quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A CONTROVERSA QUESTÃO DO SANGUE ANIMAL COMO ALIMENTO HUMANO NA ATUALIDADE.

A CONTROVERSA QUESTÃO DO SANGUE ANIMAL COMO ALIMENTO HUMANO NA ATUALIDADE.
Jonas Dias de Souza[1]

Fomos argüido quanto a questão do sangue animal enquanto alimento humano e sua relação com doutrinas bíblicas. O fato é que um recém convertido argumentou não haver encontrado sentido nesta proibição, utilizando a premissa de que Cristo aboliu a velha lei, inaugurando uma Nova Aliança.  O assunto é polêmico ao extremo. Pois se trata de um assunto que vem sobrecarregado de uma força cultural enorme. E como sabemos não é fácil dissociar a cultura que vivenciamos desde pequeno de nossa vida Cristã.  A primeira coisa a lembrar, é que a Bíblia é uma unidade, e como tal, não pode haver a análise de textos isolados e fora do contexto. Isto é o que pregadores chamam de “empregar o texto por pretexto”. Ou seja, a utilização de textos isolados da Bíblia propicia a justificativa de doutrinas espúrias e heresias. Fato muito comum nos dias atuais. Outrossim, importante dizer que existem os contextos próximos, que são textos localizados próximos ao que está em estudo, e o contexto remoto, que é um texto localizado páginas a frente ou atrás do texto em estudo. A Bíblia explica  a si mesma. E com a ajuda do Espírito Santo vamos tentar desvendar esta dúvida que paira em muitas mentes sobre consumir
ou não pratos que levam em seus ingredientes o sangue.
Portanto, vamos nos ater a questão do sangue, e sua aplicação na culinária brasileira. Pratos com sangue não são tão raros quanto se pensa. Temos o Chouriço, em que se utiliza o sangue de porco. O frango ao molho pardo. E outras receitas em que se vislumbra o uso do sangue.
A primeira Proibição é encontrada no Livro de Gênesis.  Quando Deus fez um pacto com Noé no momento em que a terra seria repovoada, aprendemos com a Palavra de Deus o seguinte:
“E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado, como a erva verde. A carne porém, com sua vida, isto é com seu sangue, não comereis.” (Gênesis 9:2-4) (Grifo nosso)
É um imperativo. Comporta um mandamento, uma ordem, uma determinação. Não podemos comer a carne que contenha sangue. Temos em mente que o livro de Gênesis é anterior a instituição do decálogo e das leis em geral.
Prosseguindo no Livro de Êxodo:
Quando lemos a instituição da primeira Páscoa, no livro de Êxodo, deparamos com a recomendação de que o sangue do cordeiro fosse passado nos umbrais das portas para que afastasse o anjo da morte. Este anjo da morte era um enviado de Deus para cumprir a vontade divina com relação aos primogênitos.
“E tomarão do sangue e pô-lo ão em ambas as ombreiras e nas vergas da porta, nas casas em que comerem.” (Êxodo 12: 7)
Antes que apareça uma má interpretação do vernáculo, adianto que esta palavra “tomarão”, é Futuro do presente do verbo “tomar”.  Ao vermos a forma como foi ordenado que se comesse o cordeiro Pascal  por inferência, vemos que não foi neste momento ordenado comer o sangue. Mas em consonância com Gênesis, Deus não volta atrás em suas palavras, ele ordena expressamente que o sangue seja utilizado como um sinal. Vejam que, se pegarmos, somente o escrito no livro de êxodo, poderemos justificar a ingestão do sangue, como um pensamento do tipo, “O que não é proibido, é permitido”.
“E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães asmos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele nada cru, nem cozido em água, senão assado ao fogo; a cabeça com os pés e com a fressura.” (Êxodo 12: 8-9)
A rubrica do vocábulo inferência segundo Houaiss:
1          ação ou efeito de inferir; conclusão, indução.
2          Rubrica: lógica: operação intelectual por meio da qual se afirma a verdade de uma proposição em decorrência de sua ligação com outras já reconhecidas como verdadeiras.
3          Derivação: por extensão de sentido. proposição admitida como verdadeira em virtude dessa operação
Ocorre que esta forma de exegese bíblica não é correta, pois abre mão de comparar com textos correlatos próximos ou até mesmos distantes. E além do mais, utilizamos explicar a Bíblia por idéias não contidas na Bíblia.

