quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Os transtornos gerados à igreja pelos exageros e ignorância quanto ao ensino ortodoxo das escrituras.


Os transtornos gerados à igreja pelos exageros e ignorância quanto ao ensino ortodoxo das escrituras.[1]

Jonas Dias de Souza[2]

É fato que pouquíssimas igrejas estão ensinando na atualidade. A teologia da prosperidade aliada a um neo-pentecostalismo tirou a primazia do ensino das igrejas (felizmente nem todas) e o relegou a outros planos. Vivencia-se uma movimentação ligada ao sentimentalismo e emocionalismos exarcebados que em nada se compara ao culto racional recomendado pelo apóstolo Paulo. Não que emocionar seja proibido.

Vivenciamos um conflito entre a Liturgia Pentecostal e a Liturgia Neo-Pentecostal. À segunda, que outrora bebia na fonte da primeira, foi permitido subjugar a primeira. Ocorreu então o esvaziamento dos chamados Cultos de Doutrina e da Escola Bíblica Dominical.

Reflexo da cultura brasileira e da dificuldade de leitura tão relatada nas pesquisas educacionais. Acrescente-se aí o preço alto e as dificuldades de acesso às boas obras teológicas. E mais ainda, a ausência do espírito Santo que não buscado no jejum e na oração pelos pastores e professores responsáveis por ensinar o povo de Deus. Em conseqüência temos um ensino bíblico deficiente e
manco na maioria das igrejas. Por sua vez o povo de Deus, por não fazer como os Bereanos, sofre por falta de conhecimento.

Exemplo disto é a unção com óleo. Inobstante ser uma Doutrina Bíblica vem sendo banalizada ao extremo. Estão agora derramando litros de óleo nos “abençoados e ungidos” servos. Vivenciamos o vocabulário rico: Unção, vaso, fogo, glória. Vivenciamos até neologismos “reteté de fogo e reteté de Jeová”.

A utilização de textos isolados, aliada a uma ortodoxia sem a presença do Espírito santo tem gerado distorções no arraial dos crentes.

Vejamos a partir do ensino Paulino à Tiago.

“Está alguém entre vós aflito? Ore Está alguém contente? Cante louvores. Está alguém entre vós doente? Chamem os presbíteros da igreja, e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração de fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometidos pecados ser –lhe – ão perdoados. Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos.” (Tiago 5: 13-16)

O contexto remoto para esta passagem se encontra no livro do evangelista Marcos.

“E expulsavam muitos demônios, e ungiam muitos enfermos com óleo, e os curavam”. (Marcos 6.13)

A oração consiste numa comunhão com Deus.  Tiago aqui está se referindo a alguém que está enfermo fisicamente. O azeite no AT era um remédio, basta lembrar-se da parábola do Bom Samaritano. Jesus é o nosso SENHOR físico e espiritual. A confusão que determinados nichos de pregadores tem feito com a unção, é digna de uma refutação séria no campo teológico, e digno de dó no campo cristão.

Afinal o que é unção?

A unção do AT é diferente da unção no NT. Se no AT a unção consistia no derramamento de azeite na cabeça de uma pessoa, a fim de sua separação para serviço especial. No NT temos “O Cristo” (em grego) e “O Messias” (hebraico) significando “o ungido”.

Portanto o que precisamos hoje na igreja? A maior necessidade da igreja no tempo presente é o discernimento. Se no AT eram ungidas pessoas, coisas e lugares. Se no AT a unção se dava com o derramamento literal de azeite. No NT temos a unção com o Espírito Santo.

Recomendamos algumas leituras: 1 Sm 10.1; 1 Rs 19.16; Ex 40.15; Sl 133; Gn 31.13; Ex 30. 26-30)

Veremos que o azeite era usado de forma criteriosa.  Derramar azeite era o símbolo da consagração de pessoas ou coisas a Deus. O azeite simbolizava o Espírito Santo no Antigo Testamento.  Há pessoas que refutam este ensino. Assim como refutam que o AMOR não é dom, mas sim, fruto. Ver Gálatas 5.22. Assim também, encontramos pessoas que não aceitam que perdão é mandamento e não sentimento. Recordemo-nos de que Jesus (Lc 4.18-21) leu a passagem do profeta Isaias (Is 61.1-2) a seu respeito. A unção de Jesus ocorreu no plano espiritual e isto foi suficiente para o cumprimento de sua missão na terra. Ver Atos 10.38

Isto nos leva ao fato de que derramar litros de azeite na cabeça de pessoas com pretexto de consagrá-las e confirmá-las ao Ministério é extremamente fora de contexto e desnecessário. Nos leva ao fato de que colocar um carro dentro de uma igreja para “benzê-lo” com azeite; assim como; derramar (ungir) azeites em portas, janelas e chaves, torna-se uma Heresia.

Não é proibido orar a Deus por agradecimento por um presente, como exemplo, um carro para trabalhar na expansão do Reino de Deus.

A Graça de Deus nos basta, assim como, a unção do Espírito Santo. Conjecturas demais a respeito da unção é muito perigosa. Ver 2 Co 1.21 e 1 Jo 2. 20,27)

Despejar azeite é heresia. Dar banho de azeite é heresia...

O que conduz o crente à uma vida equilibrada e separada é a presença do Espírito santo.

A presença do Espírito Santo de Deus guia, orienta, instrui e fala de forma especial. Azeite na cabeça não dá sabedoria. Somos selados pelo Espírito Santo quando aceitamos a Jesus Cristo como Salvador e consumador de nossa Fé.

Unção é obedecer a Palavra de Deus e é também manter a comunhão com Deus. Não precisamos de novas unções, mas sim da unção de Deus.

Algumas Heresias encontradas:

* unção do carro

* Caneta ungida para concurso

* unção de celular

* E pasmem... Pasmem...pasmem... unção de partes íntimas

Somente a misericórdia de Deus, seguida de um estudo comprometido com a Sã Doutrina para nos ajudar.

Voltemos ao texto de Tiago.

Quem unge? O Presbítero

Não é cooperador, diácono (Isa), ou qualquer membro. Precisamos orar e não sair derramando óleo nos batentes e umbrais de nossas casas.  Orar sim! Ler a Bíblia! Procurar através da oração o discernimento espiritual.

A sabedoria de Deus é indiscutível, mas é preciso caminharmos para a Escola Bíblica Dominical, para a igreja, em oração e em jejum.

Ficar no movimento é muito fácil. Sentar para ouvir é difícil.

Precisamos buscar a unção na Palavra para que o Espírito Santo de Deus testifique com o nosso espírito.

O recurso mais poderoso de que dispomos é a oração que proporciona a comunhão com Deus. Quando oramos alcançamos resultados maiores do que o esperado. Há quem pense que a oração é o último recurso a ser tentado. Há quem pense que a oração deve ser quando o resto falhar. Mas, ao contrário, este pensamento é retrógado e deve ser evitado. A oração deve vir sempre em primeiro lugar.

Vejam abaixo os endereços da internete que mostram algumas heresias:

http://simceros.ning.com/video/uncao-do-carroda-moto-da-1?xg_source=activity

http://www.youtube.com/watch?v=6k1lu_kfij0




[1] Baseado no Culto de Ensino ministrado pelo Pastor Geraldo Florentino Ferreira Filho de 15/10/2013 na Sub sede regional.
[2]É crente em Cristo Jesus. Congrega na Assembléia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Licenciado em Filosofia pela UFSJ e Estudante de Teologia da EETAD.

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