terça-feira, 24 de junho de 2014

QUAL O PAPEL DO CRENTE NESTE MUNDO?




Divulgador da Palavra.

QUAL O PAPEL DO CRENTE NESTE MUNDO?
Jonas Dias de Souza[1]

            Para começo de conversa, entendemos por CRENTE aquela pessoa que crê no Senhor Jesus cristo, que o aceitou como legítimo e suficiente salvador. Não interessa em qual denominação religiosa está congregando. Mas que procura viver uma vida de santificação.
            Como está o mundo atualmente? Como filósofo, eu vejo o mundo em constante mudança. Ocorre que as mudanças atuais estão num ritmo vertiginoso. Entendo que os pontos de reivindicação estão muito mais diversificados e menos aglutinados em pontos comuns, ou seja, há uma gama maior de interesses defendida por diferentes pessoas.
Com relação à violência, esta sempre existiu. O que precisamos entender é a forma diversificada de violência social denominada corrupção. A corrupção não acontece somente no nível financeiro dos poderes constituídos, mas ocorre em cada ação cotidiana do membro da sociedade.
            Das ações mais simples como não permitir ao pedestre atravessar a faixa quando chega a sua vez, até, a tentativa de impor a tolerância irrestrita aos pseudo-valores que corrompem a sociedade. O simples fato de impor a tolerância é algo perigoso. Tomemos como exemplo, o fato, da liberdade sexual. Eu devo respeitar aquele que prefere relacionar-se com o mesmo sexo. Mas não sou obrigado a concordar com estas atitudes. O que está ocorrendo é que o simples discordar está sendo visto como forma de violência, quando na verdade é este discordar que permite ao mecanismo da democracia correr de forma concatenada com suas engrenagens num perfeito sincronismo. Por vez não podemos permitir e aceitar qualquer tipo de violência contra pessoas que se relacionam sexualmente com o mesmo sexo.
            Ora, eu posso não concordar com
o modelo de família que estão tentando impor por meio político. Mas devo respeitar se porventura este modelo for aprovado por mecanismos legais. Mas também posso optar por não votar e não apoiar os políticos que defendam este modelo.
            Isto do ponto de vista político e legal não há muita dificuldade em ser entendido. Mas e do ponto de vista Bíblico? Quando tomamos a Bíblia (sem fanatismo e legalismo) por parâmetro não como errarmos enquanto Povo de Deus.
            A questão muda de figura. A Bíblia não admite relativismo ético-moral. Ou ela permite ou não permite. E ela não permite a questão do ser humano constituir família partindo da união com o mesmo sexo. Por, outro lado a lei permite que tenhamos liberdade religiosa para exigirmos respeito durante a realização de uma cerimônia religiosa. Com outras palavras, devemos admitir a entrada de qualquer pessoa nos templos religiosos, mas não podemos aceitar que a troca de carinhos ocorra dentro do templo e durante a cerimônia religiosa. Isto é desrespeitoso. Em alguns casos pode chegar a ser ilegal. O ato obsceno em público ainda é punido por nossas leis, assim como a perturbação de culto religioso, seja ele qual for. Crentes não podem atrapalhar o andamento de outras cerimônias religiosas a pretexto de evangelizar, isto não é sábio. Assim como, membros de outras religiões não podem adentrar nossos templos com pretexto de atrapalhar escudado na democracia.
            E Com relação à política? Não podemos ser alienados a ponto de não acompanharmos a plataforma eleitoral dos candidatos. Devemos votar de acordo com aquele candidato que defenda princípios cristãos, e por conseqüência, bíblicos.  O princípio democrático permite isto.
            É dever do crente orar pelo mundo, para que este se converta a Cristo. Mas é dever do crente votar de acordo com a sua consciência. E se um político defende projetos que desestruturam a família do ponto de vista bíblico, ele não merece o nosso voto. Seja ele do nosso meio ou não.
            E com relação ás manifestações violentas?