Encontramos uma explicação para este texto nos comentários Bíblia de Aplicação Pessoal editada pela CPAD:
“Para que os israelitas fossem poupados da praga da morte, em cada casa um cordeiro sem defeito teve de ser imolado, e seu sangue aspergido nos umbrais das portas. O que isto significava? Ao matarem o cordeiro, os israelitas estariam derramando sangue inocente, e o animal sacrificado servia de substituto do primogênito que seria morto naquela casa. Desse ponto em diante, o povo hebreu entenderia com clareza, que para ser poupado da morte, uma vida inocente deveria ser sacrificada em seu lugar.”[2]
Neste comentário vemos que a ordem era derramar o sangue e não comer o sangue.
Dando continuidade, aprendemos no Livro de Levíticos:
A perícope[3] que encontramos na Bíblia de Aplicação Pessoal é:
“A proibição de comer sangue”.
“E qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que peregrinam entre vós que comer algum sangue, contra aquela alma que comer sangue eu porei a minha face e a extirparei do seu povo. Porque a alma da carne está no sangue, pelo que vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pela vossa alma, porquanto é o sangue que fará expiação pela alma.” (Levítico 17: 10-11)
E ainda:
“Portanto, tenho dito aos filhos de Israel: Nenhuma alma dentre vós comerá sangue, nem o estrangeiro que peregrine entre vós comerá sangue.” (Levítico 17:13)
Por ser sobremaneira esclarecedor citamos na integra o comentário encontrado na Bíblia de Aplicação pessoal, editada pela CPAD.
“Por que era proibido comer ou beber sangue? Esta proibição pode ser traçada desde os tempos de Noé (Gn 9.4), e eram vários seus motivos: (1) desencorajar as práticas pagãs. Israel precisava ser separado e distinto das nações estrangeiras ao redor. Comer o sangue era uma prática pagã comum e costumava ser feito na esperança de a pessoa receber as características do animal morto (força, velocidade, etc). (2) Preservar o simbolismo do sacrifício. O sangue simbolizava a vida do animal, que era sacrificada no lugar do pecador. Bebê-lo mudaria o simbolismo da pena sacrificial e também destruiria a evidência do sacrifício. (3) Proteger o corpo de infecções, porque muitas doenças mortais eram transmitidas através do sangue. (...)” [4]
Um argumento utilizado para os que querem justificar a ingestão de sangue são as Palavras de Cristo encontradas no livro de Mateus, capítulo 15. “O que contamina o homem não é o que entra na boca, mas o que sai da boca, isso é o que contamina o homem” (Mt 15:11)
Novamente vemos a utilização de uma passagem isolada de seu contexto. Jesus foi confrontado pelos escribas e fariseus, que ficaram escandalizados pelo fato dos discípulos comerem sem lavar as mãos. Ao que Jesus respondeu que havia coisas mais importantes do que comer sem lavar as mãos, e que estes fariseus e escribas honravam a Deus em vão, ensinado doutrinas de homens. Não está em discussão aqui nesta passagem o consumo de alimento algum, mas sim, o fato de se cumprir uma tradição que é lavar as mãos. Ou de comer um alimento que não era preparado segundo as tradições judaicas. Ora, a abstinência de sangue na alimentação humana é decreto divino.
Indo para o contexto remoto, chegamos ao livro de Atos dos Apóstolos ou Atos do Espírito Santo.
No capítulo 15 de Atos temos a descrição do CONCÍLIO DE JERUSALÉM. Neste concílio algumas questões foram apresentadas para que os Novos Convertidos não sofressem um fardo pesado conforme queriam alguns judaizantes. Dentre estes ensinos a circuncisão como premissa para a salvação. Aprendemos que foi uma grande discussão e contenda. É muito importante que você guarde o fato de que Paulo estava neste concílio e teve ativa participação. Esta foi a primeira conferência da igreja.
Ao final do concílio, foram enviados Judas e Silas com o que ficou decidido:
“Na verdade, pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias.” (Atos 15: 28)
Necessário, segundo Houaiss:
1          absolutamente preciso; essencial, indispensável
Ex.: o sono é n. à saúde
2          que se não pode evitar; imprescindível, inevitável, forçoso
Ex.: mudar de casa foi a solução n.
3          que deve ser cumprido; preciso
Ex.: foi n. afastar-se do local de explosão

