terça-feira, 11 de novembro de 2014

É NOSSO DEVER SERMOS ATALAIA.




É NOSSO DEVER SERMOS ATALAIA.
Jonas Dias de Souza[1]

      A função mais desacreditada na atualidade é sem dúvida a de Pastor. Considerando o número de escândalos que tem assolado esta categoria, somente o fato de pensar na possibilidade de se tornar um coloca receios no coração de qualquer crente sincero.
Mas não podemos nos furtar ao chamado que Deus tem preparado. O crente ao sentir que foi despertado para esta nobre missão, deve se entregar á vestimenta da armadura do Cristão e preparar-se para a luta. Quando a vocação desponta não é possível falarmos em adiamento. Adiar a obediência significa em almas perdidas e vitórias do mal, sobre este mundo. Aquele crente que é separado para ministro da Igreja de deus pode esperar – sem sombras de dúvida- uma oposição ferrenha. Quanto mais fidelidade mostrar para a sua vocação, mais perseguição verá colocada em seu trajeto. Isto não pode desanimar o servo de Deus, pelo contrário deve animá-lo a entrar logo em combate. Fazendo uma comparação, é como o combatente que ouve pelo radiotransmissor os detalhes da batalha e sente comichão e ansiedade parta desembarcar no teatro de operações.
Se a função de pastor está
sem crédito, a de verdadeiros atalaia está em falta. Penso que é isto de que o mundo precisa, menos pastores e mais atalaias.
Semelhante ao sentinela que fica de prontidão nas fortificações militares deve ser ao atalaia, pronto a rechaçar qualquer iminência de ataque, avisando e defendendo os que estão ali no forte. Outra figura é a do faroleiro, que fica sempre com sua lâmpada acesa, para prevenir os navegantes do perigo que o aguardam nas pedras pontiagudas. Outra comparação é a do guardador do rebanho que fica no alto da torre e ao menor perigo corre pra defender as ovelhas. Mas, antes de ser necessária esta intervenção, o atalaia deve prevenir do perigo iminente.
Encontramos a figura do atalaia no livro de Ezequiel: “Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra e os avisarás da minha parte. (Ezequiel 3:17)
O atalaia não fala de sua parte, mas da parte do SENHOR. Ser atalaia do Evangelho, é ter a responsabilidade de avisar os pecadores sobre a possibilidade de sua morte, caso permaneçam na prática do pecado. Sabemos que o salário do pecado é a morte. Assim como sabemos, que, ser pastor é vocação, mas ser atalaia é dever. Todo Crente em Cristo tem o dever-poder de ser atalaia. “Eis aqui uma grande responsabilidade para os atalaias evangélicos, a de avisar os pecadores para que se convertam e sejam salvos.” (Mesquita, 1978)
E se os pecadores não quiserem ouvir? Esta dúvida e outras tendem a aparecer e desanimar aqueles que estão se dispondo a evangelizar. A isto respondemos que não devemos ficar preocupados se seremos ou não atendidos, pois a Palavra de Deus dá a missão, mas dá também as condições para o atalaia.
“Quando eu disser ao perverso: Certamente, morrerás, e tu não o avisares e nada disseres para o advertir do seu mau caminho, para lhe salvar a vida, esse perverso morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue da tua mão o requererei.” (Ezequiel 3:18)
É dever do atalaia pregar ao perverso para que se arrependa e assim também, pregar e exortar ao justo para que não se desvie do caminho do Senhor. Neste sentido, somos ao mesmo tempo atalaias e ouvintes. O fato de não termos que nos preocupar com o resultado de nossa pregação, reside no fator de que a nossa missão é somente espalhar as Boas Novas. “Mas, se avisares o perverso, e ele não se converter da sua maldade e do seu caminho perverso, ele morrerá na sua iniquidade, mas tu salvaste a tua alma. (Ezequiel 3:19)
Para Mesquita, Ezequiel inaugura uma Nova Doutrina, a “doutrina da responsabilidade do pecador e do pregador”.  Se como atalaias devemos pregar com temor e tremor, o ouvinte deve também ouvir com temor e tremor. A responsabilidade é inerente às duas partes. O Espírito Santo convence da Justiça, do Pecado e do Juízo, mas ao mesmo tempo respeita o livre arbítrio do homem. E pelo fato de ser considerado justo, o Crente deve também, lutar e preservar a sua coroa. Aprendemos em Ezequiel que o ouvinte individual tem também uma parcela de responsabilidade.
Vale a máxima que vigora no meio militar de que “Missão dada é missão cumprida”. E podemos aliar com o versículo do Apocalipse (repetido várias vezes) “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas”. Sejamos então, mais atalaias e menos pastores.
Amém!

BIBLIOGRAFIA

Bíblia Shedd Antigo e Novo Testamentos. (2008). São Paulo: Vida Nova.
Mesquita, A. N. (1978). Estudo no livro de Ezequiel. Rio de Janeiro: JUERP.




[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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