            É dever de todo crente submeter-se à autoridade governamental, isto inclui o respeito à propriedade privada. Portanto não há que se falar em crente participando de quebradeira. Mas na manifestação pacífica, ele tem o poder-dever de participar.
            Ser crente não significa alienar-se dos problemas sociais que rodeiam a rua, o bairro, a cidade e o país em que residimos. O papel do crente é duplo. Enquanto ele ora e batalha no mundo espiritual. Luta também no mundo físico.
            Poucas, mas poucas pessoas sabem que estamos numa guerra espiritual. Esta guerra está se intensificando a cada dia. Uma das estratégias do Príncipe deste mundo é influenciar as pessoas para que desacreditem dos princípios bíblicos e em especial da pessoa de Jesus Cristo. Vários discursos são direcionados neste sentido. Projetos de lei são apresentados. Princípios salutares são mudados. O fato de determinadas ações não serem ilegais, não significam que não sejam pecaminosas. A bem da verdade não existe a figura do pecado menor ou do pecado maior.
            A tolerância pretendida ao uso de determinadas drogas, por exemplo, é um caminho perigoso e não vejo debates ocorrendo de forma desapaixonada. Não vi até agora alguém ouvindo os pais de alguém que seja viciado em maconha sendo ouvido pela mídia, para falar das agruras que sofre vendo o filho desfazer do patrimônio familiar para manter. Por outro lado, não vislumbro a possibilidade de um diálogo na entrevista de emprego que ocorra assim.
            __O Senhor tem experiência como motorista?
            __ Sim Senhor, já trabalho há algum tempo.
            __ Usa alguma substância que o tira da realidade?
            __ Sim faço uso de maconha.
            __ Perfeito. Não há nada nas normas da Empresa que proíba colocarmos o nosso patrimônio nas mãos de um maconheiro. O senhor está contratado.
            Crentes conservadores ao extremo podem achar que este assunto é delicado. Mas o legalismo é tão prejudicial quanto o fanatismo ou liberalismo.  O “ismo” é particularmente perigoso, pois particulariza muitas situações, impedindo um debate. O “ismo” coloca os movimentos em um nicho. Com certeza, há também o “crentismo”, formado por pessoas que pensam que o fato de professarem uma religião denominada “evangélica” as faz melhores que o resto da comunidade. Já se torna soberba esta atitude, e é condenada pelos princípios cristãos.
            Então qual o verdadeiro papel do crente?
            Ser sal da terra e luz do mundo. Como posso ser sal da terra?
            Não permitindo que a Igreja se torne um centro político. Isto não contradiz o que afirmamos acima. O crente em Cristo deve ser político em sua vida particular e secular. Mas não deve permitir que a igreja se torne palco para políticos profissionais. Subir ao púlpito e falar ao Povo de deus sobre qualquer coisa que não seja o Evangelho da Cruz de Cristo é terminantemente proibido de acordo com as escrituras. Maior exemplo deu Jesus, ao expulsar os vendilhões do templo. Que diferença há entre mercadejar animais para o sacrifício e mercadejar os votos dos fiéis.
            No entanto, o que vemos é descaradamente a propaganda eleitoral nos púlpitos. O lugar que deveria ser somente, e somente só, para pregar a palavra de Deus, está sendo transformado num palanque eleitoreiro. Reafirmamos o nosso pensamento de que o crente não deve alienar-se da política. Mas tem o dever/poder de respeitar a casa de Deus e seu povo. É neste sentido que precisamos refletir sobre qual o papel do crente em Cristo na sociedade atual.
            Não se admite mais, aqueles crentes fanáticos dos tempos de antanho, que se isolavam de tudo e de todos. Lembremos que a cultura de algumas igrejas proibia até bem pouco tempo um estudo teológico. Hoje há incentivo para estes estudos. O grande paradoxo disto tudo é que temos crentes que querem estudar teologia, mas não querem freqüentar a Escola Bíblica dominical. Desejam ser bacharéis em teologia, mas não desejam freqüentar os bancos nos dias de Culto de Doutrina.
