sábado, 5 de outubro de 2013

QUAL O PREÇO DE SER CRENTE?



QUAL O PREÇO DE SER CRENTE?

Jonas Dias de Souza[1]

Neste mundo moderno cunhou-se um termo “gospel”. Em verdade, foi uma adoção da Língua Inglesa.  A tradução de “gospel” é evangelho. O termo em si não carrega nenhum sentido pejorativo. Outrossim, as condutas de conformação ao mundo de certas pessoas que adotaram este termo como estilo de vida transformaram-no em algo que leva a uma profunda reflexão em termos de cuidado com a sã doutrina.

Ser “gospel” ou ser “evangélico” é mais do que ter ou adotar atitudes politicamente corretas e morais. Precisamos urgentemente de um resgate do valor de ser CRENTE.

Crente em Cristo Jesus não se
conforma e não se molda com as atitudes mundanas que constantemente cercam o Povo de Deus. Não há nada contrário em que se vivam das produções artísticas, pois todo dom é permissão de Deus. Contudo, as práticas comerciais aplicadas ao mercado (práticas tipicamente  mundanas) levaram a adoração a Deus a planos secundários da vida.

O que é ser de fato um Crente? Há um preço a ser pago? Significa o que?

São reflexões nascidas e cujas respostas devem ser buscadas exclusivamente na Palavra de Deus. Há um preço a pagar pelo discipulado. Não custa nada tornar-se um crente. É muito fácil largar a banda secular que está ficando sem espaço na mídia e dizer-se crente ou gospel. Mas ser um crente de verdade, em conformidade com as diretrizes da vontade de Deus custa tudo.

Ser crente em Cristo Jesus tem um alto preço a ser pago, quando avaliado pelos padrões do mundo. E não poderia ser diferente, posto que Jesus Cristo pagou com sangue pelo nosso resgate.

Encontramos o significado de ser crente nas palavras de Paulo em sua epístola aos Romanos.

“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” (Romanos 12.1-2)

Ser crente é apresentar o corpo como sacrifício. O que significa que ele deve ser subordinado ao espírito e não levá-lo para cumprir a concupiscência da carne. E não falamos só das coisas ligadas ao erotismo. O crente se transforma depois de tornar-se e ser um crente que de fato aceitou a Jesus cristo em sua vida. Quando se torna um crente de fato e de verdade, o homem passa a experimentar a vontade de Deus, que é boa e agradável. Sacrificando o corpo. Não entendam flagelar o corpo. Mas é doutriná-lo.

O crente encontrará tentações ao longo de sua jornada cristã. Como sabemos, as forças do mal entram em polvorosa com a vida cristã e atira-se ao ataque na vida do crente. Embora as tentações nasçam no pensamento e no coração do homem.

Quais são as tentações do crente?

“E disse-lhe: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.” (Lucas 12.5)

O desejo de ter cada vez mais para si. Glutonaria é querer ter mais.  Este fragmento bíblico é parte da parábola do rico insensato que entendeu derrubar seus celeiros e fazê-los maiores para guardar mais e mais. Mas a tua alma seria pedida naquela noite. E para quem seria a alma? O que ajunta tesouros para si mesmo não é rico para com e diante de Deus.

Eis aí um preço alto para o mundo. O crente deve preocupar com o SER e não com o TER. Entendam que não é pecado ter, mas é o valor que damos ao ter que o torna forma pecaminosa.

Lembre-se que vale a pena ser crente.

“E disse também esta palavra a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam os outros (...)” (Lucas 18.9)

A nossa pretensa justiça é apenas um trapo de imundície. Na cultura daquela época, o trapo de imundície era o “paninho da menstruação”. Trapo de imundície era o “paninho da lepra e da ferida”.  Sermos justos sem a presença de Deus é uma tentação na vida do Crente.

“mas os cuidados deste mundo, e os enganos das riquezas, e as ambições de outras coisas, entrando, sufocam a palavra, e fica infrutífera.” (Marcos 4.19)

Ao entrar na forma do gospelismo, a palavra foi sufocada e tornou-se infrutífera. Mas nasce uma pergunta. E os efeitos que ela causa ainda? Respondemos que Deus vela sobre sua palavra, mas a responsabilidade será cobrada aos autores.

O crente que não se conforma com o mundo e de fato segue a Jesus Cristo descobre coisas novas. Quais são estas coisas novas?  “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim.” (Atos 17.11)

Quando estudamos ou ouvimos a palavra, ajudados pelo Espírito de Deus, ela descortina-se e se revela.

“Perseverai em oração, velando nela com ação de graças.” (Colossenses 4.2)

Aliado ao desvelar-se do ensinamento divino vem à oração com entendimento e ação de graças. Um sentido de comunidade verdadeira é criado. Nasce o desejo de congregar. Vemos hoje os denominados de crente desigrejados. Esta artimanha diabólica tem afastado o crente dos caminhos doutrinários de Deus e ao desvio total. Desigrejar-se é um caminho para a apostasia da Fé.

“E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10.24-25)

Na congregação é que aprendemos a crescer com as falhas nossas principalmente e depois de nossos irmãos. Lamentável é o cenário que se desenha. Crentes desigrejados... Justiça própria...

Quando sigo a Cristo como crente aceito o espinho dos outros irmãos e através da oração venço o desejo de deixar a congregação. E ainda encontro sabedoria para levar as Boas Novas.

“Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu pai, que estás nos céus. Mas qualquer que me negar diante dos homens, eu o negarei  diante de meu Pai, que estás nos céus.” (Mateus 10.32-33)

O testemunho que damos de Cristo aqui na terra é que fará com que sejamos testemunhados por Ele diante de Deus. Portanto uma avaliação de nosso trabalho deve ser realizada com a ajuda do Espírito Santo. Reflitamos, pois sobre o ensino de Cristo deixado na parábola do bom samaritano e que pode ser lida em Lucas 10. 25-37

Mas seguir a Jesus implica ainda em outras coisas. Implica em muito mais. “Minha é a prata, meu é o ouro, diz o SENHOR dos exércitos.” (Ageu 2.8) Isto não implica em que o crente de Cristo não deva colaborar para a manutenção das obras de Deus. Há aqueles que se lembram do Pastor para as orações e socorro e esquece-se de sua manutenção. As ofertas para que a igreja não fique inadimplente com as suas contas devem ser voluntárias e dadas com alegria. O rei Davi deu ofertas junto com o povo para a construção do templo. “Porque quem sou eu, e quem é o meu povo, que tivéssemos poder para tão voluntariamente dar semelhantes coisas? Porque tudo vem de ti, e da tua mão to damos.” (1 Crônicas 29.14)

Quem dá com alegria irá brilhar no céu, já ensinava um hino antigo.

Nada é comparável ao preço pago por Jesus Cristo. O preço do discipulado que Jesus pagou foi o mais alto de toda a história. Nada há que se compare a sua morte que nos remiu.

“De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo,  sendo obediente até a morte e morte de Cruz” (Filipenses 2.6-8)

Seguir a Cristo implica em pagar um preço para ser discípulo. Mas nada há que se iguale em recompensa neste mundo. Portanto sejamos CRENTES EM CRISTO e não sejamos evangélicos ou gospels.

Afirmemos com coragem: EU SOU CRENTE!










[1] É crente em Cristo e com sua permissão licenciou-se em Filosofia pela UFSJ e estuda Teologia pela EETAD. Congrega na Igreja Assembléia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei.

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