quarta-feira, 5 de novembro de 2014

RESPONDENDO AO LEITOR: O SALVO PODE PERDER A SALVAÇÃO? HÁ DIFERENÇAS DE PECADO? O QUE É GALARDÃO?



RESPONDENDO AO LEITOR: O SALVO PODE PERDER A SALVAÇÃO? HÁ DIFERENÇAS DE PECADO? O QUE É GALARDÃO?
Jonas Dias de Souza[1]


Em contato com o blog um leitor expõe sua dúvida sobre uma série de temas.

“Caro Irmão Jonas,

Estou com uma dúvida, na EBD escutei que  "UMA VEZ SALVO, SALVO PARA SEMPRE". Questionei e o Pastor veio tirar minha dúvida baseado nas passagens abaixo:

"E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono; porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé." (Romanos 13.11)

"Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação." (Hebreus 9.28)

"Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo," (1ª Pedro 1.15).

"E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão."(João 10.28) 
   
"Nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." (Romanos 8.39)

Pecado para a morte e pecados para não morte. Seria com pecadinho e pecadão? Perda de Galardão seria como ter uma patente e ser superior aos outros?

Não seriamos todos iguais perante Cristo para habitar um novo Céu e uma nova terra?

Busquei na Bíblia o que precisamos para sermos salvos e encontrei essas passagens.

(João 15.1,2,6; 2ª Pedro 2.20,21; 1ª Coríntios 4.4; Romanos 11.20-22 ;1ª Coríntios 9.27; Hebreus 4.1; Gálatas 6.9; 1ªCoríntios 10.12; Tiago 2.17; Apocalipse 3.11; Mateus 24.13; Hebreus 10.26-27; 2ª Pedro 2.20-21 ;Êxodo 32.33; Apocalipse 3.5; Ezequiel 18.21-24; 2ª Timóteo. 4.7; Ezequiel 33.12, 18,19; Mateus. 19,16 e 17; 1ª Coríntios 10.12; Hebreus 3.14; Filipenses 3.11-14;  1ª Coríntios 15.1-2)

Essa duas últimas passagens acredito que diz tudo.

A Bíblia não se contradiz, será que um ponto da bíblia pode se sobrepor sobre o outro?

Não acho justo um crente dedicado ser comparado a outro que não leva uma vida cristã como deveria.

Obrigado.”


Em se tratando do estudo da Teologia Sistemática, temos na pergunta do leitor, duas áreas que são de muita dificuldade para estudar. A Soteriologia que  trata do estudo da Doutrina da Salvação. Soteriologia é um termo de origem grega fundado em duas palavras, soteria que é salvação ou libertação e logia que significa discurso ou tratado. E a Hamartiologia que é o estudo da Doutrina do Pecado.

Importante lembrar que ao longo de nossa caminhada pela vida cristã e, portanto pela teologia, deparamos com várias correntes de pensamento, mesmo não concordando com algumas precisamos estudá-las para que não nos deixemos levar em roda por ventos de falsas doutrinas, conforme ensinou o apóstolo Paulo.

