quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Um Estudo sobre o Salmo 23.



Um Estudo sobre o Salmo 23.
Jonas Dias de Souza[1]
“A felicidade de termos o Senhor como nosso pastor”.
            A perícope do Salmo 23 nos fala da felicidade de termos o Senhor como nosso pastor. Não temos qualquer pessoa ou qualquer um como nosso pastor. Mas temos o Senhor. Do Hebraico
 “Adon” e do Grego “Kyrios”, temos o Senhor como dono de tudo o que há. Este título é dado ao criador e dono de tudo, inclusive de nossas vidas.  Cristo é o nosso Pastor, e nós somos felizes por tê-lo como nosso Pastor. A perícope trata da coletividade ao lembrar-nos que devemos ter uma unidade na Igreja, temos um pastor em comum.
V1: O Senhor é o meu pastor; nada me faltará.
Deus é o meu pastor.  Meu é um pronome possessivo que demonstra ou determina um substantivo que pode ser coisa ou pessoa, que se refere à primeira pessoa do singular. Deus é meu pastor. Não interessa neste momento  as outras ovelhas do rebanho e nem os outros pastores. O meu único e exclusivo pastor é Deus. E se Ele (Deus) é o meu pastor por conseqüência
eu sou sua ovelha.
A ovelha obedece ao seu pastor. Deixa-se guiar por ele de forma branda. Se eu obedeço ao meu pastor que é Cristo nada me faltará. Por implicação temos minguar, escassear, diminuir, ter falta. Faltará está no Futuro do Presente. Ou seja, enquanto eu (como ovelha) estiver na presença do senhor “nada me faltará”. Nada é um pronome indefinido. Contudo, este, nada me faltará, ficará a cargo do pastor.  Deus na sua infinita bondade e condescendência, o que é traduzido por misericórdia, sabe o que é melhor para suas ovelhas e para mim.
Temos aqui uma das passagens mais citadas do Antigo testamento. Mas, o “nada” inclui as lutas e os sofrimentos (permitidos pela Sabedoria Divina para nos forjar). Inúmeras ovelhas vêem o nada somente pelo lado das delícias e das coisas materiais por ele desejadas. Para o crente as bênçãos espirituais não faltarão. O enchimento do Espírito Santo não faltará. Eu posso não possuir tudo que desejar, mas possuirei aquilo que Deus achar melhor para mim, e “nada me faltará”.
O pastor é a Rocha. O pastor é o escudo pessoal. Não é um Rei que está longe, encerrado em seu palácio, mas é íntimo e pessoal. Deus assume para seu povo a figura de uma pessoa que se dedica a cuidar. Observem o tom de confiança que há nesta frase. O salmista não diz que Deus é pastor do mundo em geral. Mas é pastor exclusivo. Há um tom de nobreza incutido nesta frase. Não temos escrito “se ele fosse” ou “que se fosse” , mas temos que “O Senhor é o meu pastor”. O verbo “Ser” está no presente. Nas felicidades e nas adversidades ‘ELE’ é. Qualquer que seja a situação presente do crente, ele está sob os cuidados do pastor Jeová.
Mas ainda há ovelhas que fogem do rebanho e distraídas se põem a pastar em lugares áridos e inóspitos cheios de perigo. Para estas ovelhas tudo falta, principalmente as bênçãos espirituais. Ovelhas desobedientes, são citadas em Jeremias. "Porque a terra está cheia de adúlteros e chora por causa da maldição divina; os pastos do deserto se secam; pois a carreira dos adúlteros é má, e a sua força não é reta". (Jr 23:10)
Para pertencer a este rebanho devemos renovar a nossa natureza. Só podemos considerar o Senhor como pastor quando o aceitamos como único, legítimo e suficiente salvador. A Ovelha é uma propriedade comprada e o preço das ovelhas do rebanho do Senhor foi um alto preço, que foi o sacrifício vicário de Jesus. O sangue derramado.
O que faz a ovelha ter abundância, não é ter muito dinheiro no banco, porque este pode acabar. O banco pode quebrar. O governo pode apreender ou confiscar o dinheiro. O que faz a ovelha ter abundância, não é sua sagacidade e tampouco sua inteligência, ou sua habilidade para ganhar o pão, mas porque “o Senhor é o meu pastor”. Os ímpios desejam cada vez mais. As ovelhas aguardam no Senhor. O coração cheio de pecados se encontra longe da satisfação, mas o coração daquele que se entrega ao pastoreio, possui um Espírito bondoso e descansa, pois nada lhe faltará. Este nada que não faltará é a tranqüilidade de Espírito, a ausência de ansiedade, a ausência de depressão. 
A primeira afirmação, Nó somos como ovelhas. Isto não é um elogio. A ovelha não é animal mais sagaz ou o mais inteligente. A característica da ovelha é de um animal incapaz de se defender e de prover o próprio sustento. A ovelha se perde com facilidade pelos caminhos desconhecidos, e rapidamente encontra-se em perigo.
“Há caminho que ao homem parece direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte.” (Provérbios 14:12)

