sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Do Livre - Arbítrio ao Servo-Arbítrio: Atendendo ao Chamado de Deus.





Do Livre - Arbítrio ao Servo-Arbítrio: Atendendo ao Chamado de Deus.

Jonas Dias de Souza[1]

É fato bastante conhecido que Deus respeita o Livre-arbítrio do homem. Tal não poderia ser diferente porque sendo perfeita a sua criação, o livre-arbítrio foi dado para que o homem tivesse a liberdade de escolha.

Deus não força ninguém a segui-lo ou aceitá-lo. Contudo, estende um convite a toda a humanidade para a salvação. Este chamado pode, portanto ser rejeitado pelo homem. O que conhecemos por pecado imperdoável é justamente
a rejeição ao Espírito Santo. O que a Bíblia ensina pela imagem de “dura cerviz”. Uma cerviz dura é aquela que não se curva, mas mantém empedernidamente ereta mesmo que a custa de um alto preço.

O convite que Deus envia para a humanidade e para o indivíduo em especial inclui adendos que são o Dom da Graça e o Espírito Santo.  Estes dois presentes de Deus foram deixados por Cristo Jesus. O Dom da Graça dado na consumação de sua morte na Cruz seguido de sua Ressurreição e vitória sobre a morte.

Quando Cristo afirmou na Cruz  “está consumado”, ele novamente permitiu o homem se ligar a Deus. Mas para isto é mister que o convite enviado por Deus seja aceito.

Em outras palavras. O homem é incapaz por si mesmo de voltar para Deus desde sua saída do jardim do Éden, então, Deus criou os meios necessários para que sua volta fosse permitida. O Espírito Santo foi prometido por Jesus Cristo aos apóstolos que testemunharam sua ascensão aos céus.

Chamamento de Deus são os atos pelos quais Deus ajuda o homem a aceitar o seu convite para a salvação: Dom da Graça e Espírito Santo.

Mas como afirmado já no título, o homem possui o Livre-arbítrio. Deus não é um tirano que força sua aceitação como um monarca absolutista.

O que é afinal o Livre-arbítrio?

O Arbítrio é diferente da vontade.  O arbítrio é algo que não pode ser representado exceto pela razão. O arbítrio implica em possibilidade de escolha que ainda se prende a alguma coisa. Portanto, o arbítrio é diferente do arbítrio livre. Para entendermos o livre-arbítrio temos que compreender a liberdade.  Longe de tecermos conceitos puramente filosóficos, entendemos que o homem mediante sua liberdade pode aceitar ou não o chamado de Deus. É simples assim. Nada o obrigará a responder ao chamado divino. Porém uma vez aceito este chamado, Deus se encarregará de tornar as coisas mais fáceis para o homem através do Dom da Graça e do Espírito Santo.

Ao contrário do chamado do mundo que escraviza e priva o homem de sua liberdade.

“Quanto mais procuro em mim mesmo a razão que me determina, mais sinto que não existe outra senão a minha vontade: sinto desta forma claramente a minha liberdade, que consiste unicamente numa tal escolha. É o que me faz compreender que sou feito à imagem de Deus; porque não havendo nada na matéria que o determine a movê-la mais do que a deixá-la em repouso, ou movê-la de um lado e não do outro, não existe razão para um tão grande efeito senão a sua vontade, pela qual ele me parece soberanamente livre.” (Bossuet, Tratado do livre-arbítrio, cap. II)  Apud: Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. pág. 619

Quem deseja ir de fato com Cristo responde prestamente: “Eu te seguirei.”
O que percebemos é que o homem é de fato um inválido no que concerne ao assunto de chegar-se a Deus. A natureza depravada da humanidade é que tornou necessário que Deus viesse até nós, pois o contrário é impossível.
O Chamado de Deus é Universal posto que dirigido para toda a humanidade e é resistível posto que ao homem seja permitido recusá-lo.
“Sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.” (Romanos 8.28)
Tendo o homem por seu livre arbítrio aceito o convite de Deus. Nós temos então um Chamado dentro do chamado geral.
O chamado de Deus mais básico é para o arrependimento.
“(...) Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus.” (Mateus 3.2)
“O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pedro 3.9)
O Chamado básico de Deus inclui também a Fé.
“A saber: Se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvos.” (Romanos 10.9)
“E o seu mandamento é este: que creiamos no nome de seu filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros, segundo o seu mandamento.” (1  João 3.23)
Dentro do chamado geral existem os chamados específicos.

 “Primeiramente, os que recebem o chamamento para a salvação recebem uma vocação especial para serem num sentido específico os “chamados”, em contraste com o restante do mundo (1Co1.26; Ef1.18), pois são chamados para serem santos (1Co1.2)” ( Gibbs, 2008)

Dos que são chamados para serem santos existem ainda os que são chamados para ministérios específicos: Diáconos, Presbíteros, Pastores e aqueles que possuem ministérios específicos dentro da igreja local.

Chegamos assim ao Servo-arbítrio. Este conceito é aprendido com Lutero. É o oposto do livre-arbítrio, é aquela dependência absoluta da vontade humana submetida a Deus. Quando atendemos ao chamado universal, e depois ao chamado específico, teremos sucesso quando abrirmos mão do livre-arbítrio e adotarmos o servo-arbítrio. Que a entrada na dependência única e exclusiva da ação de deus sobre nossas vidas mediante a escuta aos apelos do espírito Santo e conformação à vontade divina mediante a obediência à sua palavra contida nas Sagradas Escrituras. O que chamamos de Sã Doutrina.

Passamos a ver que não podemos mais nos conformar com os rudimentos de uma fé simplória que se permitia amoldar aos rudimentos do mundo. Mas temos uma Fé calcada na vida de entrega a Deus e vivemos o paradoxo de sermos servos e filhos. Herdeiros adotados pela Graça soberana.



Bibliografia

Gibbs, C. B. (2008). Doutrina da Salvação: a provisão e aplicação da salvação. Campinas, SP: Escola de Educação Teológica das Assembléias de Deus.

Lallande, A. (1999). Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. São Paulo: Martins Fontes.

Bíblia Sagrada (ARC)












[1] Servo de Deus. Congrega na Assembléia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Licenciado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

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