            Desejam ardentemente e aspiram ao Presbitério (Diaconato, Pastorado, e outros), mas não querem assumir uma função humilde na igreja. E nem esperar o seu devido tempo. Dar tempo ao tempo é uma expressão que ilustra bem isto. Em razão disto temos ministérios que se desmoronam na primeira brisa de dificuldade, não é bom nem falar em tempestade, pois esta mata estes ministérios sem raízes. Por causa disto vemos nomes esdrúxulos de igreja, tais como “xixi de anjo”. Isto é demonstração de que a doutrina não está sendo ensinada adequadamente. Existe uma fórmula simples para resolver este problema. Se o Espírito Santo não está na direção dos trabalhos espirituais não podemos esperar frutos. A sugestão que fica é a de que devemos ser os crentes de Beréia. Paulo ensinava e os Bereanos consultavam as Sagradas Escrituras para ver se eles estavam falando a verdade. Se não está na Bíblia não é objeto de doutrina. Tradição não pode ser equivalente à Palavra de Deus. Hoje por exemplo, uma mulher não pode se dar ao luxo de recusar um emprego porque este exige como uniforme o uso de calça comprida, ou “calça Sport” como diziam no meu tempo de criança.
            Por outro lado encontramos pastores preguiçosos que não se preocupam em fornecer um alimento rico em gordura, mas. Continuam servindo o mesmo leite fraco, para os crentes de seu rebanho. A conseqüência disto é a migração para igrejas, numa procura constante de alimento espiritual.
            Crentes que não se alimentam espiritualmente, não conseguem evangelizar, e jamais serão aptos a praticar a verdadeira Defesa da Fé (Apologética). Eis ai a grande multidão que tomba sob a mais leve brisa de doutrina.  Temos até hoje a imposição de doutrinas que visam somente prender a consciência do povo aos seus pastores, criando uma dependência psicológica entre ovelhas e líderes.
            Qual o papel do crente neste mundo?
            Já não é mais isolar-se socialmente, numa guerra de “nós contra eles”. Mas, ter a consciência de que estamos de fato numa guerra espiritual. Ainda hoje temos o sacrifício de crianças com vistas à manutenção de pactos diabólicos. O sacrifício de animais, algo já superado pela questão da cruz, ainda hoje é visto como algo revestido de espiritualidade. Nós sabemos que a Cruz acabou com isto.
            Mas temos coragem de dizê-lo?
            Refletir na vizinhança, a nossa condição de crente em Cristo Jesus.
            Existe uma ilustração de uma crente que ficava sempre convidando o pastor para ir à sua casa. E indicava que na casa havia uma placa que dizia “Aqui mora um servo de Deus”. Certo o dia o pastor foi até a casa e ao chegar à porta não entrou, pois havia o maior quebra pau naquela casa. Passado um tempo a irmã cobrou a visita e perguntou se ele não havia achado a casa, e lembrou-se da placa. O pastor respondeu que havia ido lá, mas a casa estava alugada para o diabo. Isto não pode acontecer com o Povo de Deus. O papel do crente é andar pelo bairro e por causa de seu comportamento ser tido como crente. Aquela pessoa que inspira confiança pela ética que professa. Não precisa ser catedrático para saber o imperativo categórico Kantiano de agir como se a nossa ação se torne máxima de conduta. Mas saber que o amor de Cristo que nos inunda, não permite que demos um cheque sem fundo na praça e continuemos a assumir compromissos que não cumpriremos.
            Obviamente estamos descartando aqui, aquela eventual dificuldade por causa de um desemprego repentino, ou uma doença. Falamos daqueles casos premeditados, em que de espontânea vontade defraudamos o nosso próximo. Ser sal da terra e luz do mundo é emprestar sabor e luminosidade. Dizemos emprestar porque só Cristo pode dar a sua luz. O máximo que podemos fazer com nossa humanidade é emprestar a nossa candeia. Não devemos acender a lâmpada e colocá-la debaixo da cama, amas, como ensinou Cristo colocar a luz no lugar mais alto da casa e de nossa comunidade.

           
           



[1] Servo de Deus. Congrega na Assembleia de Deus Missões. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.