segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Um conto...


A última semana de Roberto: Em busca de Cristo
Jonas Dias de Souza
Esta história aconteceu numa cidade qualquer do Brasil imenso. E pode acontecer em qualquer lugar do mundo moderno.
Com vários personagens que se cruzam como na vida real. Pessoas em busca de preencher um vazio interior e que após vários caminhos chegam a uma igreja dita evangélica.  As vias que percorreram estas pessoas são várias: Um encontro no ponto de ônibus, um assento no metrô, ou no avião, enfim vários caminhos...caminhos vários.
 
Vamos acompanhar a História de Roberto[1] durante uma Semana. Roberto, está passando por um momento muito frágil em sua vida. O lar está em frangalhos, os filhos rebeldes e o emprego está quase indo por água baixo por causa do refúgio que ele encontrou na bebida.
Segunda-Feira:
Roberto entra em uma igreja que ele ouviu falar que é evangélica, já passou por vários lugares, seitas “mansas e bravas”, é claro que isto é uma metáfora, porque em tratando-se do inimigo (Satanás) nada é manso.
Segunda-feira,  Roberto resolveu ir ao culto. Acabara de ter uma briga com a mulher e com os filhos. O culto começou bem, com a leitura da Bíblia em Deuteronômio 28:8, mas a utilização desta passagem das Sagradas Escrituras pelo responsável pela pregação é que deixou Roberto meio desconfiado. Ao final ele foi procurar alguém da obra para pedir uma informação, e ouviu que naquele dia era o dia da “Corrente do Crescimento Financeiro”, e que o assunto a ser tratado era finanças. Só que Roberto saiu mais vazio porque dinheiro não era seu problema, afinal ele possuía uma boa grana que administrava bem, um carro novo, enfim tudo que de forma tão prospera lhe ofereceram. Saiu com sede de Cristo.
Terça-Feira:
Resolveu atender a um novo pedido de amigo e foi novamente a uma outra igreja, mas naquele dia era o dia da “Sessão do descarrego- Combate contra a inveja”, mas Roberto achou que sua vida não despertava inveja em ninguém. Passou o culto prestando atenção nas colunas de mármore da igreja e no grande tapete vermelho que forrava o altar. Chorou um pouco, com as músicas e até começou a gostar da leitura, para a tal sessão do descarrego, escolheram o livro de Tiago 3: 16. Mas o tempo acabou tão rápido pois a venda do sabonete contra o olho gordo, e a distribuição do sal grosso temperado com ervas medicinais direto de Israel, para ser aplicado por três sextas-feiras consecutivas quando estivessem usando uma roupa branca, com o desenho de um olho gordo, consumiu o tempo da palavra. Além do que, a explicação não atraiu muito... Roberto sentia uma sede enorme de Cristo.
Quarta-Feira:
Roberto não foi à igreja naquela noite, porque houve um problema a ser resolvido. Contudo, falaram que o culto da quarta-feira. Não era muito bom, porque era “A noite da salvação”. A noite da salvação era aquela noite que eles chamavam de noite miscelânea, pois reuniam todos os elementos das sessões. Mas consciente de sua busca, resolveu ver qual versículo havia sido naquela noite. Aliás, uma coisa que Roberto nunca entendeu era porque sendo a Bíblia tão grande, liam apenas uma ou duas linhas e em seguida tergiversavam sobre outro tema. Mas resolveu ler, foi Salmo 104:5. Roberto suspirou pois estava buscando...
Quinta-Feira:
Com a certeza de que acharia foi até uma igreja. Naquela noite era o “Desafio da Cruz”. Pensou, se Cristo morreu na cruz hoje eu acho... O culto começou bem, leram no livro de I João 8:36.
Em seguida começaram a oferecer uma cruz de plástico com um óleo que devia ser passado nos umbrais da porta e janela da casa. Comprou logo umas dez unidades pois tinha uma casa grande. Arrancou até um sorriso de um obreiro. Depois oraram ao Pé de uma Cruz de madeira gigante dentro do templo. Roberto até pensou que estava na sua antiga igreja. Pois quem pregara foi um bispo, só que de terno.  A sede de Roberto não se aplacava...Será que acharia Cristo. Chegou em casa, e colocou as Cruzes de plástico com o óleo sagrado vindo diretamente dos olivais cultivado ao Pé do Monte Sião e cujas flores recebem o orvalho caído da montanha, junto com os sabonetes de ervas, os olhos gordos, as rosas benzidas, os saquinhos de sal grosso. Havia até uma Carteira de “Cristão Evangélico” com um brasão da república. Mas, enfim, sua mulher não acreditou que ele foi na igreja. Tiveram uma outra briga. O texto usado foi o de I Coríntios 13:3
Sexta-Feira:
Naquela noite era a “Terapia da Familia”. Mas Roberto estava sozinho na igreja. Acompanhou com algumas palmas, falou para seu irmão que estava do lado (que parecia conhecer de algum lugar) que “determinava a vitória na vida familiar dele”. E Coisa e tal...
Sábado:
Roberto chegou na igreja, com a consciência pesada, porque comera uma bela de uma Pizza, tomara duas cervejas. E naquela noite era “ O Jejum dos impossíveis”. Até pensou que com a sede que sentia de alguma coisa, era normal. Acompanhou a leitura de Mateus 10:27. Comprou mais uns “acepipes evangélicos”. Desta vez comprou uma réplica da Arca que um tal de Obede Edom ganhou de um tal Davi, e que diziam ser muito boa. Pensou em levar algumas terras de Israel, mas como já havia pago para pisar na terra santa antes do culto, se deu por satisfeito.
Domingo:
Roberto acordou animado, desta vez ele iria achar Jesus, porque era “Concentração de Fé e Milagres”, e para achar Jesus só um milagre. Domingo ia ser bom porque tinha oração. Leram Mateus 21: 22 e 23
Naquela noite. Roberto ao sair da Igreja foi atropelado e morreu. Alguns colegas de Igreja comentaram que não viram Roberto na reunião de Quarta-Feira, portanto ele perdeu “A noite da Salvação”. Porque naquela Igreja, Jesus Salvava só na Quarta-Feira.
 
 


[1] Personagem Fictício

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