V2: Deitar-me faz em verdes pastos, guia-me mansamente a águas tranqüilas.
            O pasto é para a ovelha de Cristo o alimento espiritual.  É a metáfora de um lar, casa, ou um lugar agradável.
            Podemos ficar na contemplação das verdades do Evangelho. Encontrando descanso nas promessas e nos “verdes pastos”. E podemos também entrar em atividade divulgando estas verdades e promessas através da Evangelização. O Cristão não deve só pensar, mas deve agir. Quando deixa ser guiado ás águas tranqüilas por Deus, trabalhar pelo evangelho é a conseqüência natural. A água é uma benção de Deus. Como elemento químico ela é essencial para a vida da maior parte dos seres vivos.  No meio das turbulências da vida. Das tempestades das crises vividas entremeadas por problemas de várias naturezas, El Elyon, nos guia para as águas tranqüilas.
            Caminhar para as águas tranqüilas e para os pastos verdejantes é caminhar para uma vida de perfeição descansando no Senhor. Isto se consegue através da Oração e da Palavra.
            Na Oração temos a contemplação das obras de Deus em nossas vidas, realizada através das várias maneiras de orarmos. Ao intercedermos por outro ser humano estamos demonstrando o nosso amor, obedecendo a ordem de Cristo. Ao agradecermos estamos reconhecendo a atividade divina em nossas vidas.
            As águas paradas são geralmente profundas. Mas o Pastor nos leva para a tranqüilidade de uma vida serena. O Pastor me faz deitar, ou seja, ele permite que através de sua Graça nós percebamos a sua verdade salvadora. Mas, para isto há que ler a Palavra, esta é a parte ativa do ser Cristão. Não basta vir a Igreja e receber o alimento na boca, é preciso nos alimentar também quando estivermos sozinhos.  Quando Oramos estamos deitados em verdes pastos, e quando diligenciamos na leitura da palavra estamos caminhando para as águas da tranqüilidade.
V3: Refrigera a minha alma; guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.
            O refrigério para a alma é o consolo, o alívio nas horas amargas e incertas, e principalmente quando o medo nos assalta. É o conforto Moral que recebemos do Pastor Jeová, principalmente quando temos os nossos pecados perdoados.
            O nosso ser interior com nossos pensamentos e emoções, é refrigerado pela Graça restauradora do Senhor Jesus Cristo, propiciado pela sua morte na Cruz do Calvário, bem como, pela ação do Espírito Santo nas nossas vidas.  Quando a alma está triste ela é vivificada e torna-se alegre. Quando é pecaminosa, ELE a santifica. Quando ela é fraca,  ELE a fortalece. Somente o Pastor Jesus pode fazer isto.
“Arrependei-vos, pois, e convertei-vos para serem cancelados os vossos pecados, a fim de que, da presença do Senhor, venham tempos de refrigério, e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus,” (At 3:19-20)
O pastor me leva pelas “veredas da justiça”. O verdadeiro Cristão se compraz na obediência. Mas, uma obediência por amor, seguida pelo exemplo de Jesus, O Cristo. Devemos observar que temos uma forma no plural. São as veredas, e não, a vereda. Os caminhos da justiça são vários. O caminho para a salvação é somente um: Cristo Jesus.
Mas, o caminho da justiça possui muitas veredas. E podemos percorrer estes caminhos guiados pelo sumo Pastor. Como Cristão não podemos escolher obedecer este ou aquele mandamento. Mas, a todos devemos ser obedientes.
Moisés guiava pela Lei. Mas Jesus guia pelo exemplo. Aqui não há emprego de metáfora. Somente o Amor do nome de Jesus pode nos guia por esta vida. O caminho do dever é o que há de agradável nesta vida. Podemos nos apoiar em outra passagem da Palavra de Deus para entendermos melhor, o que vem a ser as “Veredas da Justiça”.
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.” (Gl 5:22-23)

      O mais doce presente da aliança é a benção da santificação e o coração renovado completamente. Indignos da graça ,por causa de nossos pecados, fomos restaurados ao status de filhos de Deus pela morte de seu filho Jesus. Isto é refrigério para a nossa alma.
     

