domingo, 31 de agosto de 2014

O que é o outro para você?







O que é o outro para você?
Jonas Dias de Souza1


Que vivemos num mundo onde a preocupação principal “é o nosso umbigo”, é fato alardeado por muita gente. Contudo, quando pensamos de forma cristã sobre qual o nosso papel neste mundo, vemos que ser sal da terra e luz do mundo inclui uma preocupação fundamental com o outro.
Quem é o outro para nós?
O filósofo francês Sartre afirmou que o inferno são os outros. Já Ortega y Gasset afirmou que eu sou eu e minhas circunstâncias, o que inclui o outro que nos cerca.
O outro é para nós: o colega de trabalho; o vizinho; o irmão de sangue e em Cristo. O outro é o Samaritano caído no caminho e que sequer conhecemos.
É neste contexto que o crente em Cristo Jesus deve ser rápido para ouvir e vagaroso para falar, conforme nos ensinou Tiago, o meio irmão de Jesus. Ouvir é um dom. E quem pensa que não tem este dom pode pedir a Deus em oração. Mas se pedirmos sabedoria, aquela sabedoria que vem do alto, a capacidade de ouvir virá junto.
Será que basta ouvir? Se ouvirmos o outro relatar seus problemas e não tivermos uma palavra de consolo baseada na Palavra de Deus, será o mesmo que não ouvi-lo falar.
Um grande erro da modernidade é conversarmos diante da televisão, do celular ou do computador. Não prestamos atenção ao que o outro fala.
Rápido para ouvir e vagaroso para falar. Uma forma de Deus semear a nova vida em nós é através de sua palavra, e a forma de propagarmos o reino de Deus é falando de sua palavra, das Boas Novas que é o Evangelho.
Na maioria das vezes, estamos tão preocupados com nosso umbigo que esquecemos de ouvir o outro. O profeta Isaías escreveu o seguinte: “Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.” (Isaías 53:6) Andar desgarrado é andar ocupado consigo mesmo. Há quem diga que a ovelha sai pastando tão distraída que se perde do rebanho. Assim é com o crente que não tira um tempo para ouvir seu irmão (seu outro). Devemos saber também que nem sempre teremos oportunidade de testemunhar para o outro, mas quem sabe dar uma orientação que sabemos. Imagine uma pessoa que não sabe que o Estado mantém um serviço de Defensoria Pública. Podemos orientar esta pessoa, dizer onde fica o serviço, qual documento é necessário levar. Enfim compartilhar o conhecimento secular que obtivemos para ajudar o outro.
Mas o vagaroso para falar compreende que enquanto estamos ouvindo o outro, estamos orando a Deus para que Ele nos ilumine sobre o que falar por intermédio do Espírito Santo. Respostas irrefletidas pode levar o outro a sentir que nem sequer importamos com seus problemas. Um bom exemplo disto, são os comentários que fazem na rapidez com que são executadas as consultas no SUS. Além de receber um receituário, o outro que ser ouvido. Aprendamos com o apóstolo Pedro: “ Antes, santificai ao SENHOR Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós,” (1 Pedro 3:15)
Já pensou que a reclamação do outro no dia a dia pode ser um pedido velado de socorro. Movido pela serenidade que temos como Servos do Deus altíssimo, nosso colega de trabalho fala de seus problemas na esperança de que ouvirá uma palavra de alento e consolo oriunda de nosso viver Cristão. Paulo também ensinou: “A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um.” (Colossenses 4:6)
Não podemos ser como aqueles discos de vinil antigos que agarravam e ficavam repetindo interminavelmente trechos que se tornavam cansativos. Por mais que o outro ao repetir seus problemas pareça com estes discos, o Cristão deve exercitar a paciência ao ouvir. Enquanto ouve, como já dissemos, mantém um diálogo com Deus perguntando se a resposta é a mais adequada. Se a forma de pensar está correta. Ser vagaroso para falar implica em estar diretamente debaixo da Palavra de Deus. Assim como tem sentido o diálogo em torno da Palavra de Deus. Quando lemos a palavra de Deus através do profeta Jeremias, vemos que: “Assim direis, cada um ao seu próximo, e cada um ao seu irmão: Que respondeu o SENHOR? E que falou o SENHOR?” (Jeremias 23:35)
Advém daí a conclusão que a expressão “Aconselhamento Pastoral” não é exclusividade daqueles cristãos que estão no cargo de pastor. Mas cabe a cada Cristão em particular ouvir e aconselhar seu próximo (o outro).
É mais que necessário, é imperativo fazermos uma profunda reflexão sobre as palavras de Tiago. “Portanto, meus amados irmãos, todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” (Tiago1:19)


1Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões na cidade de São João del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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