sexta-feira, 29 de agosto de 2014

FUJA DA PROSTITUIÇÃO ESPIRITUAL: A DELICADA QUESTÃO DA IDOLATRIA


Idolatria

FUJA DA PROSTITUIÇÃO ESPIRITUAL:  A DELICADA QUESTÃO DA IDOLATRIA.
Jonas Dias de Souza[1]

           
FILHINHOS GUARDAI-VOS DOS ÍDOLOS. AMÉM! (1 JOÃO 5:21)


Quando falamos em questão delicada, o fazemos, considerando a questão cultural pela qual passamos. Na modernidade, não falamos só de cultos à imagens como forma de idolatria. E não estamos imunes a este pecado pelo fato de sermos crentes ou evangélicos como dizem muitos. Idolatria é algo que fica difícil nominar nestes tempos de cantores gospels, festivais de músicas evangélicas e outras coisas que inundaram o arraial dos crentes.
            A fronteira entre o sagrado e o profano já não está tão perceptível aos estudiosos. Obviamente esta afirmação não está levando em conta a Bíblia Sagrada. A palavra de Deus não deixa dúvidas com esta questão. Tudo aquilo que usurpa a Glória de Deus é idolatria. No êxodo, foi o bezerro de ouro, construído para ser adorado no lugar do Deus verdadeiro. Posteriormente nos tempos de Jesus, a idolatria era a tradição e o apego a lei, que impediu muita gente de reconhecer a cristo como Salvador.
            Atualmente várias coisas estão usurpando a Glória de Deus:

carro novo, redes sociais, cantores e cantoras gospels e até mesmo a concorrência para ver quem tem o templo mais bonito.

            É isto mesmo, tal religião tem o maior templo, o mais bonito, o mais fresco, o mais acarpetado e outros mais, que colocam Deus em últimos planos.
            A Bíblia ensina em várias passagens sobre a idolatria. Algumas de forma clara e franca outras de forma sutil, mas é possível vermos o alerta de Deus para seu povo de Gênesis a Apocalipse.
            Quando lemos Êxodo, principalmente no Capítulo 32, vemos que Israel deu um passo de retrocesso na obediência a Deus. Enquanto Moisés estava no monte, recebendo as Tábuas da Lei, ouviu de Deus a recomendação para voltar rápido para o arraial, pois se haviam trocado a Glória de Deus pela glória de um bezerro de ouro. Podemos inferir que em parte pela influência dos egípcios, o povo israelita estava acostumado ao panteão de deuses. Precisavam de algo para ver com os olhos humanos e naturais. Com certeza já haviam se esquecido da abertura miraculosa do Mar Vermelho.
Moisés retorna acompanhado de Josué, e depara com os “alaridos de festa” e o povo numa orgia de adoração ao ídolo bezerro.
            Deus fala de sua ira. Mas Moisés o lembra da promessa feita anteriormente de que aquele povo seria uma grade nação. Inobstante a isto, Moisés conclama, os Levitas respondem e os idólatras que possuíam uma marca de ouro na testa são passados ao fio da espada.
 O que aprendemos?
Podemos ser influenciados pela ausência de liderança forte. Bastou Moisés afastar-se para que o Povo fizesse uma burrada.
E ainda, não podemos depositar nossa confiança na liderança, mas em Deus. Este sim, não nos abandona.
A liderança não falava a mesma língua. Se Arão coadunasse seu pensamento com o de Moisés não faria o bezerro de ouro. Mas, com medo, realizou o desejo do povo e cedeu diante da pressão popular. Isto acontece ainda hoje. Com o pretexto de cativar os jovens, temos tomado  conhecimento de movimentos nada ortodoxos em igrejas.
            Devemos fugir da prostituição espiritual. A idolatria nada mais é que uma forma de prostituição. Ao idólatra é reservado refletir a glória vazia do ídolo.
            O escritor americano G.K. Beale faz uma análise em sua obra “Você se torna aquilo que adora”, que vale a pena ser lida por um Cristão interessado em conhecer o assunto. Encontramos referências a questão da idolatria em vários livros da bíblia. Para G. K. Beale “O casamento entre um homem e uma mulher era apenas um indicador da relação matrimonial do fim dos tempos.” (Beale, 2014)
Esta relação matrimonial ocorrerá entre a Noiva (igreja) e o Cordeiro (Jesus). Quando uma noiva torna-se esposa ela assume o nome do marido. Mas desde o tempo de noivado deve manter uma conduta ilibada. Isto se aplica ao Povo de Deus. O povo que está voltado para as coisas mundanas refletirão a glória dos ídolos.
            É por isto que ao trocar a Glória de Deus pela glória do mundo, o homem está entrando numa espécie de prostituição espiritual.  Os rituais dos deuses pagãos incluíam em sua maioria a prostituição cultual, ou seja, havia templos em que o encontro sexual com prostitutas ditas sagradas era incentivado.
Israel oscilava entre o verdadeiro Deus e os deuses pagãos. E isto não é privilégio daquela nação, temos que orar e vigiar muito, para que os ídolos modernos não venham a ocupar a posição que é destinada a Deus.
            A adoração aos ídolos incluía: Prostituição e sacrifícios de crianças.