V4: Ainda que eu andasse pelo vale da sombra da morte, não temeria mal algum, porque tu estás comigo; a tua vara e o teu cajado me consolam.
Andar pelo vale da sombra e da morte é algo por vezes inevitável. Nestas horas precisamos da companhia de alguém que tenha a coragem de postar-se ao nosso lado. No sentido figurado, é a sepultura.  Na  hora de sermos baixados ao sepulcro, é a hora que somente poderemos contar com a companhia de Deus, o nosso Pastor.
            A “sombra da morte” é uma metáfora muito forte. Ela pode nos indicar tanto uma “terra perigosa”: “Onde está o SENHOR, que nos fez subir da terra do Egito? Que nos guiou através do deserto, por uma terra de ermos e de covas, por uma terra de sequidão e sombra de morte, por uma terra em que ninguém transitava e na qual não morava homem algum.” (Jr 2:6)
      Assim como, pode também nos indicar uma “escuridão espiritual”: “O povo que andava em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região da sombra da morte, resplandeceu-lhes a luz.” Outras situações: Entenebrecimento do Espírito; Fisionomia sombria; Escuridão Física.
            Cada parte deste versículo possui um significado valioso. “Ainda que eu ande”, o crente em Cristo anda calmamente, serenamente, confiantemente. Ele não apressa o passo. Mas mantém a sua serenidade mesmo na escuridão dos problemas da vida, pois tem a confiança de que o Pastor Deus está ao seu lado. Caminhar demonstra o avanço constante da alma que conhece o caminho perfeito do Senhor Jesus. Por conhecer o fim do servo de Deus, ela caminha pelos vales sombrios com calma e ao lado do Pastor.
            É imperativo observar que a ovelha não está caminhando no vale, e sim, pelo vale. Em outras palavras, o vale é uma travessia que irá dar nas águas tranqüilas. Os servos  de Deus andarão (algumas vezes) pelo “vale da sombra e da morte”, mas a chegada é na luz da imortalidade e na Glória da ressurreição dos salvos pelo Senhor.
      Não estamos andando pelo “vale da morte”, mas, pelo “vale da sombra da morte”. A morte foi removida de forma substancial permanecendo apenas a sua sombra.  Imagine que o crente passa por uma estrada, a mortes está no acostamento. A luz do céu ao brilhar, faz com que a sombra se projete.
            Quem tem medo de sombra? Somente a criança, a qual é comparada o crente que não procura amadurecer na palavra de Deus.  A sombra de uma arma-de-fogo não é a arma em si.  A sombra de um cachorro não pode nos morder.
            É de suma importância, contudo, percebermos que não vemos falar de ausência do mal. Não é isto. O mal existe.  Nas situações cotidianas da vida, inúmeras vezes sofremos por temer determinadas situações que na verdade estamos aptos a enfrentar. Nestas horas, o temor e o temer nos fazem sofrer de forma demasiada. Mas o salmista nos ensina, “não temeria mal algum”. Não há nada que eu precise temer.Nenhum mal. Nem mesmo o maligno. Os crentes em Cristo Jesus encaram o mal como um inimigo a ser vencido em nome do sangue de Jesus.
            O que nos dá a certeza da vitória sobre as tentações (que não é pecado em si, mas um convite para tal) é a companhia do Pastor. “porque tu estás comigo”.
      Em meio ao forte temporal que sacode o barco na travessia, a criança repousa embalada pelo aconchego do seio materno. Para o crente deve ser suficiente o saber que Cristo está com ele. O Pastor utiliza a vara e o cajado para consolar a ovelha que atravessa o vale de sombras. Temos aqui a representação da insigne soberania de Deus. O cuidado gracioso de Deus nos consola.
            O mundo secular teme a morte, pois dizem que para este mal não há remédio, mas o verdadeiro crente não teme nem a morte, o que dirá de sua sombra. Isto é, é preciso confiar no Pastor (Deus). Na travessia pelo vale da sombra da morte, contamos com o cajado do pastor que nos guia para longe do precipício nos mantendo na retidão do caminho.

