domingo, 1 de fevereiro de 2015

CONSIDERAÇÕES SOBRE A SALVAÇÃO.








CONSIDERAÇÕES SOBRE A SALVAÇÃO.
Jonas Dias de Souza[1]

A premissa maior da crença cristã é o resgate (salvação) ou propiciação que Jesus proporcionou aos pecadores com seu sacrifício na cruz no Gólgota.  Salvação e ressurreição são assim os pilares sobre os quais se sustentam a Fé em Deus (o Grande Eu Sou) e em seu filho Jesus Cristo, e no Espírito Santo. Enquanto crentes em Cristo precisamos compreender o processo de salvação. Deve existir um quê de razão acompanhando a nossa fé. Um dos pais da Igreja, Agostinho de Hipona (Teólogo Latino 354-430), disse que devemos compreender para crer e crer para compreender.  Refletindo nesta afirmação Agostiniana, entendemos o motivo de haver tantos exploradores da Fé alheia. Muitos querem crer, mas possuem uma preguiça intelectual que os impede de ler a Bíblia. Se estudassem a Sã Doutrina em uma igreja séria e comprometida com a verdade, não seriam explorados. Mas uma infinidade de pessoas preferem
a Bíblia em pequenas porções aos domingos, do que dedicarem-se a um estudo aprofundado e guiado pelo Espírito Santo de Deus, das verdades contida em sua palavra ( a Bíblia Sagrada).
A Trindade (embora a palavra não venha expressa na Bíblia) tem uma missão que cada um dá cumprimento no tempo certo escolhido por Deus. A missão que coube ao filho inicialmente foi a de cumprir a lei totalmente e mesmo assim ser dado por resgate de muitos. A Bíblia nos ensina que através de um Homem (Adão) o pecado encontrou guarida no seio da humanidade. E através de um Homem (Jesus Cristo) foi realizado a justificação. Mas a missão do filho de Deus, não aconteceria se Deus não tivesse um amor incomensurável por sua criação.
Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16)
            Não há como medir o amor, e tampouco a justiça de Deus.  A justiça precisava ser satisfeita, para que a mancha proporcionada pelo pecado fosse apagada. Como um Juiz amoroso que julgou de forma imparcial, Deus enviou um que fosse capaz de cumprir a missão e resgatar aqueles que estavam perdidos. Contudo,  a exigência para receber esta justificação é crer no filho. Este amor (agape) é o motivo pelo qual, o mundo outrora alienado e condenado pode agora optar pela vida eterna. Quando dizemos “optar” é porque Deus respeita o livre arbítrio que é inerente aos homens. Portanto não há uma crença forçada, senão uma vontade exercida pela livre vontade do homem, em crendo na Cruz, se aproximar de Deus. A cruz não veio para condenar a humanidade, mas para salvá-la. Mas cabe a cada um aceitar ou não este resgate. Após o sacrifício salvífico, temos um porto onde ancorar o nosso barco que estava sujeito às intempéries da vida sem Deus e sem salvação.
Porquanto Deus enviou o seu filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. (João 3.17)
            Há um episódio no Antigo Testamento (AT) que ilustra o que aconteceria com o soerguimento da Cruz. Moisés levanta uma serpente para que pela Fé, os que eram picados pelas serpentes se curassem. Assim ocorreu com a cruz. O Cristo crucificado, somente pode ser visto pela Fé. A vida celestial é dada ao crente, após reconhecimento de Jesus como substituto sacrificial. Isto considerado, podemos tecer algumas considerações sobre os aspectos da salvação.