Vejamos primeiro o que significa o vocábulo SALVAÇÃO:
A)     Salvação é o ato através do qual o Deus livra a pessoa de perigo, conforme aprendemos na sua Palavra. “Naquele dia, se entoará este cântico na terra de Judá: Temos uma cidade forte; Deus lhe põe a salvação por muros e baluartes.” (Isaias 26.1) (ARA)[2]
B)     Salvação é Deus nos livrando da Opressão. “Bom é aguardar a salvação do SENHOR, e isso, em silêncio” (Lamentações 3.26)
C)     Salvação é Deus nos livrando do sofrimento. “assim como o testemunho de Cristo tem sido firmado em nós”. (2 Coríntios 1.6)
 Vemos que já nesta existência terrena, quando aceitamos a Cristo somos beneficiados com uma vida de qualidade. O crente verdadeiro, tem qualidade de vida. Aquele que roubava, não roubava mais. Aquele que mentia, não mente mais e segue...
Mas Deus ainda é mais Misericordioso.
D)     A salvação é o processo que Deus utiliza para livrar a pessoa da culpa e do poder do pecado, colocando-a numa nova vida, repleta de bênçãos espirituais, através de Cristo Jesus. “Então, Jesus lhe disse: Hoje, houve salvação nesta casa, pois que também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o perdido.” (Lucas 19.9-10)
Lembram desta passagem? Zaqueu, o Publicano.
Antes de sermos Salvos (o que ocorre quando aceitamos Cristo como nosso legítimo e suficiente Salvador) andávamos em nossas concupiscências: bebedeira, traições ao cônjuge, gastando dinheiro no jogo. Ou sendo homens e mulheres que tinham uma vida boa, mas estavam adorando outros deuses.
O homem tem absoluta necessidade da salvação por causa de sua culpa diante da lei de Deus; por causa de sua morte espiritual; por causa de sua alienação diante de Deus e pelo fato de haver se tornado escravo do pecado. A misericórdia Divina, preparou o filho de Deus (Jesus Cristo) para ser o  substituto que livra o homem da culpa. Morreu e ressuscitou livrando o homem da morte espiritual. Tornou-se o mediador livrando o homem da alienação. E libertou nos da escravidão.
Mas, para que isto aconteça temos que manifestar a nossa aceitação a esta oferta maravilhosa da parte de Deus. Ele não obriga o homem a aceitar a salvação que foi propiciada por Cristo. O homem deve responder de forma positiva ao chamado.
Como dissemos, a salvação possui aplicação já nesta vida, além da vida eterna após a sepultura. As aplicações nesta vida são: Justificação, regeneração, Adoção e Santificação.
Voltamos a  dúvida do leitor, poderemos perdê-la? O que acontecerá com os que forem fiéis até o fim? Receberão algum prêmio?
HÁ POSSIBILIDADE DE O CRENTE PERDER A SALVAÇÃO?
Um  estudioso que tratou deste espinhoso assunto foi Agostinho de Hipona , cinco séculos depois de Cristo, defendendo que o crente nunca perderia a salvação. Para Agostinho, uma vez que fosse salvo, o crente estaria salvo para sempre. Isto independente de suas ações e atitudes. Eis ai o porquê de depois de mais de 1500 anos, após sua declaração, ainda nos debruçarmos sobre esta questão.
O argumento dos estudiosos que dizem que o crente pode perder a salvação, é baseado numa lista de passagens  bíblicas, onde existe uma condicional “se”.
Se alguém não permanecer em mim,  será lançado fora, à semelhança do ramo, e secará; e o apanham, lançam no fogo e o queimam.” (João 15.6)
se é que permaneceis na fé, alicerçados e firmes, não vos deixando afastar da esperança do evangelho que ouvistes e que foi pregado a toda criatura debaixo do céu e do qual eu, Paulo, me tornei ministro.” (Colossenses 1.23)
“Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? A qual, tendo sido anunciada inicialmente pelo Senhor, foi nos depois confirmada pelos que ouviram;” (Hebreus 2.3)
E existem outras passagens, que fazem advertências ao crente para que cuide do presente que Deus lhe deu. Temos na Bíblia advertências diretas quanto ao perigo de negligenciarmos a nossa salvação:
“ Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia. (1 Coríntios 10.12)
“Tende cuidado, irmãos, jamais aconteça haver em qualquer de vós perverso coração de incredulidade que vos afaste do deus vivo; (Hebreus 3.12)
Ainda a passagem de Apocalipse, referida pelo leitor em sua pergunta:
“venho sem demora. Conserva o que tem, para que ninguém tome a tua coroa.” (Apocalipse 3.11)
 Como exemplos bíblicos de pessoas que “viraram as costas para Deus”  temos: Saul, Judas Iscariotes, Himeneu e Alexandre, Demas.
Baseado nestas afirmações podemos dizer que o crente pode escolher deixar de seguir a Cristo e voltar para o caminho de Satanás. A pergunta que fica é: Cristo iria obrigar alguém que dispensou seu sacrifício, ficar ao lado Dele pela eternidade?
Temos ilustrações na bíblia que mostram o crente em apostasia[3]: O navio a deriva, o cordeiro desgarrado, o servo desobediente e a planta sufocada.
Assim como temos o crente desviado, que ilustramos com a seguinte citação :
