quinta-feira, 27 de novembro de 2014

AMIZADE, AMOR E CONFORMIDADE: O PERIGO GRADATIVO DO MUNDO NA VIDA DO CRENTE.




AMIZADE, AMOR E CONFORMIDADE: O PERIGO GRADATIVO DO MUNDO NA VIDA DO CRENTE.
Jonas Dias de Souza[1]

“Retirai-vos, retirai-vos, saí daí, não toqueis coisa imunda; saí do meio dela, purificai-vos, vós que levais os utensílios do SENHOR.” (Isaías 52:11)
Que o Cristão não pode ter comunhão com o mundo, é ensinado nas igrejas que conservam a sã doutrina. Mas, uma análise, sempre é necessário, como forma de precavermo-nos e como forma de exortação. Exortação, ao contrário do que pensam alguns, não consiste em xingar. Exortar é admoestar de forma sábia (do ponto de vista bíblico) com vistas a prevenir a quebra da disciplina eclesiástica, ou a restaurar esta disciplina. Que pode ser coletiva ou individual. Assim é que o pastor que de fato preocupa-se com seu rebanho, e o ensina conforme a bíblia sagrada, ou seja, a esta não acrescenta seu pensamentos e filosofias, exorta-s a que observem e tomem cuidado com o mundo e o que nele há.
Quando lidamos com os jovens, a coisa fica mais difícil. O caráter contestador e natural da juventude, aliado a uma cobrança social daqueles jovens que não pertencem ao meio Cristão, torna a situação mais delicada. Não é fácil ser jovem.  É  um período de descobertas, e escolhas que não esperam. Ou seja, elas têm que ser realizadas. Desde o curso universitário, ao primeiro amor.  A pressão para que o jovem arrume um namorado existe. Por vezes de forma velada. Se o rapaz não quer namorar, dão logo um jeito de discriminá-lo.
Mas aos jovens, e a comunidade evangélica, fica um alerta: É UM PERÍODO QUE NECESSITA DE INTENSA ORAÇÃO E VIGILÂNCIA.
 A sutileza do espírito do mundo reside no fato de que ele vem calçado com sapatinhos de algodão. Seja em sua forma cultural. Ou no relativismo moral que impera hoje em nossa sociedade. A separação do Povo de Deus pode ser vista desde o Antigo Testamento, quando o povo Israelita foi separado. Contudo, este mesmo povo entristeceu a Deus, pois não observou a posição que lhe era privilegiada. O povo Israelita sempre voltava para o mundo. Trocava a Glória (a Shekinah) de Deus por idolatrias e cultos pagãos. Veja o Bezerro de ouro que fizeram no deserto e leiam o Livro de Juízes. No livro de Juízes, o que mais se lê é : “Então fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do SENHOR...”
Quando falamos da sutileza do mundo, é porque a invasão dele na igreja, não acontece de uma só vez.  Ela ocorre de forma gradativa. Gradativo é aquilo que vai aumentando, ou diminuindo aos poucos. No caso da tolerância às coisas mundanas e as falsas doutrinas, vão aumentando aos poucos. No caso da vontade de orar, jejuar e consagrar,  vão diminuindo aos poucos. Assim ocorre a tomada de terreno. É algo planejado para anos ou décadas.
Atenção!
O mundanismo não se limita às nossas ações exteriores. Ele acontece também no nosso íntimo, no nosso coração. A palavra que bem descreve é cobiça e orgulho: Cobiça pelo prazer, cobiça pelo ter, e orgulho pelo por posição social.



Vejamos:

   1)    Em primeiro lugar nasce a  AMIZADE  para com as coisas do mundo. No início da vida acadêmica,  o crente que se tornou universitário é convidado a ir ao barzinho, principalmente para comemorar. No inicio senta e toma e toma um refrigerante. Depois dá uma bicadinha na cerveja. Depois dá uma bicadinha na bebida forte e por fim... E isto ocorre com outros setores do mundo. Tudo começa com a amizade. É preciso estar atentos, para não cairmos na roda de costumes do mundo.  O segredo está em manter uma estreita comunhão com O Espírito Santo, para que Ele nos livre da sedução do mundo. Devemos lembrar que a amizade do mundo é inimizade contra o próprio Deus. O apóstolo Paulo é enfático nas suas palavras para prevenir sobre o perigo da amizade com o mundo: “Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus.” (Tiago 4:4)
Este adultério aqui é o espiritual e não o sexual.  Adultério espiritual é ainda mais perigoso para o crente.

   2)    A amizade se transforma em  AMOR. Em segundo lugar temos o AMOR   às coisas do mundo. Já aprendemos a amar os encontros da faculdade regados a desrespeito pelo outro. E já não nos importamos mais, em ostentarmos o título de Cristão. Houve o afastamento da igreja, a pretexto de estudar, ou pela falta de tempo. Mas isto não ocorre somente com a faculdade. Ocorre com o futebol entre amigos, com as festinhas de carnaval. Com a sensualidade que busca impregnar as vestimentas de homens e mulheres. Este articulista que é possível se vestir bem, e de forma elegante sem necessariamente mostrar partes do corpo, e sem ser cafona.  A admoestação neotestamentária, pode ser vista no livro escrito pelo apóstolo João:  “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Porque tudo  o que há no mundo, a concupiscência da carne, a concupiscência dos olhos  e a soberba da vida não é do Pai, mas do mundo.” (1 João 2: 15-16)

   3)    A amizade gerou o Amor que gerou a  CONFORMIDADE. O crente agora perdeu a sua fé. Já não se choca com o pecado. Conformou-se a forma do mundo. Quando vê um irmão da igreja, atravessa para o outro lado da rua. Agora adotou os costumes do mundo e passeia de forma satisfatória pelos caminhos da iniqüidade.  Pensemos na exortação de Paulo: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12:1-2)

CONCLUSÃO:

Como cristão temos que nos sentir mau com os costumes mundanos. Mas ao mesmo tempo, temos que ter sabedoria para tratar desta invasão na igreja. Não podemos ser condescendentes com invasões anti-doutrinárias. Mas temos que orar e procurar respostas dentro da Palavra de Deus. Não conformar com o mundo, deve possuir um conceito mais abrangente do que a forma como vemos os costumes mundanos. Deve ser uma mudança interior. O jovem, a jovem, o homem, a mulher, o pastor, a dirigente do círculo de oração,  enfim o crente que permite ao Espírito Santo lhe moldar e ocupar a sua mente, não terá problemas com isto. Seja no ambiente de trabalho, no comércio, na vida secular, nos estudos. Todos continuarão a ser o Sal e a Luz. E o melhor com sabor. Com vistas a declarar que somos criaturas nascidas de novo em Cristo Jesus.
Amém!







[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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