        1)      SUA FORÇA MOTRIZ.
A força que levou o inicio do plano de salvação foi o amor que Deus nutre pela sua criação.  A humanidade herdou de Adão uma natureza corrompida pela desobediência, induzida pelo seu inimigo (da humanidade) Satanás.  Chamado de Príncipe deste Mundo, ele deseja construir um reino com as criaturas que Deus criou. Por isto o ataque que até hoje o mundo sofre. Contudo, o amos de Deus é muito maior. Temos que ter cuidados com explicações que dizem que o sacrifício de Jesus visava pagar o Diabo. Isto não é biblicamente correto. O sacrifício de Cristo visava satisfazer a Justiça Divina. Justiça esta que foi colocada em ação pela Força Motriz que é o amor de Deus. Um alerta dever ser feito. O propósito principal de Cristo é a Salvação, mas, homens que amam mais o mundo e o pecado não escapam da justiça proporcionada pela Luz. 
Aliança da graça. As partes eram Deus e o homem através do Senhor Jesus Cristo, ou talvez melhor, Deus, Jesus Cristo e os homens à medida que estes se tornam unidos  a Cristo através da fé nele. Este conceito de aliança da graça entre o Pai e o Filho em que a salvação é oferecida aos pecadores pode ser encontrado em Efésios 1.3-6, onde está escrito que Deus nos escolheu em Cristo antes da fundação do mundo. Veja também 2 Timóteo 1.9; Tito 1.2; João 3,17; 17.4-10,2124. A condição é, novamente, a fé salvadora, expressa no AT por atos de fé como os de Abel (Hb 11.4), Abraão e Davi (Rm 4.3,6-8), e pela aceitação de Jesus Cristo como revelado no NT. Os resultados são a vida eterna para os crentes, e a condenação eterna para aqueles que não crêem. (Pfeiffer)
       2)      O INICIADOR. 
A iniciativa da Salvação partiu de Deus. Se o criador, não sentisse amor por sua criação, Ele simplesmente a deixaria com a opção que foi feita. E nós por herança, teríamos a corrupção, sem forma de escapar.  A Graça divina nos alcançou pela iniciativa de Deus. Quando lemos que Ele nos escolheu, entendemos que esta escolha aconteceu sem que tivéssemos qualquer mérito. Os recipientes da graça (homens) não a mereciam, mas ainda assim, a graça foi dada por Deus, por intermédio de Jesus Cristo. 
Bendito Deus e Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos tem abençoado com toda a sorte de benção espiritual nas regiões celestiais em Cristo, assim como nos escolheu, nele, antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade, para louvor da Glória da sua graça, que ele nos concedeu gratuitamente no amado, (...) (Efésios 1. 1-6)

    Deus, na fundação do mundo, considerada a sua onisciência, escolheu-nos, para sermos recebedores de sua graça. Não há dificuldade em entender. Imagine que você escolha alguém para receber um presente. Você decidiu que irá dar um presente, mas a escolha sobre aceitar ou não, é exclusividade da pessoa escolhida. Deus deseja que nos reunamos com Ele, mas o livre arbítrio é respeitado. Como homens, não temos a capacidade de aproximar de Deus, sem que Ele dê um passo em nossa direção. Este passo foi dado no momento em que Jesus cristo foi destinado a ser o nosso substituto.  Quando o homem escolhe rejeitar a Cristo como seu legítimo e suficiente salvador, ele escolhe levar uma vida sem Deus. Ora, isto é rejeitar a culpa imposta pelo pecado. “Aquele que aceita a Cristo, reconhece sua pecaminosidade. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e purificar de toda injustiça.” ( 1 João 1.9)
      3)      O MEDIADOR

Jesus Cristo foi eleito o mediador entre a humanidade perdida no pecado e Deus. Aliás, Jesus é o único mediador. Ouvimos de forma equivocada a afirmação de que “Todos os caminhos levam a Deus”. Isto é mentira. Cristo é O CAMINHO e não um dos caminhos. O filho unigênito foi dado como sacrifício substitutivo para que nós, por seu intermédio nos aproximássemos de Deus. “No momento da morte do Senhor Jesus Cristo, o véu do templo de Herodes foi rasgado de cima abaixo e o lugar santíssimo ficou exposto (Mt 27.51; Mc 15.38; Lc 23,45).” (Pfeiffer)
O papel desempenhado por Jesus cristo foi de advogado. Perante o Tribunal de Deus, a humanidade foi condenada pela desobediência do primeiro Adão. Foi necessário que o segundo Adão (Cristo) advogasse a nossa causa e se oferecesse como sacrifício vivo, perfeito em nosso lugar. Para a nossa salvação foi que se ofereceu.


