sexta-feira, 3 de outubro de 2014

RELIGIÃO OU SEITA? QUAL O CRITÉRIO?




RELIGIÃO OU SEITA? QUAL O CRITÉRIO?
Jonas Dias de Souza[1]
“Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu filho, nos purifica de todo pecado” (João 1:7)
Um leitor perguntou outro dia, porque algumas denominações chamavam a sua religião de seita. Diante desta questão, veremos a diferença fundamental entre Religião e Seita.
Não é um artigo sectário que busca defender esta ou aquela igreja. Esta ou aquela denominação. Mas uma busca por um  esclarecimento.
O surgimento de heresias no seio do povo cristão, está na vontade permissiva de Deus, como forma de separar o joio do trigo. O apóstolo Paulo escrevendo aos Coríntios mostra que as divisões existem para que os crentes sinceros se manifestem. Lembremos que a palavra sincero, remete-nos para algo que é sem cera, sem maquiagem. “E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.” (1 Coríntios 11:19)
RELIGIÃO:
 Quando procuramos no léxico o significado de Religião vemos o seguinte:
     1)    Crença na existência de princípio ou poder superior, e, portanto sobrenatural, ao qual se deve respeito e obediência, e do qual  depende o destino do ser humano.
     2)    A postura moral ou do intelecto derivada desta crença.
    3)    Um sistema de
doutrinas, de práticas ritualísticas, características de um grupo social. Derivada de determinada concepção da divindade e da relação entre esta e o homem.
      4)    Um culto que é prestado à divindade e possuidor de um sistema.
    5)    A observância estrita de preceitos religiosos, tais como piedade, devoção e intenso fervor.
      6)    Pode ser ainda, uma prática ou doutrina assemelhada a uma religião.
    7)    Um dever do qual não se deve e não se pode abrir mão. Um dever inelutável. Um conjunto de princípios morais e éticos.
Ao observarmos estes princípios, vemos que nos enquadramos em quase todos. E grosso modo todos somos de certa forma religiosos em algum momento de nossa vida. Faz parte da humanidade intrínseca ao ser humano ser religioso. Podemos afirmar que assim como, a sociabilidade é natural ao homem, a religiosidade também o é.  Inclusive o ateu que defende seu ateísmo de forma zelosa. Neste sentido ser ateu é a sua religião. Como a ciência é a religião do cientista, e o direito deveria ser a religião do magistrado.
Ao procurarmos o significado do vocábulo Seita, também no léxico, aprendemos que:
     1)    É um partido ou Escola Filosófica, assim considerada na era pré cristianismo.
      2)    Doutrina que se afasta da crença ou da opinião dominante em determinada sociedade.
    3)    Grupo de separatistas (dissidentes) de um ramo religioso principal, ou de uma comunhão principal.
    4)    O nome que se aplica a uma teoria de um mestre que tenha inúmeros seguidores.
   5)    Dentro da sociologia a seita é uma sociedade cujos membros se agregam de forma voluntária e ficam às margens da sociedade, mantendo-se à parte do mundo.
Não sendo suficiente para lançar luz sobre o assunto temos que aprofundar o conceito de Religião ou Seita. Mas este aprofundar, implica em nos apropriarmos de algo que já foi escrito, e que portanto pode ser que o autor tenha colocado nas linhas as suas vivências culturais, que por sua vez podem ter sofrido outras influências. Ou seja, podemos ver conceitos eivados de conceitos Pré-concebidos ou Pré-conceitos ou preconceito.
O  Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia trata do verbete religião, como sendo uma “Instituição Social caracterizada pela existência de uma comunidade de indivíduos unidos”.  Esta afirmação isolada torna o futebol a maior religião do mundo, e cada time uma denominação diferente. O que une esta sociedade é a  adoção de ritos regulares e de formulas determinadas. Depois a crença num valor absoluto. Valor com o qual nada se compara. A comunidade unida mantém o objeto desta crença. Até este ponto podemos ver religião em tudo. Mas quando continuamos a ler, vemos o seguinte: “pela relação do indivíduo com um poder superior ao homem, poder concebido como  quer como difuso, que como múltiplo, quer, finalmente, como único, Deus.”  (Lalande, 1999)
