segunda-feira, 20 de outubro de 2014

ROTEIRO PARA ENCORAJAMENTO CRISTÃO

ROTEIRO PARA ENCORAJAMENTO CRISTÃO.
Jonas Dias de Souza[1]

            Aceitamos a Jesus Cristo, somos agora reconhecidos em nosso trabalho. Em nossa escola e no nosso bairro como crentes.  E não raras vezes somos procurados para aconselharmos. Isto mesmo. Chega uma pessoa devagar (geralmente do nosso círculo social) e vai devagar abrindo o coração. É quando de repente temos que encorajar aquela pessoa. Pois isto é sinônimo de conselho. Aconselhar, nada mais é do que dar uma dose de ânimo para que a pessoa dê um passo em direção a Deus. Sendo Deus o parâmetro maior de nossas vidas, a ética, a moral e as atitudes corretas, fazem parte de nossas ações cotidianas. Inúmeras vezes, quem busca um encorajamento está diante de algo que já sabe como resolver, mas busca um esclarecimento.
            Por toda a Bíblia vemos ordem de encorajarmos uns aos outros. Há momentos em que seremos nós que precisaremos ser encorajados. Encorajar é incentivar. É dar ânimo. É colocar para a frente. E este colocar para a frente implica em sua maioria em provocar na pessoa a necessidade de aprofundar seu relacionamento com Deus. Mesmo que esta pessoa esteja no meio Cristão. Através de
nossas palavras, encorajamos.
            A vida é uma corrida. Uns correm para buscar uma coroa perecível e outras uma coroa incorruptível. A coroa perecível causa cansaço, e a própria atividade de viver é por vezes motivo de exaustão de nossas energias. Imagine você alguém que não conhece aos pastos verdejantes do Senhor? Quando estamos perto da linha chegada, as pernas doem. A garganta seca, e nosso corpo pede para parar. Esta linha de chegada pode ser um problema no trabalho, na família, na igreja ou com nosso colega de trabalho. Um exemplo de encorajamento eu passei quando estava prestando concurso para as forças de segurança. No dia mais quente, na parte da tarde foi realizado o teste de aptidão física. Eu estava longe de casa, não conhecia a pista, estava com um tênis que não era adequado para a corrida. E o pior de tudo, naquela época eu era tabagista. Determinada altura, quase pensando em desistir, passou por mim, um colega da mesma cidade, que falou estamos dentro das vagas, desiste não.  Lembro-me que dei uma respirada e puxei as forças ignorando as dores, as adversidades, e completei o percurso. Muitos dos concorrentes foram eliminados naquela tarde, eram cinqüenta vagas e havia muitos candidatos. Mais de vinte anos depois, realizamos até um hoje um teste físico todos os anos, e lembro sempre que a cada degrau na carreira, a cada conquista, houve aquela vitória inicial. Fui encorajado, quando mais precisava.
Baseado em 1 Tessalonicenses 5:11-23, e ajudado pela Bíblia de Aplicação Pessoal, veremos um roteiro (básico) para encorajarmo-nos uns aos outros:
“Pelo que exortai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros, como também o fazeis.” (1Ts 5:11)
Exortar não é xingar e nem mostrar aos outros verdades que achamos serem corretas. Exortar é justamente animar, dar ânimo. Edificar o nosso próximo, é mostrar nele alguma qualidade que o torna especial. Quando olhamos à nossa volta e buscamos perceber a necessidade do nosso próximo, vemos qualidade que ele possui e sequer percebe. Comecemos pois, mostrando uma qualidade que admiramos naquela pessoa.
E rogamo-vos irmãos, que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor e vos admoestam.” (1Ts 5:12)
Devemos procurar maneiras de cooperar, respeitando as lideranças. Seja na Igreja, no trabalho, em casa. Um jovem ou uma jovem precisa respeitar a liderança de seus pais. No trabalho temos que respeitar a liderança de nossos chefes. Na igreja temos que respeitar a liderança, daquelas pessoas que dirigem a congregação desde o Diácono, ao Pastor. Se há falhas no processo de liderar, a responsabilidade pode ser nossa pela falta de cooperação.