Ao mesmo tempo, se alguém comete um pecado, conta com um “Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2,1). Para compreender o que João quer dizer, devemos entender que ele também tinha um adversário que constantemente se apresentava para acusá-lo perante Deus, o próprio Satanás (cf Zc 3.17; Jó 1.6-12; 2.1-7; Ap 12.10). No trabalho de Cristo como Advogado, Ele pleiteia sua própria expiação para perdoar os pecados dos crentes e defendê-los contra os ataques de Satanás perante Deus. (Pfeiffer)
                Quando cremos que Jesus é o caminho, a verdade e a vida. Quando cremos que Ele morreu para nos salvar. Quando cremos nele e o aceitamos como salvador. Passamos a reconhecer que os nossos  pecados nos separavam de Deus. A partir deste momento podemos contar com um advogado.  Aquele que crê em Cristo não será julgado. “Quem nele crê não será julgado; o que não crê não está julgado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3. 18). Para melhor compreensão, recomenda-se a leitura de 1 Timóteo, especialmente os capítulos 2 e 5.

Para Paulo, Jesus Cristo é o mediador da resposta divina ao pecado, o locus da justificação do pecador. Em Cristo, Deus conduz as pessoas ao mundo novo do Espírito, mas até a consumação de todas as coisas a vida nova continua em meio a um mundo velho e agonizante, onde a fraqueza e a corrupção, o pecado e a morte (ver Vida) ainda atacam os fiéis (Rm 7). O constante e insistente chamado paulino à santificação é antídoto divino para a hostilidade e o poder contínuos do pecado. (Hawtorne, et al., 1993)
            4)       O DESTINATÁRIO DA SALVAÇÃO.
          Por mundo, entendemos que a humanidade é a grande destinatária da salvação. Simbolicamente o mundo é formado por aqueles que ainda não reconheceram a soberania de Cristo sobre suas vidas. Estão, portanto, sob a influência da carne. É preciso entender que a existência humana possui dois modos de ser (dentro do ponto de vista cristão) a carne e o espírito. O homem espiritual consegue discernir, entender coisas que o homem natural não compreende. Hoje uma das principais formas de escravização que o mundo exerce sobre os homens que lhe são afetos é a idolatria. Idolatria possui um entendimento muito maior do que o culto que se presta às imagens representativas de divindades. Mas até em meio aos crentes pode ocorrer a substituição da Glória de Deus por outras coisas. Este mundo, formado por homens destituídos da Glória de Deus (por herança Adâmica) é o destinatário da salvação. Contudo, nem todos, acreditarão na propiciação por meio de Cristo.


O mundo caído. O pecado entrou no kosmos quando Adão, seguindo a liderança de Satanás, descreu em Deus e se rebelou. A partir daquele momento, os irregenerados são filhos de Satanás (Jo 8.44), e só podem se tornar filhos de Deus através do novo nascimento (Jo 3.3-7). Assim, o termo “mundo” designa,com muita frequência, a humanidade como um todo em rebelião contra Deus, e destinada ao juízo. (Pfeiffer)
                O mundo é comumente o termo que designa os homens que estão separados de Deus.  Aos olhos das leis sociais, não constituem a pior espécie de homens. O mundo possui uma infinidade de homens que são moralmente e eticamente pessoas boas, retas e probas. Mas em se tratando de pecado, estão aos olhos de Deus condenadas, pelo fato de não aceitarem a seu filho como mediador da salvação, por Ele destinada. “O que é nascido da carne é carne; e o que é nascido do Espírito, é espírito.” (João 3.6)
O homem natural não será herdeiro da vida sobrenatural, se não se converter. A conversão vem pelo arrependimento.

        5)      OS BENEFICIÁRIOS.
Destinatário é totalmente diferente de beneficiário.  Os que serão beneficiados pela salvação, serão aqueles que crerem em Cristo. João 3.16 é claro, ao dizer que só herdará a vida eterna quem crer. “todo o que nele crê não pereça”.