 “A experiência prova a possibilidade duma queda temporária da graça, conhecida por "desviar-se". O termo não se encontra no Novo Testamento, senão no Antigo Testamento. Uma palavra hebraica significa "voltar atrás" ou "virar-se"; outra palavra significa "volver-se" ou ser "rebelde". Israel é comparado a um bezerro teimoso que volta para trás e se recusa a ser conduzido, e torna-se insubmisso ao jugo. Israel afastou-se de Jeová e obstinadamente se recusou a tomar sobre si o jugo de seus mandamentos.
O Novo Testamento nos admoesta contra tal atitude, porém usa outros termos. O desviado é a pessoa que outrora tinha o zelo de Deus, mas agora se tomou fria (Mat. 24:12); outrora obedecia à Palavra, mas o mundanismo e o pecado impediram seu crescimento e frutificação (Mat. 13:22); outrora pôs a mão ao arado, mas olhou para trás (Luc. 9:62); como a esposa de Ló, que havia sido resgatada da cidade da destruição, mas seu coração voltou para ali (Luc. 17:32); outrora estava em contacto vital com Cristo, mas agora está fora de contacto, e está seco, estéril e inútil espiritualmente (João 15:6); outrora obedecia à voz da consciência, mas agora jogou para longe de si essa bússola que o guiava, e, como resultado, sua embarcação de fé destroçou-se nas rochas do
pecado e do mundanismo (1 Tim. 1:19); outrora alegrava-se em chamar-se cristão, mas agora se envergonha de confessar a seu Senhor (2 Tim. 1:8 ;2:12); outrora estava liberto da contaminação do mundo, mas agora voltou como a "porca lavada ao espoja-douro de lama" (2 Ped. 2:22; vide Luc. 11:21-26).” ( (Pearlman, 2006)
Agora sobre se neste desviar ocorre a perda da Salvação, temos duas correntes, Arminianos e Calvinistas.
Ainda na esteira dos escritos de Pearlman:
“É possível decair da graça; mas a questão é saber se a pessoa que era salva e teve esse lapso, pode finalmente perder-se. Aqueles que seguem o sistema de doutrina calvinista respondem negativamente; aqueles que seguem o sistema arminiano (chamado assim em razão de Armínio, teólogo holandês, que trouxe a questão a debate) respondem afirmativamente.” (Pearlman, 2006)
O crente está num processo contínuo de santificação, isto significa que não estamos livres de pecar. Estamos livres das algemas, das correntes do pecado.  É diferente pecar deliberadamente e pecar porque não vigiamos e nem oramos, e de repente nos vemos surpreendidos pelo inimigo.
Assim buscamos responder outra pergunta: Existe diferenciação no pecado?
“Pecado é a falta de conformidade com a lei moral de Deus quer em ato, disposição ou estado.” (Strong, 2003)
A bíblia emprega vários termos para ensinar sobre o pecado como sendo uma “falta de conformidade com a lei de Deus”, que pode ser realizado em estado, em disposição ou ainda em conduta.
TERMOS QUE DEFINEM PECADO
LOCALIZAÇÃO NA BÍBLIA
Pecado
Salmo 51.2; Romanos 6.2
Desobediência
Hebreus 2.2
Transgressão
Salmo 51,1; Hebreus 2.2
Iniquidade
Salmo 51.2; Mateus 7.23
Mal, maldade, malignidade
Provérbios 17.11; Romanos 1.29
Perversidade
Provérbios 6.14; Atos 3.29 (ARA)
Rebelião, rebeldia
1 Samuel 15.23; Jeremias 14.7
Engano
 Sofonias 1.9; 2 Ts 2.10
Injustiça
Jeremias 22.13; Romanos 1.18
Erro, falta
Salmo 19.12; Romanos 1.27
Impiedade
Provérbios 8.7; Romanos 1.18
Concupiscência
Isaias 57.5 (ARA); 1 João 2.16
Depravidade, depravação
Ezequiel 16.27, 43, 58 (ARA)
“Nem todo o pecado é voluntário por ser uma volição distinta e consciente; porque a disposição e estado maus frequentemente precedem e ocasionam a vontade má e a disposição e a disposição e estado maus são em si mesmos pecado. Entretanto todo pecado é voluntário porque surge ou diretamente da vontade, ou indiretamente a partir dos sentimentos e desejos perversos que por si mesmo originaram a vontade.” (Strong, 2003)
Considerando que todo ato que contraria a vontade de Deus nos afasta dele, acreditamos não haver hierarquia no pecado. Portanto não existe pecadinho ou pecadão. Existe sim, a violação das normas divinas.
O escalonamento em Pecadinho ou pecadão (grosseiramente falando) é uma herança da casuística[5] romanista.  “A casuística, contudo, tem traçado muitas distinções que não têm fundamento escriturístico. Tal é a distinção entre pecado venal e pecado mortal na Igreja Católica Romana: mortais, os pecados não perdoados. Também a distinção entre os pecados de omissão e os de comissão não procede visto que toda omissão é ato de comissão.” (Strong, 2003)
O que determina a gravidade do pecado segundo a doutrina cristã no Novo Testamento, é o grau de conhecimento que se tem a respeito dele. “Os gentios, que estão no seu pecado, são culpados aos olhos de Deus; porém, aqueles que gozam do favor do Evangelho e têm a revelação de Deus, são muito mais culpados quando caem.” (Oliveira, 2007)
 Existem diferentes graus de culpa que são encontrados na escrituras: de natureza e transgressão pessoal;  de ignorância e de conhecimento; de fraqueza e de presunção.
Para uma lista de diferentes classes de pecado, convém ler a realizada por Paulo em sua Carta aos Gálatas 5.19-21.
Aquele que derrama o sangue de seu irmão é tão culpado quanto aquele que não faz a vontade de Deus.
E QUANTO AO CHAMADO PECADO IMPERDOÁVEL?
“O crente, como o marujo, pode cair repetidas vezes no convés, mas nunca para fora do navio”. [6]