Ora, o Deus aqui citado pode não ser um consenso entre as pessoas, portanto, defini-lo como critério para dizer se determinado seguimento é uma religião, é algo complicado.
Ainda na esteira de Lalande, vemos religião como: “Sistema individual de sentimentos, de crenças e de ações habituais tendo Deus como objeto.”   Esta palavra objeto pode ser algo sagrado ou de escárnio, depende dos motivos do indivíduo. Chocante ou não, enquanto os Cristãos adoram ao Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Os satanistas zombam deste mesmo Deus. Coadunando com a sétima definição de religião, Lalande diz que religião pode ser: “Respeito escrupuloso de uma regra, de um costume, de um sentimento. “A religião da palavra dada”. Acrescentando que este sentido é muito antigo e mais usual do que hoje.
Em tempos de homens amantes de si mesmo e néscios de entendimento, esta afirmação é de fato muito verdadeira.
No mundo moderno, falar de religião é algo extremamente complexo. Pois religião pressupõe  um  sistema completo. O emprego do vocábulo sistema, por si só exige um artigo à parte. Mas, reduzindo, a religião tem que ser algo completo.  Neste sentido, a completude é encontrada no Sistema denominado Cristão. O Cristianismo não exige sacrifícios do homem para completar a obra redentora de Cristo. Ela foi completa e exclusiva. Foi Suficiente para a redenção da humanidade. Basta ao homem pecador aceitar a Graça do Sangue de Cristo que foi derramado na Cruz do Calvário.
O ato de escrever sobre Deus,  o ato de estudá-lo ou de fazer Teologia é insuficiente para demonstrar aquilo que o homem espiritual compreende através da Graça do Espírito Santo, o Consolador prometido por Cristo. Ora, Deus deixa de ser o objeto para ser o Sujeito que dirige nossas vidas e que recebe nossa devoção e adoração. O homem natural não compreenderá jamais esta situação. Por outro lado, o homem espiritual entende isto. E não há necessidade de comunicá-lo a outrem, senão pelo amor ao próximo e que nos faz desejoso de que ele descubra o quanto é maravilhoso entrar na Graça e no gozo do Senhor Cristo e assim chegar a Deus. Este Deus de que falo é o Deus que criou o mundo e tudo que nele há. O GRANDE EU SOU.
Há quem veja a religião com um sistema onde impera a solidariedade entre seus membros, no que concerne às crenças. Por outro lado, as Seitas geralmente admitem que seus membros tenham crenças diferentes. Aos religiosos cabe por causa de sua crença comum congregar naquilo que se chama Igreja. Todos que aderem a tal ou tal religião, congregam na Igreja daquela religião. Uma debruçada sobre a história ensina que, havendo divergências entre membros ocorre a separação, dando nascimento a outras igrejas com nomes variantes. Penso eu que assim surgem as denominações.
Para começo, é importante definirmos o que vem a ser denominação. Seria um conjunto de igrejas filiadas a uma convenção?  Por exemplo, existem igrejas Assembleias de Deus que são filiadas a Convenção Geral das Assembleias de Deus do Brasil (CGADB). Existem Igrejas Batistas que são filiadas à Convenção Batista do Brasil. Seriam estas igrejas denominações? Seria a denominação um conjunto? Ou seria denominação, o nome da igreja? Será que nesta altura da diversidade de pensamentos a respeito do que se convencionou chamar Mundo Gospel, existem ainda denominações?
Mas supondo que denominação seja a Convenção, para afirmarmos que ela denomina tal ou tal religião como seita,teríamos que ter um documento oficial. O fato de um membro da assembleia de Deus, ou da Igreja Batista, ou da Maranata, considerar tal ou tal religião como seita, não implica necessariamente que esta denominação assim o considere. Denominação segundo Houaiss:  
“na teologia ecumênica, cada uma das linhas ou igrejas que compõem o cristianismo.”