Ora, a ordem era legal pois foi dada pelos dirigentes da Igreja. Era clara, pois foi determinada e imposta como coisa necessária. Algo que é imposto não pode ser passível de questionamento. E o mais importante, foi uma decisão guiada pelo Espírito Santo de Deus. E foi escrita em forma de decreto e enviada as igrejas.
O que foi imposto?
“Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da fornicação; destas coisas farei bem se vos guardardes. Bem vos vá.” (Atos 15: 29)
Não podemos cumprir a ordem pela metade. Como podemos ser contra a fornicação e a prostituição e sermos a favor que se coma o sangue. Além do mais, prosseguindo com o aprendizado na Bíblia, convém ler atentamente Atos 16:4.
“E, quando iam passando pelas cidades, lhes entregavam, para serem observados, os decretos que haviam sido estabelecidos pelos apóstolos e anciãos em Jerusalém.”
Não há no Novo Testamento passagem que autorize a adoração a ídolos, ou a fornicação. Portanto se estes itens são observados até hoje, sendo, portanto universais, o comer sangue também é proibido. Não podemos ter uma moral relativa ou de conveniência.
Lembramos que:
Equivocadamente, citam as palavras de Cristo, quando repetem que o que faz mal é aquilo que sai da boca, conforme descrito em Mateus 15. Ora, a passagem em apreço trata da observância de tradições, os Judeus tradicionalmente não se alimentavam de sangue. 
Outros preferem defender a ingestão de sangue, citando as palavras de Paulo aos Coríntios sobre a liberdade Cristã. Palavras encontradas em 1 Coríntios, capítulo 8. Ora, o assunto em pauta neste texto é “acerca das carnes sacrificadas aos ídolos”. Não se sacrifica aos ídolos sem que se extraia o sangue. O sacrifício de animais pressupõe o derramamento de sangue, até mesmo para os animais sacrificados aos ídolos. O texto não fala em momento algum sobre a ingestão de sangue.
Além do mais, estando Paulo presente no Concílio de Jerusalém. Se com estas palavras ele autorizasse a ingestão de sangue, ele estaria ensinado uma doutrina contrária ao que foi ensinado por ele mesmo.

CONCLUSÃO:
O fato de haver comido sangue anteriormente não o fará perder a salvação.  Mas sou contra a ingestão de sangue animal como ingredientes de pratos culinários ou puros, motivado pelo fato de que se trata de uma ordem de Deus para a humanidade. E como crente não posso transgredir a Palavra de Deus.  Portanto ou somos Crentes em Cristo ou não.
Percebemos que falta firmeza espiritual em muitos crentes por causa de sua ligação com o mundo. Não existe evangelho sem uma cruz para carregar. Esta cruz consiste em ir contra o pensamento do mundo. Satanás utiliza de muitas maneiras a sutileza para tentar nos enganar. Vemos por exemplo que a ordem foi clara, não comer sangue. A Bíblia não fala, por exemplo, em transfusão de sangue, que a meu ver é totalmente permitida. Comer o sangue não é o mesmo que receber uma transfusão de sangue. Se uma pessoa que está morrendo de fome receber sangue em uma transfusão, ainda assim ela perecerá por fome, posto que o organismo não reconheça a transfusão como alimento.
 Mas é isto é outro assunto.
No que respeita a ingestão de sangue preferimos ficar com a Bíblia. E isto é direito nosso enquanto Cristão. Preferimos não ingerir. É melhor obedecer do que sacrificar.

BIBLIOGRAFIA.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. (2003). São Paulo.










[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.
[2] (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal., 2003)
[3] passagem da Bíblia utilizada para leitura durante culto ou sermão (Houaiss)

[4] (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal., 2003)

Um comentário:

  1. Obrigado por nos acrescentar a sua lista de amigos. Para conhecer a Igreja de Cristo – Ministério El Shadai (na cidade de Maringá – Paraná – Brasil), ter informações e conferir em que podemos lhe ajudar, por favor: >> Visite este link:
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    Desde já agradecemos.

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