“e que tenhais em grande estima e amor, por causa da sua obra. Tende Paz entre Vós.” (1Ts 5:13)
Que tal retermos os comentários futuros que objetivam somente criticar e não mostrar uma solução para o problema que surgiu. Existem críticas que são feitas com o único objetivo de menosprezar a liderança do trabalho. É um sentimento de inveja que guardamos no coração, mesmo sem percebermos. Lembremos de agradecer a Deus pelos líderes que Ele deu à Igreja. E ajudá-los em oração.
Devemos viver em Paz. Buscar maneiras de vivermos em Paz com nossos próximos. Sermos a parte responsável pelo bom relacionamento.
“Rogamo-vos também irmãos, que admoestei os desordeiros, consolei os de pouco ânimo, sustenteis os fracos e sejais pacientes para com todos. (1 Ts 5:14)
Devemos procurar incentivar as pessoas a terem um projeto, ou a se unir a um projeto que temos. Por exemplo, determinada época, havia um colega de trabalho que estava muito desanimado com o local em que estava prestando serviço. Começava a reclamar logo pela manhã e prosseguia se lamentando pela tarde. Numa conversa começamos a analisar quais as perspectivas de mudanças. Concluímos que, não estava sendo feito nada que pudesse lhe dar uma chance de promoção. A escolaridade que ele tinha não era suficiente, e ele não estava querendo estudar, ou seja, na perspectiva profissional, ele precisava de um projeto em que investir. Não devemos confundir, contudo, a preguiça com a timidez. Na igreja, por exemplo, existem pessoas que são  essenciais nos bastidores, super-experts em cuidar de um departamento, e são tímidas para subir ao púlpito. Aos preguiçosos, desordeiros e insubmissos, devemos advertir.  Quanto aos tímidos devemos encorajá-los e ajudá-los.
Não podemos encorajar alguém que não queira trabalhar. Trabalhar, no sentido de provocar mudanças. Exemplo, um jovem não quer submeter-se às autoridades dos Pais, porque pensa que já tem idade suficiente para tal. Em contrapartida, não quer assumir a responsabilidade de sair das benesses do lar e ir cuidar da própria vida, buscando seu sustento. Este deve ser advertido.
Os fracos devem receber nossas orações, mas também devemos orar com eles para que aprendam a orar.  É a velha história de dar o peixe ou ensinar a pescar. Devemos sempre que alguém pedir oração, chamarmos para orar junto conosco. Devemos amá-los, orar e ajudá-los a vencer as fraquezas. Paciência para com todos inclui as situações mais adversas possíveis. Não cabe declarar o mau que causa ao nosso organismo a raiva. E como homens e mulheres  renascidos em Cristo não podemos ter mais os velhos hábitos de exercitarmos a raiva.
Não confundam as coisas. É direito nosso irar. Mas não devemos e não podemos dar lugar ao diabo.
Devemos aprender a ler as situações que nos deixariam impacientes e de antemão exercitar o autocontrole.  Como por exemplo, quando temos um colega fanático por futebol: Quando o time dele ganha ele fica eufórico e brincalhão o dia todo, a ponto de perder a concentração e querer narrar o jogo o dia todo. Quando o time perde fica num mau humor que dói. Se soubermos de antemão e temos a sensibilidade para ler esta situação, exercitaremos antecipadamente a paciência.
“Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos.” (1 Ts 5: 15)
Algumas vezes somos procurados por pessoas próximas a nós, que estão atribuladas por injustiças sofridas. A estas devemos lembrar que antes de vingarmo-nos devemos fazer o bem para aqueles que nos perseguem. Quando vingamos as injustiças que sofremos estamos praticando uma Pseudo - justiça humana. Mas, ao colocarmos na poderosa Mão de Deus, a justiça divina será exercida em sua plenitude.