            Segundo o dicionário Vine:

IDOLATRIA:  eidololatria ou eidololatreia, (...), de onde em português, “idolatria" (formado de eidolon, “idolo”, veja IDOLO, e latreia, “serviço”), e encontrado em 1 Co 10.14; Gl 5.20; Cl 3.5; e, no plural, em 1 Pc 4.3.1 Os sacrifícios pagãos eram oferecidos a demônios (1 Co 10.19); havia uma terrível realidade no cálice e na mesa dos demônios e na  comunhão envolvida com demônios. Em Rm 1.22-25. a “ idolatria" (o pecado da mente contra Deus, E f 2.3) e a imoralidade (os pecados da carne), são associadas e traçadas a falta de conhecimento de Deus e de gratidão para com Ele. Um “ idolatra" e um escravo de idéias depravadas que os seus ídolos representam (Gl 4.8,9); e, desse modo, de varias concupiscências (Tt 3.3). (Veja Notes on Thessalonians. de Hogg e Vine. p. 44.) (Vine p.698)
           
            A idolatria não é somente associada à religião cultual, mas atinge diretamente a vida do idólatra.
            Por mais que seja doloroso é preciso reconhecer que a idolatria está no “arraial dos crentes”. Não podemos ser cegos e não admitir. Recentemente tivemos a inauguração no Brasil de um templo que pretende (segundo alguns) rivalizar com outro local famoso de peregrinação. O que mais espanta, é as invencionices de adotar práticas veterotestamentárias a pretexto de uma adoração verdadeira, como a inclusão de mantos e candelabros como elementos do culto. A denominada Teologia da Prosperidade é em sua essência idólatra. Quando se substitui a mensagem da cruz e da redenção, por uma máxima de prosperidade financeira, o que temos? A idolatria que coloca Deus a serviço do homem.
            Recentemente, assisti a um vídeo, onde um pastor dá ordens para Deus para reter um demônio no corpo de uma mulher, pois queria entrevistá-lo. Isto não aconteceu em outros arraiais, mas no arraial dos crentes.
            “Muitas igrejas de hoje são voltadas para o mercado e tentam satisfazer os desejos consumidores de autossatisfação idólatra.” (Beale, 2014)
            E de fato, só vemos compromisso financeiro. Numa espécie de extorsão divina. Estão colocando Deus de encontro a parede com pregações que falam somente de crescimento material. Raras são as pregações que condenam o pecado. Raríssimas são as pregações que falam que: Jesus salva, liberta, cura, Batiza com o Espírito Santo e leva para o céu.
            Paulo exortou aos crentes que não se afastassem de Deus. Isto não significa nos transformarmos em ermitões e saímos da sociedade. Mas aqueles que se dizem crentes e continuam coadunando com os pecados à sua volta, sob o pretexto de não desagradar, deve ser evitado.
            É muito fácil vermos a idolatria em sua forma crua, como a adoração de ídolos palpáveis. Mas aquela idolatria sutil, que penetra “com sapatinhos de algodão” na nossa vida, é mais difícil de ser notada. O que coloca luz neste caso é o Espírito Santo. Um exemplo de idolatria sutil: O horóscopo do jornal cotidiano. Outro exemplo: A astrologia.
            Que diferença há entre o Israel antigo e a igreja moderna, se há contato com estas formas sutis de adivinhação?
            Vejamos um ensinamento de Paulo em Colossenses: “ Mortificai pois os vossos membros que estão sobre a terra: a prostituição, a impureza, o apetite desordenado, a vil concupiscência e a avareza, que é idolatria; (Cl 3:5)
            Jesus alertou para o fato da impossibilidade de servir a dois senhores. Ou amamos a Deus ou a Mamom. Não há como sermos servos de dois.  A igreja que utiliza dos artifícios de “dar rosa consagrada, sal bento, azeite santo, e até vassoura benta”, está na idolatria. Não há outra desculpa.
Amuleto é idolatria.
Amuleto  e Talismã, segundo Houaiss:
objeto, fórmula escrita ou figura (medalha, figa etc.) que alguém guarda consigo e a que se atribuem virtudes sobrenaturais de defesa contra desgraças, doenças, feitiços, malefícios etc.
 A Bíblia não ensina o uso de Talismãs em nenhuma passagem.
Talismã:
  substantivo masculino
1     objeto a que seu portador atribui o poder mágico de realizar os seus desejos
2     Derivação: por metáfora.
efeito desse poder mágico; encantamento
3     Derivação: por extensão de sentido.
tudo que produz um efeito súbito e fantástico

Há igrejas que vendem objetos ditos consagrados, e isto é idolatria. Isto é Prostituição Espiritual. Isto é invalidar o sacrifício que Cristo realizou na Cruz para que nos tornássemos filhos de Deus por adoção.
Quando passamos da morte para a vida, precisamos deixar de voltar aos velhos hábitos da idolatria. Que diferença há entre o Pagão que carrega um pé de coelho e o “crente” que leva um saquinho de sal da igreja para casa?
Vale lembrar a diferença entre a idolatria e o cristianismo ensinada pelo profeta Habacuque: “Então passarão como vento, e pisarão, e se farão culpados, atribuindo este poder ao seu deus.” (Hc 1:11)


Obras Citadas

Beale, G. (2014). Você se Torna Aquilo que Adora. (1ª edição ed.). (M. Throup, Trad.) São Paulo, Brasil: Vida Nova.
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. (2003). São Paulo.







[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus (Missões) na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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