      V5: Preparas uma mesa perante mim na presença de meus inimigos, unges a minha cabeça com óleo, o meu cálice transborda.
            A amizade do mundo é inimizade para Deus, portanto, a amizade de Deus é inimizade para o mundo. Donde se conclui que o Crente tem inimigos.  Mesmo tendo inimigos, os crentes permanecem num estado de quietude. Quando em um combate, o guerreiro come de forma apressada, pois precisa ficar preparado para o embate. Na vida Cristã, baseado na confiança depositada em Deus, o crente, mesmo diante do inimigo mantém sua serenidade, e o Pastor lhe prepara uma mesa farta e abundante. O inimigo lhe bate à porta, e ele participa da Ceia do Senhor. A expressão é “bate à porta”, ou seja, a porta do aprisco está cerrada e o Pastor está a postos. Mesmo nas circunstâncias mais difíceis pelas quais passamos nesta vida, Deus nos dá a Paz.
            Atentemos, porém, que ainda não recebemos ordem para nos sentar à mesa. O banquete está sendo preparado. “Preparas” está no presente do indicativo.  A mesa está sendo preparada, e o Crente deve ser merecedor através das duas atividades Cristãs (mencionadas acima), a Oração e a Palavra, buscando uma vida santificada. O alimento na mesa é para a vida física e também para a espiritual. Temos uma metáfora implícita, a do anfitrião. Embora a Teologia da Prosperidade veja Deus como um servo. Ele é nosso Anfitrião. O anfitrião prepara a mesa diante daquele que recebe.
            A benção de Deus é diária, ela nos faz viver a cada dia. Um dia por vez, até chegarmos à eternidade. Esta mesa que está sendo preparada é a nossa porção do “pão nosso de cada dia”.
            Existe neste Salmo, uma Escatologia da Vinda de Cristo. Cristo era a Preparação da mesa.
            Vejamos:        
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é verdadeira bebida.Quem comer a minha carne e beber o meu sangue permanece em mim, e eu, nele. Assim como o Pai, que vive, me enviou, e igualmente eu vivo pelo Pai, também quem de mim se alimenta por mim viverá.” (Jo6:53-56)
No que respeita esta comparação, para nós (crentes do presente) a mesa foi preparada. E ao aceitarmos o sacrifício de Cristo como suficiente, sentamo-nos a mesa.
“Unges a minha cabeça com óleo”. Era costume ungir com um perfume aromático a cabeça do convidado. O salmista foi ungido e separado para ser Rei. Uma primazia do Pastor para seu convidado. Passamos de simples ovelhas para filhos. E como filhos  recebemos a unção do Pai celestial. Remete-nos para abundância espiritual. O crente que segue a palavra do Senhor e que se dedica com afinco para merecer a santificação é ungido. A unção é também a separação.  Vemos também que é uma unção individual.  O crente pode procurar esta unção voltando-se para Deus todos os dias. Lembrem-se do “Buscai primeiro o Reino de Deus”, a unção também vem como acréscimo. Sem unção é ser desprovido da investidura do alto. Era costume tradicional, o anfitrião proteger seus convidados. O Pastor oferece-nos esta proteção quando os inimigos nos cercam.

V6: Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias de minha vida; e habitarei na casa do SENHOR para todo o sempre.
A promessa de uma vida eterna com Cristo. Aquele que tem Cristo, é seguido pela bondade e pela misericórdia.
O Salmo 23 nos leva a agradecer a Deus, pois nada nos falta:
·         Em alimento
·         Em bebida
·         Em direção
·         Em comunhão
·         Em consolação
·         Em bondade
·         Em segurança

Bibliografia:
Bíblia Sagrada nas versões ARC e ARA.







[1] Servo de Deus. Congrega na Assembléia de Deus Missões na cidade de São João Del-Rei/MG. Graduado em Filosofia pela UFSJ. Estudante de Teologia da EETAD.

Um comentário:

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