Contudo, a relação entre o homem e Deus é algo que está relacionado a Fé, e não à Religião.  A religião cabe o papel de religar o homem ao sobrenatural.



SEITAS:
A principal motivação para classificar um movimento como seita (do ponto de vista Cristão) é verificar se o ensino praticado em seu âmbito e repassado aos seus adeptos está em harmonia, em consonância com as Escrituras Sagradas do Cristão e que é comumente conhecida por Bíblia Sagrada. A identificação de uma Seita leva em conta  sua sustentação e divulgação a respeito de doutrinas contidas na Bíblia, entre elas: A Trindade; A Criação do Homem e do mundo; O pecado e seu papel na queda do homem; a própria Bíblia; Cristo em sua pessoa e obra; a salvação e o porvir.
Se verificarmos dissonâncias entre a Bíblia e o ensinamento do movimento/igreja sobre estes assuntos, haverá a classificação de seita
Por exemplo, há determinados movimentos ou fraternidades que colocam os livros de seus líderes em pé de igualdade ou até mesmo superiores à Bíblia Sagrada. Outros vêem Cristo como um Avatar, um iluminado, ou um homem esclarecido. Com relação ao pecado são tolerantes. Há aqueles que consideram Deus um Ser Impessoal.
A Doutrina Neomodernista, a guisa de exemplo, considera a infalibilidade da Bíblia, algo fantasioso e não é inspirada por Deus. Ora, mesmo que uma Igreja que se denomina Cristã, e adota princípios contrários aos princípios bíblicos, não queira ser chamada de seita, ela o será.
Como dissemos acima, o fato de algum membro ou igreja, chamar tal ou tal religião de seita, não implica necessariamente que ela é uma seita. Mas mesmo o fato de negar que seja uma seita, e ainda assim nela se verificar práticas anti-cristãs, anti-biblicas, ela será uma seita.


CONCLUSÃO:
Não é o fato de ser chamada Seita que fará da religião uma Seita. Mas as heresias que se encontram em seu seio é que fará dela uma seita.
E isto pode acontecer com qualquer religião Cristã. A ausência de Escolas Bíblicas Dominicais destinadas ao estudo da Bíblia. A ausência de Cultos destinados ao estudo da doutrina. A presença das danças, dos movimentos de reteté, está dando ao culto um teor emocional muito grande. Precisamos lembrar que o Culto que Deus deseja é o Culto Racional.
É muito bom haver emoção e deve havê-las, mas reduzir o culto a um pula-pula e quebra de cadeiras, é tirar a adoração destinada a Deus e centralizá-las em outras coisas.
O resultado disto são crentes raquíticos. Crentes frágeis. Crentes famintos. Ora, crentes sem doutrina sã e bíblica, são levados em roda por falsos mestres. Por ventos doutrinários. Ventos doutrinários são um perigo que ronda o rebanho, e cabe a cada Pastor fortalecer seu rebanho através da pregação do Evangelho. A pregação deve ser Cristocêntrica. Igrejas que são governadas por Pastor empresário pode até dar certo do ponto de vista do mercado, mas é um fracasso do ponto de vista celestial.


Bibliografia:
Abbagnano, N. (2000). Dicionário de Filosofia (4ª edição ed., Vol. Único). (A. Bosi, Trad.) São Paulo, Brasil: Martins Fontes.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. (2003). São Paulo.
Lalande, A. (1999). Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia (3ª ed ed.). São Paulo, SP, Brasil: Martins Fontes.
Oliveira., R. F. (2009). Heresiologia I. Campinas/SP: Escola de Educação Teológica das Assembleias de Deus.






[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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