Deus amou o mundo caído o suficiente para enviar o seu Filho para dele redimir os seus eleitos (Jo 3.16; 1 Jo 4.14). Jesus veio trazer juízo sobre este mundo caído (Jo 9.39) e sobre o seu príncipe, Satanás (Jo 12.31; 14.30). Isto foi realizado na cruz (Jo 16.11). A morte de Cristo é suficiente para todos (1 Jo 2.2), mas só é eficaz para o crente. Foi em benefício dos seus que o Senhor fez sua oração como Sumo Sacerdote (Jo 17.9), e é por eles que Ele intercede constantemente junto a Deus Pai (Hb 7.25). Em sua segunda vinda, o reino do mundo se tornará o seu reino (Ap 11.15). Os crentes, juntamente com seu pai, Abraão, deverão ser herdeiros deste mundo e reinar sobre ele com Cristo (Mt 5.5; Rm 4,13; 8.17; cf. Ap 5.10). (Pfeiffer)
                O beneficiário torna-se com isto um cristão em essência e em verdade. O cristão verdadeiro vem a Jesus e o segue. Crê em Cristo como único salvador. Recebe a vida eterna. Dá testemunho de forma alegre.
       6)      O PRÊMIO.

O prêmio para aquele que perseverar na fé e na confiança depositada em Cristo como seu salvador será o galardão. Muito se tem discutido sobre o que é ou não é o galardão. O crente receberá um salário pelos trabalhos prestados na Seara. A seara ou ceifa é constituído pelos homens que ainda jazem presos, sob a influência do pecado e sob o domínio do príncipe deste século. Os crentes ao cumprirem a missão de pregar e anunciar as Boas Novas (Evangelho) e com sua maneira de viver testemunhar de Cristo, está trabalhando. Ora todo trabalhador é digno de seu salário.

O termo salário (galardão ou recompensa) é também utilizado de forma figurativa, como a compensação recebida por aqueles que trabalham na seara do Senhor Jesus Cristo (que é composta por almas, Joâo 4.36), e da morte como o salário do pecado (Rm 6.23). (Pfeiffer)
O termo galardão é sinônimo de prêmio. O prêmio é compatível com o trabalho em prol do Reino de Deus.  A respeito de prêmio aprendemos ainda com Pfeiffer que:

 Essa palavra está intimamente ligada às coroas mencionadas como recompensa pela conduta e pelo serviço dos cristãos; pela justiça daqueles que amam a Cristo e preparam-se para a sua segunda vinda (2 Tm 4.8); pela vida daqueles que pacientemente suportam as tribulações do treinamento (Tg 1.12; Ap 2.10); como a glória para o fiel pastor (1 Pe 5.4) ou como a alegria daqueles que ganham almas (1 Ts 2.19; cf. Fp 4.1).           

O prêmio dos atletas nos tempos bíblicos era uma coroa de louro que se corrompia com o passar do tempo. Mas o prêmio do crente é uma coroa que não se corrompe com o tempo.

CONCLUSÃO:

Devemos procurar compreender a salvação para crermos nela. E ao mesmo tempo crer nela para a compreendermos. Quando estudamos a Palavra de Deus, seguida de oração e jejum. E quando clamamos ao Espírito Santo de Deus, o véu que paira sobre o nosso entendimento é descortinado. Passamos a ver então com os olhos espirituais, e temos o discernimento correto da vontade de Deus para as nossas vidas.
Após isto, é nos alistarmos para sermos ceifeiros na Seara. Já alcançamos a Salvação? Agora lutemos pelo prêmio dedicado aos crente fiéis.


BIBLIOGRAFIA:

Hawtorne Gerald F., Martin Ralph P. e Reid Daniel G. Dicionário de Paulo e suas cartas .São Paulo : Vida Nova, 1993.
Bíblia Shedd
Os Pensadores (Santo Agostinho) [Livro]. - São Paulo/SP : Nova Cultural, 1999.
Pfeiffer Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. CPAD.




               




[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões em São João del-Rei/MG. Estudante de Teologia da EETAD. Pós Graduando em Ciências da Religião pela UCAM. Graduado em Filosofia pela UFSJ.

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