque foi subindo como renovo perante ele, e como raiz de uma terra seca; não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos.  Era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens, homem de dores, e experimentado nos trabalhos; e, como um de quem os homens escondiam o rosto, era desprezado, e não fizemos dele caso algum.  Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.  Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. 
Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos.
  Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.  Da opressão e do juízo foi tirado; e quem contará o tempo da sua vida? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; pela transgressão do meu povo ele foi atingido.  E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca.  Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão.  Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si.  Por isso lhe darei a parte de muitos, e com os poderosos repartirá ele o despojo; porquanto derramou a sua alma na morte, e foi contado com os transgressores; mas ele levou sobre si o pecado de muitos, e intercedeu pelos transgressores.” (Isaías 53)
Os discípulos vivenciaram toda esta profecia. Provavelmente acompanharam o sofrimento, a tortura e a crucificação. Deus escolheu um servo humilde e sofredor para redimir a humanidade. Não escolheu um rei em sua majestade. Jesus não atraiu seus seguidores baseado em sua aparência. Esta profecia é tida como escrita cerca de 681 a.C.
Das profecias messiânicas, a de Isaías é a que mais detalhada descreve o cenário que aconteceria cerca de seiscentos anos depois. Jesus seria levantado no madeiro para que nós pudéssemos ficar livres do jugo da lei. Quando o véu do Templo se rasgou de alto a baixo (Mt 27:51) foi autorizado a nós (homens) nos ajoelharmos diante da presença de Deus. Para esta compreensão do véu se rasgando, devemos lembrar que o Templo era composto por Átrio, Lugar Santo, e o Sanctus Sanctorum ou Lugar Santíssimo. Neste último, somente o Sumo Sacerdote podia entrar.  A partir da consumação vicária, os homens podem contar com Jesus cristo que é o Sumo Sacerdote eterno e em nome dele podemos nos chegar a Deus. E se ao chegarmos a Deus e não soubermos do que falar,temos o Espírito Santo que se encarrega de traduzir a nossa fala. É por isto que diante de uma angústia enorme para os padrões humanos, quando nos falta as palavras, e somente saem de nossas gargantas gemidos ininteligíveis ou inexprimíveis, o Espírito Santo traduz para Deus aquilo que precisamos.
            Uma das passagens que Jesus ensinou foi sobre o servo traspassado. “Naquele dia será grande o pranto em Jerusalém, como o pranto de Hadade-Rimom[2] no vale de Megido.” (Zacarias 12.10).  Se lembrarmos que o Espírito Santo foi mandado depois da ascensão de Jesus, entenderemos o motivo de sua aparição aos discípulos de Emaús. Recorrendo ainda ao livro de Zacarias: “E sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém derramarei o Espírito de graça e de súplicas; e olharão para mim, a quem transpassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito; e chorarão amargamente por ele, como se chora amargamente pelo primogênito.” (Zc 12.10)
Jesus cumpriu a missão que hoje é cumprida pelo Espírito Santo, ou seja, a de consolar aquelas ovelhas que estão desgarradas. Lembramos também da Mensagem do Profeta Malaquias: “Eis que eu envio o meu anjo, que preparará o caminho diante de mim; e de repente, virá ao seu templo o Senhor, a quem vós buscais, o anjo do concerto, a quem vós desejais; eis que vem, diz o SENHOR  dos exércitos.” (Ml3.1)
Sabemos que Cristo é encontrado em toda a Bíblia. Não há um livro que não encontre referência a Jesus (O Messias).
Indicamos como leitura:
Gênesis 3.12; Salmos 22; 69; 110; Jeremias 31.
Lembramos ainda que houve outras aparições de Jesus aos seus discípulos. De fato, Ele não permitiu que nenhum deles se perdesse. Apareceu a Pedro, aos doze e foi visto mais de quinhentos irmãos.
Bibliografia:
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. [Livro]. - São Paulo : [s.n.], 2003.
biblia.com.br [Online]. - 2 de Setembro de 2014. - 2 de Setembro de 2014. - : http://biblia.com.br/joao-ferreira-almeida-atualizada/atos/atos-capitulo-16/ .
Bruce F.F. Comentário Bíblico NVI [Livro]. - São Paulo : Vida, 2008.






[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João del-Rei/MG. Pós Graduando em Ciências da Religião pela UCAM. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.
[2] Hadade-Rimom poderia se referir ao lugar que está situado nas proximidades do vale de Megido, onde o rei Josias foi morto, cujo falecimento foi muito lamentado por seu povo. (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, 2003)

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comente com Responsabilidade. Lembre-se da máxima, o nosso direito termina onde começa o direito do outro. Além de tudo, mesmo que divergentes em opiniões, somos Cristãos.