“Regozijai-vos sempre. Orai sem cessar. Em tudo daí graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” (1Ts 5: 16-18)
Existe um hino que diz assim: “Esta Paz que sinto em minha alma, não é porque tudo em mim vai bem.”  Isto significa que, na vida do crente, as circunstâncias da vida nem sempre são favoráveis. Ou seja, não é a vida do crente um Mar de Rosas. Lembre-se que os discípulos estavam no barco com Jesus, e ainda assim, sobreveio uma grande tempestade. Mas Cristo acalmou os ventos.
Ele acalma os ventos de nossas tempestades, mas devemos conservar uma calma serena diante das adversidades. Sei que escrever é bem mais  fácil que fazer. Mas devemos exercitar esta serenidade. Alegrar-nos sempre no Senhor. Regozijar sempre. Agradecer a deus por tudo, inclusive pelas adversidades. Orar sem cessar, ou seja, de forma ininterrupta. Não existe fórmula para a oração. Podemos orar de joelhos, sentado no ônibus, em pé aguardando o ônibus, dirigindo para o trabalho. Certo Pastor disse que não se preocupava com o internamento de uma irmã. Porque sabia que era vontade de Deus enviá-la a alguém que estava doente duas vezes. De fato quando foram visitá-las havia duas novas convertidas na enfermaria do hospital.
O nosso semblante não deve alegrar-se somente com vitórias. Nossas alegrias não devem ficar sujeitas às circunstâncias. O mesmo hino diz ainda que: “Esta Paz que sinto em minha alma é porque eu amo ao meu Senhor.”
Observemos que há um imperativo no versículo: regozijar-se, Orar sem cessar e ser grato. Inúmeras vezes oramos somente pedindo e poucas vezes agradecemos. Sabemos que estas três ordens vão de encontro à nossa natureza, mas vencemos a nossa natureza com a nossa vida em Cristo. Tomamos de forma consciente a decisão de fazermos aquilo que Deus ordena e que Cristo nos pede, mesmo contrariando a nossa natureza.
Dar Graças em tudo, inclui também agradecermos por nossos fracassos e derrotas.
“Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem. Abstende-vos de toda aparência do mal.” (1 Ts 5: 19-22)
Quando vamos a igreja e ouvimos a palavra de Deus, estamos ouvindo profecias para a nossa vida. Mas a natureza humana liga-se muito nos pseudo-profetas homens, que revestido de espiritualismo batem o pé, saracoteiam na nossa frente e perguntam se entendemos o mistério. Que mistério? O Evangelho é simples. Mas a nossa natureza prefere as profetadas em detrimento das profecias verdadeiras contidas na Bíblia e levada até nós por homens probos e pregadores da Sã Doutrina. Devemos receber as profecias da parte daqueles que de fato falam baseados na Palavra de Deus. Por outro lado, devemos fugir de situações que nos conduzirão às oportunidades tentadoras. Evitar situações que nos puxam para o pecado. Afinal que tem a luz com as trevas? Nada em comum. E ao nos entregarmos às companhias de pessoas dissolutas, tendemos a perdemos o sabor da vida Cristã. Sal sem valor e sem sabor.
“E o mesmo Deus de Paz vos santifique em tudo; e todo o vosso espírito, alma, e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.” (1 Ts 5:23)
Entregar-se completamente a Deus. Não somente aos domingos, mas termos comunhão com ele nas mínimas ações de nossa vida cotidiana. Estarmos em Cristo diuturnamente. Vivermos a vida Cristã pelo poder de Deus e não pelas nossas convicções ou própria força. Devemos confiar na ajuda imprescindível e onipresente de Deus.
Oração e Palavra. Toda nossa vida deve ser regida por Cristo, e não somente a nossa vida religiosa.





















           



[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões em São João Del-Rei. É graduado em Filosofia pela UFSJ e estudante de Teologia pela EETAD.

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