A discussão sobre o que é o pecado imperdoável é tão antiga quanto a discussão sobre perder ou não a salvação.
Para sermos sucinto, ficamos com o conceito reformista:
“O pecado imperdoável consiste na rejeição consciente, maliciosa e voluntária da evidência e convicção do testemuho do Espírito Santo, com respeito à graça de Deus manifesta em Jesus Cristo. Esse pecado não consiste em duvidar da verdade manifesta em  e por Cristo, nem em simplesmente negá-la, mas sim em contradizê-la.
Ao cometer esse pecado, o homem, voluntária, maliciosa e tencionalmente, atribui à influência de Satanás aquilo que, reconhecidamente é obra de Deus. Em suma, esse pecado não é outra coisa senão um deliberado ultraje ao Espírito Santo, uma declaração audaz de que o Espírito Santo é um espírito maligno, que a verdade é mentira e que Cristo é Satanás.” (Oliveira, 2007)
Mas ainda assim um arrependimento é sinal de que não cometemos este pecado. Ao desejarmos as orações dos outros, percebemos que não cometemos este pecado. Se o perdão completo não fosse possível ser atingido, o Espírito Santo não nos compeliria para o arrependimento.




E POR FIM O QUE É GALARDÃO?
“Eis que o SENHOR Deus virá com poder, e o seu braço dominará; eis que o seu galardão está com ele, e diante dele a sua recompensa.” (Isaias 40.10)
O galardão será a recompensa que receberemos consoante o nosso trabalho enquanto Cristãos e como despenseiros de Deus.
Existe uma palavra: Mordomia.
     A)     Mordomia do ser inteiro do Crente.
     B)      Mordomia dos bens pessoais do Crente.
     C)      Mordomia do tempo do Crente.
      D)     Mordomia dos talentos do crente.
      E)      Mordomia das finanças do crente.
Não podemos esquecer que somos administradores, somos mordomos e não devemos nos preocupar qual será o prêmio de nosso irmão. Mas preocupar em fazer o nosso melhor. Não devemos julgar se tal irmão é um crente melhor ou pior. Deus é quem conhece os corações e Ele é quem vai galardoar cada qual segundo a sua obra.
A Paz do Senhor Jesus esteja em nossos corações, para nos fazer crentes em Cristo e merecedores do galardão que para nós está preparado.

BIBLIOGRAFIA
Brasil, S. B. (2008). Bíblia Shedd. São Paulo: Vida Nova.
Gibbs, C. B. (2008). Doutrina da Salvação: A provisão e a aplicação da Salvação. Campinas/SP: EETAD.
Oliveira, R. F. (2007). Anjos, Homem e Pecado: O relacionamento das criaturas com o criador. Campinas/SP: EETAD.
Pearlman, M. (2006). Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Vida.
Strong, A. H. (2003). Teologia Sistemática. São Paulo/SP: Hagnos.
Zimmer, W. K. Dicionário da Bíblia de Almeida. SBB.



[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.
[2] Almeida Revista e Atualizada
[3] Apostasia
1)       Negação e abandono da Fé (1 Tm 4.1; 2 Tm 2.17-18)
2)       A Revolta final contra Deus (2 Ts 2.13)
[4] Construído com Base no Dicionário da Bíblia de Almeida.
[5] Rubrica: ética, religião, teologia. exame de casos particulares e cotidianos em que se apresentam dilemas morais, nascidos da contraposição entre regras e leis universais prescritas por doutrinas filosóficas ou religiosas e as inúmeras circunstâncias concretas que cercam a aplicação prática destes princípios. (Dicionário eletrônico Houaiss)

[6] C. H. Spurgeon  apud  Strong 2003

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